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Entenda a atual volatilidade do mercado financeiro

Parece que a volatilidade chegou de vez, não é mesmo?

Entenda a atual volatilidade do mercado financeiro
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E é nessa hora, meu amigo, que muito investidor com suposto perfil agressivo se transforma no maior dos conservadores. Entenda a atual volatilidade do mercado financeiro!

Deixando as brincadeiras de lado, vamos entender os motivos dessa volatilidade que fez o dólar bater a sua máxima dos últimos dois anos, os juros futuros marcarem a maior alta diária desde a delação da JBS e a bolsa mais sem direção que a minha querida mãe tentando usar a redes sociais.

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Bom, vamos entender a sequência de fatos que nos trouxe até aqui…

Dessa vez, nós e nosso atrapalhado governo somos meros coadjuvantes dessa novela global, onde o principal ator é um senhor do cabelo vermelho.

Donald Trump, presidente dos EUA, tem trazido volatilidade ao mundo com suas táticas de negociação herdadas do seu tempo de empresário.

Com ele na mesa, a história foi sempre a mesma, Trump é extremamente agressivo na primeira tratativa, para negociar, negociar, negociar e chegar a um meio termo.

É como aquela nossa velha expressão, “cão que ladra não morde”, a diferença é que o Trump morde um pouco.

Isso aconteceu quando declarou guerra contra a imigração ilegal dos mexicanos e também contra o terrismo.

Em outra ocasião, e talvez a que você se recorde mais, trocou palavras de carinho com o ditador norte coreano Kim Jong-un.

Se falava em terceira guerra mundial, o mercado ficou apreensivo, e o que aconteceu? As duas Coreias voltaram a conversar, o ditador norte coreano cruzou a fronteira com a Coreia do Sul pela primeira vez em 65 anos e os republicanos estão pedindo uma indicação de Trump ao Nobel da Paz.

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Mais recentemente, uma guerra comercial entre EUA e China foi invocada por Trump ao criar sanções e embargos a produtos importados.

Isso faz parte de uma das bandeiras da campanha de Trump, o “Americas First”, que visa fortalecer a indústria americana em detrimento a produtos importados.

O estopim foi a imposição de tarifas de 25% sobre a importação de aço e 10% sobre alumínio de diversos países, incluindo o Brasil.

Em retaliação a China impôs novas tarifas sobre 128 produtos dos EUA, incluindo a soja.

Para você ter uma ideia, o aço da china representa 2,9% da importação total de aço dos EUA, enquanto a China consome 1/3 de toda a soja do mundo e importou só no ano passado US$ 12 bilhões em soja dos EUA.

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Nessa queda de braço sem dúvidas a China tem mais a perder, pois sua economia depende muito mais das exportações, por outro lado os EUA também podem sofrer com uma pressão inflacionária por conta do aumento dos preços das matérias primas que naturalmente vai chegar ao consumidor final.

Esse é o primeiro ponto que devemos observar para justificar a volatilidade do mercado, com um aumento da inflação nos EUA, o Federal Reserve (Banco Central Americano), pode ser forçado a aumentar a taxa de juros de forma mais agressiva do que o mercado espera.

A inflação americana é a chave para entender tudo, pois se ela sobe, os juros sobem, fazendo com que o investimento em bonds do governo americano, que são como nossos títulos públicos aqui, paguem mais ao investidor, tornando o investimento nos EUA mais atrativo.

Se os bonds americanos, que são os mais seguros do mundo, começam a pagar mais, a renda variável tanto lá quanto aqui pode ser impactada pois os investidores começam a fazer contas para decidir se não é vantagem migrar para a renda fixa.

Esse movimento também fortaleceria a moeda americana frente as moedas globais, principalmente dos emergentes.

Nesse contexto temos duas coisas que podem acontecer no Brasil, primeiro pode haver fuga de capital daqui para a segurança dos bonds americanos, e segundo, uma valorização do dólar impactaria na nossa inflação, pois grande parte dos nossos bens de consumo são importados.

Por fim, chegamos ao mais recente capítulo, em que Trump retirou EUA do acordo nuclear com o Irã.

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Sem entrar no contexto político por trás do tratado, vamos direto ao que tange o impacto econômico.

Sem acordo com o Irã, que é membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), os EUA se colocam em posição de impor sanções comerciais ao nono maior exportador de petróleo do mundo, o que cria barreiras não só para empresas americanas, mas para empresas de todo o mundo que querem comprar petróleo do Irã.

Com isso o petróleo registrou a maior cotação dos últimos 4 anos, chegando a US$ 75,89.

Porque isso é tão importante? Simplesmente porque se o preço do petróleo sobe, automaticamente a gasolina e outros produtos combustíveis também são reajustados, o que acelera a inflação.

Se a inflação lá fora acelera, mais uma vez corre-se o risco de o Federal Reserve subir os juros de forma mais agressiva, e voltamos ao ciclo que expliquei anteriormente.

Além disso, todo o petróleo do mundo é cotado em dólar e quanto mais ele sobe, mais forte fica a moeda americana.

Ainda temos impactos diretos no Brasil, da mesma forma que lá, o aumento do petróleo eleva o preço dos combustíveis aqui e pressiona a inflação, e o impacto é duplo, pois a alta do dólar também tem esse feito.

Com inflação mais alta, nosso governo fica de mãos atadas e não consegue mais estimular a economia com cortes da SELIC tendo que encerrar o ciclo de expansão antes do previsto.

A grande questão é que nós já sabemos como Trump pensa, e a partir daí podemos julgar que esse movimento, apesar de já ter impactado de forma significativa o mercado, provavelmente seja suavizado em breve.

RESUMINDO…

Obviamente essas não são as únicas razões, mas de maneira simplista…

O dólar sobe em relação aos emergentes por questões geopolíticas, a alta do petróleo e o medo de que o FED tenha que elevar juros de maneira mais agressiva devido a uma inflação mais forte nos EUA.

Os juros futuros aqui no Brasil sobem, porque além do que citei acima, o petróleo alto e o dólar forte impactam diretamente na nossa inflação, trazendo incerteza sobre a atuação do Banco Central na política monetária.

E a bolsa segue sem direção, no curto prazo, pois em momentos de incerteza esses movimentos são totalmente normais, quando por um lado ela cai devido as preocupações citadas acima, por outro sobe, pois, a alta do petróleo também beneficia muito empresas de combustíveis, principalmente a Petrobras.

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Roberto Varaschin

Roberto Varaschin é um Colaborador do Portal EuQueroInvestir.

Contato: roberto.varaschin@euqueroinvestir.com

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