Entenda como será a próxima crise financeira global

Em uma semana marcada por tensões entre China e Estados Unidos, o mundo enfrenta uma nova crise financeira

Filipe Teixeira
Filipe Teixeira é redator do Portal EuQueroInvestir. Gremista, filho dos anos 80, apaixonado por filmes, música, política e economia.É também Coordenador da área de Marketing do EuQueroInvestir.com e do EuQueroInvestir A.A.I assessores de investimentos.Me envie um e-mail: filipe.teixeira@euqueroinvestir.com Ou então uma mensagem por WhatsApp: (51) 98128-5585 Instagram: filipe_st

Nesta semana foi muito falado sobre o acirramento das tensões comerciais entre americanos e chineses. Outro assunto quente foi o  aprofundamento da crise argentina e os fracos dados de atividade econômica da zona do euro. As preocupações cresceram sobre uma nova crise global.

No entanto, há outros indicativos tão ou mais importantes que também corroboram com a tese de que estamos diante de uma crise. E é debruçado nestes indicativos, pouco explorados pela grande mídia, que explicaremos no artigo.

Diferente do conceito difundido no mercado financeiro, de que rentabilidade passada não é garantia de lucro futuro, ao analisarmos os ciclos econômicos a história é um pouco diferente. “Eu vejo o futuro repetir o passado”.

Até os fios alaranjados do topete de Donald Trump sabem que tempos difíceis estão chegando. A pergunta que fica é: quando a crise financeira chegará e qual será o tamanho?

Por que outra crise é perigosa?

A imagem abaixo mostra o prêmio pago pelos títulos americanos (treasuries)

Atente para o movimento da linha azul, que representa os títulos mais curtos, e perceba como a lateralidade verificada de 2010 a 2015 deu lugar a uma crescente e perigosa aproximação em direção aos títulos de longa duração.

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Agora, observe novamente o gráfico e note quando foi que esse fenômeno foi verificado pela última vez. Bingo! O fatídico ano de 2008.

Nem os tuítes salvam

Na terça-feira, os mercados ensaiaram uma reação à crise financeira depois de um sinal claro do modus operandi de Trump (ameaças via twitter). O governo americano, preocupado com o consumo do natal, se viu obrigado a ceder, prorrogando a sobretaxa sobre R$300 bilhões em produtos chineses para o final de 2019.

De maneira clara e inédita, o presidente norte-americano deu com os “burros n’água”. Sua molecagem não apenas se mostrou inócua como também, obrigou Washington a voltar atrás de sua própria decisão. Neste momento, isso foi um sinal de quem está com a melhor mão sobre a mesa.

Mas ainda assim, havia algo muito mais importante ocorrendo: o comportamento do mercado de títulos da dívida americana.

Contanto, mesmo com o recuo americano e o aumento no preço dos títulos, houve crescimento na compra de títulos de longo prazo a comparar com os de curto prazo.

Essa configuração é conhecida como curva de rendimento invertida, e representa um claro sinal de que os investidores apostam em um crescimento fraco da economia nos próximos anos. Essa curva dá um sinal claro ao Federal Reserve cortar as taxas de juros.

Como vimos anteriormente, a curva de rendimentos invertida tem sido frequentemente relacionada a uma precursora de um período de recessão, mesmo que, tecnicamente, não seja uma garantia propriamente dita.

No entanto, observe este outro gráfico que relaciona a curva invertida com períodos de forte recessão.

E qual a consequência disso?

Em tese, o momento de uma inversão da curva de juros é um momento ruim para comprar ações. Por outro lado, nós “só” temos sete recessões como base e, as circunstâncias em todas essas inversões foram significantemente diferentes. Afinal, os cenários mudam. Então o que há de novo agora?

O rendimento do Tesouro de 30 anos atingiu a maior baixa de todos os tempos no dia de ontem. Isso se deve graças a um período de negociação de 10 dias que culminou com o tuíte de Donald Trump sobre novas tarifas para produtos chineses.

Nos últimos 35 anos, esta é a sétima vez que os rendimentos do Tesouro declinaram em um grau tão grande ao longo de um período de 10 dias. Quer saber quais foram as outras vezes? Vamos lá:

Out 1987 – A semana após crash do mercado de ações

Jun 1989 – A semana em que o Fed começou a diminuir (recessão 13 meses depois)

Fev 2000 – Tech bubble (Mar 2000)

Nov 2001 – Pico da bolha tecnológica

Dezembro 2008 – As profundezas da Grande Recessão

Agosto de 2011 – A semana após os EUA perderem a classificação AAA e uma correção de 20% no S & P 500

Agora, é difícil ignorar o fato de que o mercado está querendo nos dizer algo, não é mesmo?

O juro real “derreteu”

Depois disso, vamos analisar a taxa de juro real, ou seja, descontando a inflação. Esta que caiu nas últimas semanas, em uma velocidade menor.

Como resultado, os rendimentos reais dos Treasuries de 10 anos caíram, pela primeira vez, para zero desde antes do dia da eleição em 2016.

Se a inversão da curva foi pouco para te provar que este cenário de crise financeira é ainda mais assustador do que os antecessores, espera para ver as taxas de juros reais de mercados relevantes. Confira abaixo:

Note que com exceção do Japão – com baixas expectativas de crescimento para a próxima geração- , a queda nas taxas reais nos últimos três meses tem sido uma constante no cenário global.

O que diz o Federal Reserve

O FED de Nova York possui um indicador da probabilidade de recessão para os próximos 12 meses, derivada exclusivamente da curva do Tesouro.

A divulgação mais recente – de antes das negociações ruidosas das duas 2 semanas – , mostrou uma recessão cada vez mais provável.

E agora, quem poderá nos defender?

A grande verdade é que poucos ativos se beneficiam em momentos como esse, com exceção dos papéis imobiliários!

Enquanto o setor bancário tende a sangrar com a martelada causada pelo achatamento na curva de juros, os fundos de investimento imobiliário pagam um dividendo regular dos aluguéis. Nesta fase, em que as taxas estão caindo, os fundos se tornam populares.

Também é muito comum em momentos de uma quase crise financeira, buscar guarida em moedas fortes como, por exemplo, o dólar, a libra esterlina. Além da corrida pelo ouro. Veja o comportamento do metal precioso nos últimos dias:

Para finalizar, quem nos acompanha há mais tempo, sabe do histórico pé no chão e do posicionamento na contramão dos profetas do apocalipse.

No entanto, a urgência do momento delicado se impõe e é nosso dever alertá-lo: vem tempestade por aí!

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