Energia elétrica deve aumentar e ser próxima vilã da inflação

Paulo Amaral
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Crédito: Equatorial Energia (EQTL3): vendas de energia crescem 3,2% no 2Tri20

Depois dos alimentos e dos combustíveis, a alta da energia elétrica deve ser a próxima vilã da inflação no Brasil. Segundo a TR Soluções, consultoria que acompanha de perto os reajustes das distribuidoras de energia, as tarifas devem subir, em média, 15,5% em 2021.

Uma reportagem da revista Veja apontou que, diferentemente do que ocorre com os combustíveis, cujos preços sofrem influência do mercado internacional, a energia elétrica está atrelada também a motivos da própria natureza.

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De acordo com a matéria, desde outubro do ano passado, as empresas que compram energia no mercado livre, sem os preços controlados pela Aneel, estão sofrendo mais.

Isso se deu por conta das chuvas, que começaram a ficar mais raras e, com isso, acarretaram uma queda no volume dos reservatórios. Segundo a reportagem, o menor nível pluviométrico da história foi registrado no período.

Menos chuvas, mais gastos

De acordo com a Abrace, sem capacidade de geração nas hidrelétricas, as usinas têm de acionar as termelétricas, que gastam mais. E a conta acaba sendo transferida para outros segmentos.

Em três meses, os encargos já teriam ultrapassado R$ 4 bilhões, recorde para o período e equivalente a um ano inteiro em situações normais.

Empresas ligadas a Associação dos Grandes Consumidores de Energia já avisaram que viram as contas subir 25% em janeiro.

“Somos hoje o país da energia barata e da conta cara”, comentou Paulo Pedrosa, presidente da Abrace.

Conta Covid deve chegar e explodir valor da energia elétrica

O sistema de bandeiras (amarela, verde e vermelha), que aumenta o preço da energia elétrica quando há escassez do produto, foi suspenso durante a maior parte da crise causada pela pandemia do novo coronavírus, mas deve voltar em breve.

Segundo a Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), o valor atual da Conta Covid está em R$ 3 bilhões, e logo terá de ser repassado aos consumidores, causando uma explosão no valor das contas.

“É uma conta acumulada que vem desde o ano passado e que vai ser paga agora”, diz o economista Eduardo Correia, da escola de negócios Insper. “E o reajuste se refletirá no preço de tudo, pois aumenta os custos de produção da economia em geral”, completou.

Tempestade perfeita e a inflação

A tempestade perfeita, como vem sendo chamada a grave situação da energia elétrica no País, deve fazer com que a inflação seja diretamente afetada.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve chegar perto dos 7% em junho, fator que já deixou o ministro da Economia, Paulo Guedes, preocupado.

Somam-se à essa tempestade perfeita outros ingredientes, como a alta da taxa Selic após seis meses sem qualquer alteração, os consecutivos aumentos dos combustíveis e o alto preço dos alimentos.

“A inflação não era uma preocupação, mas passou a ser”, resumiu Paulo Guedes.