Aéreas podem receber socorro de até R$ 8 bi do BNDES a partir de maio

Paulo Amaral
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Crédito: Credito: Rovena Rosa/agência Brasil

Um dos setores mais prejudicados em meio à pandemia de coronavírus foi o da aviação. O fechamento de fronteiras e a queda da demanda provocaram enormes prejuízos às empresas aéreas.

Para amenizar os efeitos da crise, o governo costura com bancos privados e com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), um socorro de até R$ 8 bilhões para as principais companhias brasileiras.

De acordo com uma reportagem publicada pela Reuters nesta sexta-feira (17), o tão esperado socorro deverá chegar às empresas aéreas a partir de maio.

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Azul, Gol e Latam, as três principais companhias do ramo no País, já teriam procurado o BNDES e recebido a garantia de que o setor está na frente dos demais para começar a receber o socorro financeiro.

As empresas estariam acumulando prejuízos na ordem de R$ 100 milhões ao dia por conta da pandemia de coronavírus e o auxílio teria que chegar o mais rápido possível para evitar uma crise sem volta nas principais expoentes do setor.

Segundo matéria publicada pela Folha de S.Paulo, o presidente da Azul Linhas Aéreas, John Rodgerson, cobrou do governo brasileiro a concessão de benefícios a exemplo daqueles dados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Não podemos ter desvantagem mundialmente só porque estamos no Brasil”, argumentou o executivo.

Governo não quer ser “dono” das empresas

A fonte do governo ouvida pela Reuters assegurou que não procedem as informações que circularam dando conta de que os bancos poderiam ficar com uma fatia da companhia, por meio de ações, caso as empresas aéreas não consigam pagar o empréstimo dentro do prazo estipulado.

“O governo está engajado em resolver o problema do setor aéreo. É o mais avançado e tende a ser o primeiro a ser beneficiado”, afirmou.

“Os bancos estão sendo chamados para sentar na mesa e negociar, mas ninguém quer ser dono de empresa, muito menos o governo”, complementou a fonte.

Latam registra queda de 37,9% na demanda de passageiros

O Grupo Latam Airlines, uma das empresas de transporte aéreo mundial, anunciou na segunda-feira (13), que tanto a demanda de passageiros quanto a oferta de assentos diminuíram em março, respectivamente, 37,9% e 27,5%.

No Brasil, demanda de passageiros registrou declínio de 19,4% na mesma base de comparação. Nos países de língua espanhola (SSC) caiu 34,3% e os voos internacionais caíram 46,5%.

Enquanto isso, a oferta de assentos da Latam no país caiu 8,1%. Nos voos internacionais o declínio foi de 36% e nos demais países 26,8%.

Gol prevê redução de 7% na demanda

A Gol divulgou dados preliminares sobre os resultados relativos ao primeiro trimestre de 2020. Os dados embutem apenas parcialmente os efeitos da pandemia de coronavírus, pois a piora no quadro se verificou apenas em março.

Ontem, a empresa reportou queda de 22,2% na oferta (ASK) e 29,7% na demanda (RPK) no mês passado.

A companhia estima que a margem Ebitda no trimestre ficará entre 44% e 46%, bem acima do primeiro trimestre do ano passado, quando ficou em 29,7%.

A demanda (RPK) por assentos deve ter uma redução de 7%, enquanto que a oferta (ASK) deve cair 4%.

Falta de garantias atrasa acerto

Uma outra reportagem, publicada nesta semana pelo site da Veja, apontou que o atraso na liberação do socorro financeiro às empresas aéreas aconteceu por falta de garantias sobre os pagamentos.

“A companhia aérea tem poucos ativos. Os aviões todos são arrendados. Ela não pode oferecer o avião como garantia porque o avião não é dela. Aquelas áreas aeroportuárias são todas alugadas do aeroporto. Por isso que a ideia de usar o FNAC como garantia pode destravar a aprovação do crédito”, opinou Francisco Lyra, presidente do Instituto Brasileiro de Aviação.

“Hoje, eu defendo que o governo flexibilize a norma para o uso do fundo como forma de oferecer as garantias exigidas pelo BNDES e destravar as negociações. O FNAC dispõe de 29 bilhões de reais. Ele foi constituído com o propósito de investimentos em infraestrutura e para a criação de sistemas de aviação no país, não para socorrer as companhias aéreas. Mas estamos diante de uma situação jamais vista”, completou.

As empresas aéreas esperam que a entrada dos bancos privados nas discussões ajude a destravar a liberação do socorro financeiro.

Os financiamentos seriam válidos por cinco anos, com juros de 6% ao ano, e um ano de carência. A taxa básica de juros está em 3,75% ao ano.

Ações em queda

Desde que a pandemia de coronavírus começou, há cerca de um mês, as ações das empresas aéreas brasileiras que são listadas em Bolsa (Gol e Azul) sofreram acentuada desvalorização.

Os papéis das aéreas perderam praticamente 75% de seu valor no período.

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