Empresas da bolsa de valores também emitem renda fixa

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

O volume de pessoas físicas investindo na bolsa de valores só cresce no Brasil. Mas você sabia que muitas das empresas listadas em bolsa também emitem títulos de renda fixa?

Esse é o caso de nomes como Via Varejo, Sabesp, Vale, Natura, Lojas Americanas, entre outras.

Ou seja, se você gosta de uma empresa, comprar uma ação não é a única forma de investir nela. Você também pode comprar títulos de renda fixa. Na prática, é como se você estivesse emprestando seu dinheiro para a empresa financiar suas operações.

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Esta modalidade de investimento é conhecida como crédito privado ou crédito corporativo. A alternativa mais comum são as debêntures, mas também existem CRA, CRI e debêntures incentivadas.

Nomes da bolsa e da renda fixa

Antes de continuar, confira as principais empresas da bolsa que emitem renda fixa. A lista é grande:

AES Tietê (TIET3), Alliar (AALR3), Alupar (ALUP3), BR Foods (BRFS3), Cemig (CMIG3), Cielo (CIEL3), Copel (CPLE3), CPFL (CPFE3), ISA Cteep (TRPL3), Dasa (DASA3), Droga Raia (RADL3), EDP (ENBR3), Eletrobras (ELET3), Engie (EGIE3), Equatorial (EQTL3), Energisa (ENGI3), Fleury (FLRY3), Iguatemi (IGTA3), Klabin (KLBN4), Light (LIGT3), Localiza (RENT3), Lojas Americanas (LAME4), Marfrig (MRFG3), Minerva (BEEF3), Movida (MOVI3), Multiplan (MULT3), Natura (NTCO3), Petrobras (PETR4), Riachuelo (GuAR3), Sabesp (SBSP3), Aliansce Sonae (ALSC3), Sulamerica (SULA11), Taesa (TAEE3), Unipar (UNIP3), Vale (VALE3), Via Varejo (VVAR3) e Vivo (VIVO4).

Renda fixa com bons retornos

Com a queda da Selic, muita gente pensa que a única forma de ganhar dinheiro com aplicações financeiras é comprar ações. Isso explica, em partes, o crescimento da participação da pessoa física na bolsa de valores.

No entanto, o crédito privado é um setor da renda fixa que pode oferecer bons retornos.

Embora a Selic (CDI) esteja baixa, nem todos estes títulos remuneram pela Selic. Muitos são são híbridos e acompanham outros indicadores. Por exemplo, pagam a inflação mais um cupom (que é a parte prefixada).

En outras palavras, mesmo com a queda da Selic, a renda fixa não morreu. É justamente no mercado de crédito privado que ainda existem boas opções de renda fixa.

“Temos uma perspectiva de capturar alguns ativos no mercado de crédito com ótimo risco e que estão pagando uma rentabilidade real de 4% a 5%”, exemplifica Rodrigo Mendonça, da equipe de gestão de renda fixa crédito privado da Valora Investimentos.

Empresas da bolsa na renda fixa

Hoje em dia, as empresas da bolsa de valores estão cada vez mais presentes no menu da renda fixa.

É possível encontrar renda fixa de empresas da bolsa de diversos setores. Alguns exemplos são varejo, shoppings, celulose, saneamento, energia etc.

“A Energisa e a Natura, por exemplo, têm acessado o mercado de forma contínua nesses últimos anos”, destaca Mendonça.

E o mercado de crédito corporativo cresce a passos largos.

Em 2019, foram feitas no Brasil 362 emissões de debêntures, num montante de quase R$ 170 bilhões. Cinco anos antes, o volume anual não passava de R$ 70 bilhões, com 277 operações, segundo dados da Anbima.

Em 2020, com a crise, o volume no primeiro semestre foi de R$ 48,5 bilhões, com 134 operações.

