Enauta (ENAT3) vê lucro líquido crescer 464,2% na base anual

José Azevedo
Jornalista especializado em economia.
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Crédito: Reprodução / Site / Enauta

A Enauta (ENAT3) lucrou de forma líquida no segundo trimestre de 2021 R$ 635,7 milhões, alta de 464,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. O valor é o maior lucro da história dessa companhia de óleo e gás.

Em parte, o avanço acompanhou a receita líquida, que cresceu 43,3% na mesma base, chegando a R$ 349,4 milhões. O maior faturamento foi impulsionado, principalmente, pela valorização do preço do Brent, que iniciou o segundo trimestre cotado a US$ 64,86 e terminou a US$ 75,13, e também do gás natural.

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Na parte de produção, houve um crescimento da produção de gás, que saiu de 288,3 mil equivalentes de barris para 897,7 mil. A produção de óleo, porém, retrocedeu de 1,14 milhão de barris para 664 mil.

Leia aqui o balanço na íntegra.

Enauta (ENAT3): Principais números do balanço

Lucro líquido

  • 2TRI21: R$ 635,7 milhões
  • 2TRI20: R$ 112,7 milhões

Receita líquida 

  • 2TRI21: R$ 349,4 milhões
  • 2TRI20: R$ 243,8 milhões

Ebitda 

  • 2TRI21: R$ 1,1 bilhão
  • 2TRI20: R$ 243,8 milhões

Manutenção derruba produção de óleo

A queda na produção de óleo aconteceu  por conta de manutenções realizadas no Campo de Atlanta, que o operou com menos poços – um durante abril e dois a partir de maio -, com uma troca definitiva de tubos dos aquecedores de óleo.

Apesar disso, a companhia espera aumentar a produção média até o fim do ano, após o fim das manutenções, com três poços funcionando a partir de agosto, e com o aumento de participação da Enauta nesse ativo.

A receita no campo de Atlanta, mesmo assim, avançou 2,9% na base anual, chegando a R$ 216,7 milhões – impulsionada, além de pelo preço do petróleo, com uma opção de hedge, que gerou R$ 49,8 milhões. No de Manati, o avanço da receita foi de 299,7%, chegando a R$ 132,7 milhões.

Custos da Enauta avançam

Os custos operacionais do Campo de Atlanta entre abril e junho foram de R$ 158,9 milhões, alta de 4,8% na base anual. No de Manati, o crescimento foi de 78,1%, ficando em R$ 48,4 milhões. Os custos de produção no primeiro, com a manutenção, caíram 3%. No segundo, eles aumentaram 93,5%, acompanhando a alta da produção.

Os gastos exploratórios totalizaram R$ 46,9 milhões, R$ 29,2 milhões acima do registrado no 2TRI20, com a provisão de devolução do Bloco CE-M-661, na Bacia do Ceará.

Despesas gerais e administrativas ficaram em R$ 22 milhões, crescendo 34,5%, principalmente pelo aumento da provisão para um bônus de participação dos lucros (PLR) dos funcionários.

Balanço é impulsionado por receita não-recorrente

A Enauta registrou receita operacional não-recorrente de R$ 838,3 milhões, que impulsionou o balanço. Desses, R$ 821,4 milhões referem-se ao valor justo da participação adicional de 50% no Campo de Atlanta, com a desistência da Barra Energia da sua participação no negócio, e R$ 10,7 milhões de acordo celebrado com a Dommo extinguindo litígios no mesmo campo.

O Ebitda da Enauta foi de R$ 1,06 bilhão, crescendo 241,7% na base anual.

O resultado financeiro foi positivo em R$ 26,6 milhões, com a variação cambial sobre contratos de arrendamento em moeda estrangeira e também com a atualização da Selic referente à exclusão do ICMS da base de PIS e COFINS.

Sem esses efeitos, talvez o número viesse um pouco pior. A Enauta registrou um aumento de 35,1% da sua dívida líquida total na base anual, chegando a R$ 1,84 bilhão.

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