Empresas chinesas ainda preferem Nova York, apesar da geopolítica

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / Pinterest

Enquanto a administração de Donald Trump tenta usar a China como catapulta para sua campanha, tendo o nacionalismo como forma de ser reeleger para a Casa Branca em 3 de novembro, muitas empresa chinesas olham para a Bolsa de Valores de Nova York (NYSE, na sigla em inglês) ainda como um alvo.

Não era para ser assim. Não com Trump no poder.

As empresas chinesas têm uma recepção fria nos Estados Unidos atualmente. Trump é um agressor implacável da China. É uma guerra quase pessoal.

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Seu governo tentou esmagar a Huawei, gigante das telecomunicações que pretende dominar o 5G mundo afora e tem sofrido vário revezes.

Ele tentou também banir o TikTok e o WeChat, dois aplicativos chineses populares em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Além disso, tentou expulsar as empresas chinesas listadas nas várias bolsas de valores americanas.

Muitas empresas chinesas que antes poderiam ter migrado para Nova York estão de olho no mercado de ações doméstico. Esse é o quadro.

Empresas chinesas em NYSE

Consultores da Deloitte, no acumulado de 2020, as novas empresas listadas em Hong Kong arrecadaram cerca de US$ 28 bilhões, dois terços a mais do que no mesmo período do ano passado.

É muito dinheiro. Mas muitas startups chinesas continuam a cobiçar as listagens americanas.

Em agosto, a KE Holdings, uma empresa imobiliária online que tem apoio do gigante japonês SoftBank, levantou US$ 2,1 bilhões.

A xPeng, fabricante de carros elétricos, mais uma que bate de frente com a Tesla, arrecadou US$ 1,5 bilhão.

A Lufax, uma fintech que em outubro abriu o capital na NYSE, pode levantar US$ 3 bilhões.

Ao todo, as empresas chinesas levantaram quase US$ 9 bilhões em ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) nos Estados Unidos desde janeiro e outros US$ 8 bilhões em vendas secundárias de ações.

O Goldman Sachs calcula que o dinheiro arrecadado com IPOs chineses na NYSE e na Nasdaq se sustentou durante a presidência de Trump.

O valor de mercado das listagens chinesas nos EUA agora ultrapassa US$ 1,6 trilhão.

Os investidores norte-americanos detêm quase um terço desse valor.

Ou seja, no discurso de apoio ao atual ocupante da Casa Branca, do nacionalismo exacerbado, não se sustenta.

O Goldman Sachs prevê um número recorde de anúncios chineses em Nova York este ano.

Dinheiro vermelho

A grande questão é por que as empresas chinesas migrariam para os EUA com esse ambiente aparentemente tóxico promovido pelo próprio presidente norte-americano?

Há uma explicação que pode ser simples.

De acordo com a Economist, Adam Lysenko, da empresa de pesquisa Rhodium Group, muitas vezes é mais fácil listar nas bolsas americanas do que na China, com seu regime regulatório mais restritivo.

No final das contas, tudo é dinheiro e tudo é custo.

Uma IPO no exterior também permite que as empresas asiáticas contornem os rígidos controles monetários da China.

Gary Rieschel, da empresa de capital de risco Qiming Ventures, afirma para a The Economist que abrir o capital em Nova York faz sentido para empresas chinesas que buscam expansão global.

Para startups de tecnologia em ascensão, em particular Wall Street, também representa um aval dos investidores mais sofisticados do mundo e acesso aos seus mercados de capital mais profundos e líquidos.

Os acionistas, por sua vez, ficam com uma fatia de suas ações mais lucrativas.

O que as empresas chinesas listadas na NYSE rendem é aproximadamente 50%, o dobro do índice S&P 500 só com empresas norte-americanas.

“Essas ações ‘vermelhas’ são simplesmente saborosas demais para que os investidores americanos”, diz a matéria da The Economist.

Ou seja, é um jogo ganha-ganha: se os investidores ganham, eles investem e as empresas ganham também..