Engie (EGIE3) mantém investimentos de R$ 7 bilhões para 2020-2021

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação/Engie

Mesmo em meio à crise do coronavírus, a Engie (EGIE3) vai manter sua previsão de investimentos para 2020 e 2021. Segundo o diretor-presidente da empresa, Eduardo Sattamini, R$ 7 bilhões serão desembolsados até o fim do próximo ano. O objetivo é dar continuidade aos projetos de expansão da gigante do setor elétrico.

Pouco afetada pela crise, a Engie lucrou 98,7% a mais no segundo trimestre de 2020. O acumulado do semestre chegou a R$ 1,27 bilhão. Ou seja, aumento de 34,4% em relação aos seis primeiros meses de 2019.

De acordo com Sattamini, além do bom desempenho operacional e financeiro, a Engie respondeu muito bem e rapidamente à pandemia da Covid-19, buscando a saúde e segurança de todos e a garantia da operação dos ativos, além das suas atividades comerciais.

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“Nesse trimestre vendemos quantidade significativa de energia para entrega em anos futuros – cerca de 200MW entre 2024 e 2026. A crise causada pela Covid-19 e as medidas de isolamento social não afetaram significativamente a empresa porque boa parte de seus contratos são de longo prazo e estão sendo cumpridos pelas distribuidoras. No mercado livre, os contratos estão sendo respeitados, e os poucos problemas observados foram resolvidos por meio de negociação com os clientes, por exemplo com a postergação do vencimento de faturas”, afirma o diretor-presidente da Engie.

Mas a companhia colhe também os frutos do investimento em digitalização, que começou há quatro anos. Assim, a Engie pode alocar 70% do quadro trabalhando em home office.

Porém os outros 30% da equipe seguem trabalhando no campo, operando usinas, construindo estruturas e linhas de transmissão, realizando manutenções preventivas e garantindo o abastecimento de energia. “Pois hoje, mais do que nunca, o fornecimento de energia não pode parar”, afirma Sattamini.

Engie

 

Os porquês do bom desempenho

Segundo o presidente da Engie, a estratégia de forte investimento da companhia nos últimos anos, aproveitando a baixa alavancagem, começa a dar frutos.

Ele elenca quatro fatores para explicar o bom desempenho financeiro do primeiro semestre de 2020 da empresa.

  1. Aumento do volume de vendas – motivada majoritariamente pela geração de energia agregada pela entrada em operações do conjunto eólico de umburanas e da UTE Pampa Sul durante o ano de 2019;
  2. Elevação do preço médio líquido de venda, fruto do efeito inflacionário nos preços e novos contratos;
  3. Participação acionária na transportadora associada de gás S.A. (TAG), detentora da maior rede de transportadora de gás natural do Brasil. A participação foi adquirida no final do 2T19, com bons resultados no 2t20;
  4. Diminuição da taxa de inflação e juros com impactos positivos nas despesas financeiras.

 

Reflexos positivos da pandemia

Eduardo Sattamini adianta que, em função dos resultados apresentados até agora, “é de se esperar um forte resultado para 2020”.

“A Engie possui robusta posição de caixa para enfrentar a crise causada pela pandemia da Covid-19, aliada a sólido plano de contingência, mantendo assim alto nível de disponibilidade dos ativos. A companhia não possui problemas de liquidez financeira e está focada em minimizar os riscos entre seus funcionários e em suas operações”, diz ele.

Do ponto de vista dos clientes, a companhia conta com um portfólio de vendas balanceado para 2020. Assim, 49% do portfólio é comercializado diretamente com clientes livres. Outros 39% são comercializados com distribuidoras no ambiente regulado. Por fim, os outros 12% são comercializados com outras geradoras ou comercializadoras.

“No longo prazo, prevejo um reflexo positivo da pandemia. Fruto da racionalização de processos, ajustes de custos e da introdução de novas formas de trabalho que certamente melhorarão a atratividade da empresa para retenção de talentos”, afirma Sattamini.

Presidente da Engie, Eduardo Sattamini

 

Projetos de expansão da Engie

Os R$ 7 bilhões que a Engie prevê investir entre 2020 e 2021 serão, principalmente, para finalizar três grandes projetos.

São dois projetos de construção de linhas de transmissão. O primeiro é o Gralha Azul, no Paraná, que inclui 15 linhas de transmissão, com mil quilômetros de extensão. E o outro é o Novo Estado, para construção, operação e manutenção de 1.800 km de linhas de transmissão nos estados do Pará e Tocantins. Somente no Gralha Azul serão gerados cerca de 5 mil empregos.

Por fim, o terceiro grande projeto é a segunda fase do Projeto do Conjunto Eólico Campo Largo. Ele contempla 361,2 MW de capacidade instalada em 86 aerogeradores. Os parques eólicos estão em implantação no interior da Bahia, nos municípios de Umburanas e Sento Sé.

“Vamos manter os investimentos comprometidos para 2020 e 2021, que são importantes neste momento de crise para o Brasil gerar empregos e renda, bem como melhorar a qualidade e quantidade da oferta de energia, sobretudo oriunda de fontes renováveis. Mas esperamos ir além, iniciando a construção de mais um grande empreendimento, o Conjunto Eólico Santo Agostinho, no Rio Grande do Norte. Ele terá 434 MW de capacidade instalada”, afirma o presidente da Engie.