Entenda como e por que abrir o capital de uma empresa

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: Pixabay

Quando falamos em abrir o capital de uma empresa, já nos vem à mente o processo de oferta pública inicial (IPO), Ou seja, pensamos na estreia oficial da companhia na bolsa de valores. Somente em 2020, foram mais de R$ 44 bilhões captados em IPOs no Brasil, e a fila para 2021 permanece extensa.

Porém, para que essa data chegue, há muito trabalho a ser feito. Ele deve ser iniciado muito tempo antes do tão esperado dia de estreia. A seguir, veremos o passo a passo de como abrir o capital de uma empresa. Mas antes, mostraremos quais os motivos que levam a companhia a abrir o capital e atrair novos investidores. Confira!

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Por que abrir o capital de uma empresa?

A seguir, veja algumas das principais razões que levam as empresas a abrirem o seu capital.

Novas fontes de financiamento

Ao emitir novas ações e oferecer esses títulos no mercado, a empresa tem acesso a uma fonte ilimitada de financiamento. Isso porque, enquanto a companhia tiver algum projeto de expansão rentável, sempre haverá investidores interessados. Desde que, é claro, possua boa saúde financeira.

Profissionalização da gestão ao abrir o capital

Quando abre capital, a empresa promove a profissionalização não só da diretoria e principais executivos, mas também de todo o quadro funcional. Inclusive isso acaba facilitando o processo de sucessão em muitas empresas.

Visibilidade e parâmetros de avaliação

Após o IPO, a empresa conquista mais visibilidade e passa a ser avaliada por um número maior de investidores no mercado. Dessa forma, essas avaliações são o que determinará a precificação de suas ações. Analisar os valores dos títulos serve tanto como um termômetro para medir as expectativas do mercado quanto para a empresa determinar estratégias de gestão.

Melhora da imagem institucional

A projeção que a empresa ganha ao ser listada na bolsa conquista o reconhecimento do público com o qual se relaciona. Em alguns casos, isso se estende também para o cenário internacional, o que fortalece a sua imagem institucional.

Mas será que todas as empresas estão prontas para abrir o capital?

Para ter os benefícios de uma abertura de capital, a empresa precisa cumprir alguns requisitos básicos. Nesse sentido, alguns dos aspectos a serem avaliados são os seguintes:

Histórico de resultados

Quanto melhor o histórico de crescimento e resultados positivos, mais chances a companhia terá de atrair novos investidores ao abrir o capital.

Além disso, é importante avaliar também aspectos como setor de atuação, competitividade do produto ou serviço oferecido e perspectivas do negócio. Isso porque, quanto mais os investidores conseguirem enxergar potencial de crescimento, mais sucesso terá a captação de recursos.

Apresentação de demonstrações financeiras

Outro ponto a avaliar é a capacidade que a empresa terá de apresentar demonstrações financeiras obrigatórias em tempo hábil. Isso porque, para abrir o capital, há critérios rígidos estabelecidos pela CVM no que diz respeito à apresentação dessas demonstrações. Inclusive, esses critérios são definidos com base nos padrões contábeis internacionais (IFRS).

Entre outras determinações, as demonstrações financeiras devem ser entregues logo após o encerramento de cada trimestre. Além disso, a companhia deverá apresentar um cronograma de divulgação, já contemplando o prazo de auditoria dos respectivos relatórios.

Sistema de controles e procedimentos internos

As companhias que abrem capital precisam comprovar a cada ano que possuem controles internos eficientes para a preparação de suas demonstrações contábeis. Conforme determinação da CVM, isso deve ser formalizado pelo presidente da empresa e pelo diretor de relações com investidores.

Governança corporativa

Por fim, a governança corporativa é fundamental no processo de oferta pública. Nesse sentido, a qualidade profissional e o comprometimento dos líderes darão a segurança necessária ao mercado.

Requisitos para abrir o capital na B3

A bolsa de valores determina seis requisitos para que as empresas possam abrir o capital. São eles:

  • A empresa deve ter a forma de S.A.
  • Deverá ter três anos de balanço auditado por auditor independente. Caso a companhia tenha menos de três anos de existência, seus balanços deverão ter sido auditados desde o início da sua operação.
  • Deverá ter ou obter registro de companhia categoria “A” na CVM. A categoria “A” é a que permite a emissão de ações e debêntures.
  • Deverá ter conselho de administração e diretor estatutário de relações com investidores.
  • Deverá identificar o segmento de listagem e fazer a respectiva solicitação de listagem na B3.
  • Por fim, é preciso definir a estratégia do IPO e registrá-la na CVM.

