Eneva (ENEV3) apresenta proposta ao BNDESPar pela AES Tietê (TIET11)

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / Eneva

A Eneva (ENEV3) apresentou nesta quinta-feira (23) ao BNDESPar proposta de uma potencial operação de combinação de negócios com a AES Tietê Energia (TIET11).

O BNDESPar abriu processo competitivo em 26 de junho de 2020 pela sua fatia na AES Tietê.

O BNDES Participações é o maior acionista da empresa paulista de energia, com 28,41% do capital total da companhia, sendo 14,4% em ações ordinárias e 37,5% de preferenciais.

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Caso a proposta da Eneva seja a escolhida pelo BNDESPar, a empresa se comprometeu em “submeter à administração da AES Tietê uma nova proposta de incorporação envolvendo as duas companhias”.

Relação de troca

O que a Eneva propõe é a troca implícita “correspondente a 0,06539522 novas ações ordinárias de emissão da Eneva para cada ação ordinária ou preferencial de emissão da AES Tietê ou de 0,32697609 por UNIT, totalizando 130.498.292 novas ações ordinárias de emissão da Eneva, mais uma parcela em dinheiro de R$ 727,890 milhões, equivalente a R$ 0,36 por cada ação ordinária ou preferencial ou R$ 1,82 por UNIT”.

Após o fechamento desta quinta-feira (23), cada UNIT da Tietê passou a valer R$ 17,11 e cada ação ordinária da Eneva, R$ 52,17.

Incorporação da AES Tietê

“A Relação de Troca a ser proposta”, informa a Eneva em nota, “contemplaria a atribuição de um prêmio de 10% sobre o valor de mercado das duas companhias na data de 23 de julho de 2020”.

A proposta formulada ao BNDESPar “fundamenta-se na convicção” da Eneva de que a combinação de negócios segue sendo uma operação “com méritos e com potencial de gerar significativos benefícios para os acionistas de ambas as companhias”.

“A união das duas companhias criaria uma plataforma eficiente de ativos de geração de energia, com grande diferencial competitivo”, segue a Eneva.

Segundo a proposta, isso “viabilizaria a ampliação da geração de receita e menor volatilidade do fluxo de caixa, além de oferecer um salto de governança corporativa para os acionistas da AES Tietê, que passariam a compor a base acionária de uma empresa maior e com mais liquidez”.

Resistência

De acordo com o colunista Lauro Jardim, de O Globo, a proposta encontrou resistência do grupo norte-americano AES, que possui 24,35% do capital total, mas controla a empresa por deter 61,6% das ações ordinárias, que dão direito a voto.

Segundo o jornalista, “a AES Tietê diz a interlocutores do mercado que está se preparando para a guerra. Motivo: não está disposta a aceitar, sem uma boa briga judicial, que a Eneva tente novamente fundir-se com a empresa”.

Analistas mostram ceticismo

Na avaliação de analistas, o BNDESPar não deve aceitar a proposta, porque não atenderia às suas expectativas com relação aos valores envolvidos. E a troca de ações, conforme propôs a Eneva, obrigaria o banco a depois de ter que realizar uma oferta subsequente para se desfazer dos papéis.

Além disso, hoje o BNDESPar deve receber proposta também da controladora da Tietê, a AES Corp, que pode ter um prêmio semelhante, de acordo com a Guide Investimentos.

Para a XP, falta clareza à proposta da Eneva, que vem tentando há algum tempo adquirir a companhia, com relação ao mérito estratégico e à geração de sinergias.