Dois mercados, duas medidas

Um caso interessante de empresa da bolsa que emite renda fixa é a Via Varejo (VVAR3). A ação da companhia está no valor mais alto dos últimos cinco anos. Ao mesmo tempo, o crédito da empresa continua atrativo para os investidores.

A debênture de Via Varejo, com prazo de vencimento de um ano, está remunerando CDI+2,5%.

Ou seja, os investidores de crédito privado estão exigindo um prêmio um pouco mais elevado para os papéis da empresa. Já na bolsa, os investidores estão aceitando pagar caro pela ação.

A Lojas Americanas teve um movimento semelhante, de acordo com o executivo da Valora. “As ações se valorizaram bastante e o crédito continua atrativo, remunerando CDI+2,2% para o prazo de três anos”, destaca.

De acordo com o head de distribuição da gestora ARX Investimentos, Paulo Bokel, a atratividade do crédito privado levou alguns fundos de ações a comprarem dívidas durante a crise.

“Isso ocorreu pois o retorno desses títulos era maior do que o ROIC da companhia”, explica.

Risco menor na renda fixa

A principal diferença entre as ações e os títulos de renda fixa é o risco do investimento. Os títulos de crédito privado têm um risco menor que o merado acionário.

“Isso significa que na teoria, caso haja algum tipo de stress em uma companhia por exemplo, os detentores de sua dívida estarão no começo da fila, ou seja, serão privilegiados na distribuição dos recursos”, explica Mendonça.

Além disso, na renda fixa a data de vencimento dos papéis e o pagamento dos cupons são conhecidos antes da aplicação. Naturalmente, o mesmo não ocorre no mercado acionário, já que as ações oscilam ao sabor do mercado, de forma  imprevisível.

Por isso, o crédito privado é uma alternativa mais aderente para investidores com perfil moderado ou conservador.

Embora exista o risco de crédito, a previsibilidade do fluxo de caixa é maior. “Se o investidor selecionar bons ativos, a chance de ter o capital investido mais a taxa pactuada de volta é algo mais seguro”, diz Alvaro Azevedo, sócio da Vero Investimentos.

No mercado de crédito privado, alguns produtos, como por exemplo CRAs e CRIs, possuem isenção de imposto de renda para pessoa física, o que pode ser bastante atrativo para composição de carteira.

Uma questão de perfil

Para avaliar qual é a sua exposição ideal a papéis de crédito privado, o investidor deve conhecer o seu perfil de investimento.

As principais vantagens do crédito privado são a redução do risco e da volatildiade, trazendo uma rentabilidade interessante na ponta final, segundo o porta-voz da Valora.

“Esses benefícios podem ser colhidos por todos os perfis de investidores, do mais conservador até o mais arrojado. O grande segredo é balancear as concentrações de forma que o risco esteja adequado e aderente ao seu perfil, nunca concentrando todos os ovos em uma só cesta”, afirma.

O ideal é que o investidor tenha um pedaço de renda fixa, outro de renda variável, outro de Fundos Imobiliários e assim por diante.

Investir via fundos é uma opção

Além de comprar títulos de crédito privado de forma direta, também é possível investir por meio de fundos de crédito privado.

A vantagem é que o gestor do fundo desempenha um papel importante na análise de crédito e na liquidez dos papéis.

Outro ponto importante é que a maioria dos fundos possuem prazo de resgate pré-determinados, permitindo que a pessoa física possa se planejar caso precise resgatar suas cotas.

No entanto, os fundos de investimento têm a desvantagem de cobrar uma taxa de administração.

Segundo a Vero, está cada vez menos interessante o acesso via fundos de crédito. A taxa de administração vem caindo, mas ainda fica em torno de 0,5% a 1% ao ano, o que ficou bastante representativo com o CDI a 2,25%.

“Por isso, na Vero, preferimos comprar os títulos diretamente no momento”, explica. Para a pessoa física, uma forma de segura de tomar esta decisão é buscando aconselhamento profissional antes de investir.

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