Engie (EGIE3): entenda por que o mercado está confiante com a empresa

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Engie (Instagram)

Maior empresa privada de energia do País, a Engie Brasil (EGIE3) está no seleto grupo de companhias de capital aberto que tem passado pela crise do coronavírus sem ver seus resultados abalados. A empresa, que tem 60 usinas espalhadas por todo o país e figura entre as melhores pagadoras de dividendos da B3, viu seu lucro líquido aumentar 98% no segundo trimestre.

Ainda assim, seus papéis acumulam queda de quase 20% no ano até outubro. No mercado, a avaliação é de que há espaço para valorização. Entre os motivos está a resiliência das empresas de energia, a manutenção dos planos de investimento e a melhora do ambiente regulatório, com a Lei do Risco Hidrológico e a nova Lei do Gás.

Neste artigo, vamos detalhar o negócio da Engie, suas estratégias, resultados e perspectivas para as ações.

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Histórico e atuação da Engie

A Engie Brasil Energia (EBE) atua na implantação e operação de geradoras de eletricidade. Além disso, é também um agente ativo na comercialização de energia. Segundo a empresa, cerca de 85% da capacidade instalada no País é proveniente de fontes limpas e renováveis .

Atualmente, opera com 60 usinas de geração de energia, sendo 11 hidrelétricas, 4 termelétricas e 45 pequenas centrais hidrelétricas, eólicas, solares e de biomassa. Nesse sentido, as usinas possuem capacidade instalada total de 10,4 mil MW, sendo que 8,7 mil são da própria Engie. Dessa forma, ela é a maior produtora privada de energia elétrica brasileira, e detém 6,3% da produção nacional.

A companhia, com sede em Florianópolis (SC), nasceu em 1998, quando a belga Tractebel (hoje Engie) a adquiriu em um leilão a Gerasul. Essa empresa de geração de energia era um braço da estatal Eletrosul.

Embora sua principal receita venha da geração de energia, nos últimos anos foram feitos importantes investimentos nos setores de transmissão e gás.

Nesse sentido, em 2017, a companhia ingressou na transmissão de energia. Logo após, em 2018, adquiriu os 50% remanescentes das ações da ENGIE Geração Solar Distribuída, e iniciou as operações de trading de energia.

No ano passado, a Engie entrou no segmento de gás natural brasileiro. Isso porque adquiriu participação na Transportadora Associada de Gás (TAG).

Com essa operação, a companhia passou a deter a malha de transporte de gás natural mais extensa do país. Ao todo, são 4.500 km que atravessam 10 estados e mais de 180 municípios.

Composição societária da Engie

A companhia é controlada pelo grupo franco belga ENGIE, que atua em cerca de 70 países. O conglomerado é líder mundial na produção independente de energia.

Por meio da subsidiária Engie Brasil Participações, o grupo detém quase 70% do capital social da Engie Brasil.

Áreas de atuação

Como vimos, a maior parte da receita da Engie vem da geração de energia. Além disso, há também um percentual considerável referente às operações de trading.

As outras fontes de receita são a transmissão, o transporte de gás e os painéis solares. Apesar de ainda não serem muito representativas, a Engie vem investindo consideravelmente nessas áreas nos últimos anos.

Resultados de 2020

No segundo trimestre de 2020, a Engie registrou um lucro líquido de R$ 765,8 milhões. Isso significa um aumento de 98,7% sobre igual período do ano passado. Conforme a Engie, os fatores que mais impactaram esse resultado foram o aumento do Ebitda e a redução das despesas financeiras no período.

Já o Ebitda aumentou em R$ 379,6 milhões entre o 2T20 e o 2T19, um crescimento de 36%. Dentre os principais motivos, estão o maior resultado da TAG e o aumento da receita de geração, transmissão, venda e trade de energia.

A receita líquida, no segundo trimestre, totalizou R$ 2,6 bilhões, um aumento de 23,4% em relação ao mesmo período de 2019. O destaque foi o aumento das receitas com vendas e transmissão.

As receitas financeiras totalizaram R$ 111 milhões. Isso corresponde a um aumento de 167% comparado ao mesmo trimestre de 2019.

Por outro lado, as despesas do período ficaram 16% abaixo do ano anterior. Segundo a empresa, a queda ocorreu, principalmente, por causa da variação monetária sobre dívidas e concessões a pagar.

Importante ressaltar que, no início de setembro, a Engie fechou um acordo de investimento com o Itaú Unibanco, que prevê um aporte de R$ 500 milhões na companhia. Os recursos, segundo a empresa, vão viabilizar a implantação de cerca de 1.800 quilômetros de linhas de transmissão nos estados do Pará e Tocantins.

De forma geral, o mercado se mostra otimista com o desempenho e com as perspectivas da empresa.

Durante a pandemia, a Engie tomou iniciativas para aumentar o seu caixa sem aumentar o endividamento. Desse modo, garante fôlego a sua atividade mesmo com a instabilidade atual da economia.

Além disso, mesmo com a crise do coronavírus, a companhia manteve a previsão de investimentos de R$ 7 bilhões para 2020 e 2021.

Finalmente, a política de distribuição de dividendos da empresa também é um bom atrativo para os seus papéis. Isso porque o dividendo mínimo estatutário é de 30% do lucro líquido ajustado, porém o compromisso da administração é de payout mínimo de 55% desse lucro.

Atualmente, as ações da Engie constam em 7 carteiras recomendadas para outubro.

Uma delas é a do Credit Suisse, que estima um potencial de valorização de 53% para os papéis da companhia. Além disso, o banco acredita que a empresa aumentará a rentabilidade entre 2020 e 2021. Por fim, reitera a recomendação pelo fato de ser uma ação defensiva (setor de energia) que paga bons dividendos.

Por sua vez, a Necton também recomenda a ação. Segundo a corretora, existem boas perspectivas de crescimento para a Engie, principalmente com as novas operações em transmissão e gás.

Por fim, os papéis da Engie também constam entre as recomendações da Ativa, Safra, Mirae, Planner e Elite para o mês de outubro.