Quais os passos para abrir o capital de uma empresa?

De forma geral, podemos identificar quatro passos básicos para a abertura de capital de uma empresa:

Preparação da companhia

Nessa fase, a empresa precisa criar uma equipe interna, com colaboradores dedicados exclusivamente ao IPO. Nesse sentido, o objetivo é fazer com que essa equipe atue na transformação da cultura organizacional em relação às novas práticas necessárias.

Em outras palavras, a partir do IPO, a vida da empresa muda completamente em termos de exposição e novas responsabilidades. Por isso, é preciso que seus funcionários estejam bem preparados para o maior rigor em termos legais de forma geral.

Com a equipe interna já atuando na governança corporativa, o próximo passo é atender às exigências externas. Geralmente, essa etapa do processo dura cerca de 10 semanas, e inicia com os seguintes passos:

  1. análise preliminar da conveniência da abertura de capital;
  2. escolha do auditor independente;
  3. seleção do coordenador líder.

Depois disso, finalmente a empresa definirá a sua estratégia e, também, quando será feita a oferta inicial.

Principais atores da fase de preparação

Os principais atores dessa fase são os seguintes:

Coordenadores da oferta

Os coordenadores da oferta são os bancos. Nesse sentido, eles são os responsáveis pelo marketing, distribuição e precificação do processo.

Assessores legais da empresa

Já os assessores legais elaboram toda a documentação de registro da companhia. Além disso, são responsáveis por negociar os termos da oferta.

Assessores legais dos coordenadores

Por sua vez, os assessores legais dos coordenadores elaboram os documentos de registros da oferta.

Auditores

Esses profissionais emitem o parecer de auditoria e a carta conforto para o IPO.

Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e bolsa de valores brasileira (B3)

Por fim, esses dois órgãos são responsáveis pelo registro, listagem e admissão à negociação da empresa. A liquidação da operação é realizada na B3.

Depois disso, finalmente a empresa definirá a sua estratégia e, também, quando será feita a oferta inicial.

Preparação da documentação e divulgação da oferta pública

Na fase de preparação da documentação e marketing da oferta é que inicia o desenvolvimento da tese de investimento. Nesse momento, para abrir o capital, a empresa prepara o prospecto com todos os documentos da oferta. Essa documentação inclui as demonstrações financeiras e o formulário de referência.

O formulário de referência é um documento obrigatório para todas as empresas de capital aberto. Esse documento deve ser enviado anualmente à CVM, e fica à disposição do público em geral. Nesse formulário consta a atividade da empresa, informações sobre gestão, estrutura de capital, fatores de risco, entre outros. Por isso, o formulário de referência é considerado uma ótima fonte de informações para investidores analisarem uma companhia.

Após enviada a documentação acima, começa o processo de due dilligence. Nessa fase, ocorre uma auditoria externa mais aprofundada da companhia. O objetivo é entender se a empresa cumpre todas as regras de compliance necessárias para que possa fazer o IPO. Caso seja encontrada alguma inconsistência, haverá tempo para corrigi-la antes da abertura de capital.

Depois de concluído o due dilligence, é o momento de a empresa protocolar o pedido de IPO junto à CVM. Simultaneamente a isso, também deve ser solicitada a listagem da companhia na bolsa brasileira, para que possa começar a negociar as suas ações.

Procura por investidores

Após concluídos os primeiros dois passos, é hora de começar a procura por investidores. Esse é o momento conhecido como road show, no qual a companhia apresentará o projeto do IPO.

Como o nome sugere, trata-se de diversos eventos realizados em sequência e em diferentes locais. Além de potenciais investidores, costumam participar do road show analistas de mercado e administradores de fundos de investimento. Isso porque esses players também terão importante papel na avaliação e apresentação da companhia para o público.

Depois de realizadas todas as reuniões, a companhia finalmente terá a sensibilidade sobre o que o mercado está disposto a pagar pelos seus títulos. Dessa forma, decidirá o preço das ações a serem negociadas no IPO.

Início das negociações da oferta pública

Por fim, é hora de, finalmente, iniciar a negociação das ações na bolsa. A partir do IPO, a empresa entra em uma nova fase, e começa a cumprir com todas as obrigações de uma companhia de capital aberto.

Conclusão

A abertura de capital de uma empresa pode trazer diversos benefícios para a atividade econômica como um todo. Para as companhias, é uma excelente alternativa de captar recursos mais baratos para o financiamento de suas atividades. Já para os investidores, trata-se de mais uma alternativa de diversificação da carteira com rentabilidade.

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