Empresas aéreas firmam acordo para ajuda financeira com o governo dos EUA

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Wikipedia

As principais operadoras aéreas dos EUA fecharam um acordo com Tesouro americano sobre as condições de um auxílio financeiro para evitar demissões e quebradeira no setor, que foi fortemente impactado pela pandemia de coronavírus. O governo federal comunicou o pacto nesta terça-feira (14).

O segmento de aviação norte-americano emprega mais 750 mil pessoas, conforme informou a reportagem da AFP.

O acordo foi fechado com dez empresas aéreas, entre elas a American Airlines, Delta Air Lines, United Airlines e Southwest, que tinham dúvidas em aceitar o auxílio do governo por medo de rigorosas contrapartidas, como uma possível estatização.

Donald Trump, presidente dos EUA, afirmou que o pacto mostra que “nossas companhias aéreas estão em boa forma e passarão por dificuldades que não foram causadas por elas”.

O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, declarou estar “trabalhando com operadoras para finalizar os acordos necessários e liberar os fundos o mais rápido possível”.

No final de março, o governo norte-americano anunciou um pacote de ajuda de U$ 2,2 trilhões para alívio econômico, sendo U$ 25 bilhões serão destinado às companhias aéreas.

O governo não divulgou as condições do pacto, mas, segundo fontes ouvidas pela AFP, o Estado pode se tornar acionista minoritário das operadoras aéreas.

Em nota, Mnuchin afirmou que o acordo “apoiará os trabalhadores americanos e ajudará a preservar a importância estratégica do setor de aviação, permitindo uma compensação adequada aos acionistas”.

Segundo American Airlines, United e Southwest, o pacto vai cobrir parte do pagamento e benefícios sociais de seus empregados até 30 de setembro.

A Southwest espera receber US$ 3,2 bilhões através do acordo, dos quais US$ 2,3 bilhões serão destinados à folha de pagamento de seus 60 mil funcionários, com o saldo sob a forma de um empréstimo com juros baixos a ser pago em 10 anos.

Para isso, a Southwest concederá ao governo cerca de 2,6 milhões em bônus de subscrição, ativos financeiros que podem ser convertidos em ações.

De acordo com fontes próximas às negociações, o Tesouro exigiu garantias de 10% sobre a ajuda destinada a cada companhia.

Ainda segundo fontes próximas as empresas aéreas deveriam restituir 30% do subsídio.

Além disso, as companhias aéreas passam a ter acesso de outros U$ 25 bilhões em empréstimos para retomar as atividades.

A American Airlines informou nesta semana que utilizará U$ 4,75 bilhões desse empréstimo.

Severamente impactado

As companhias aéreas Southwest e a American prometeram segurar as demissões e não cortar salários de seus funcionários até o fim de setembro, quando termina a ajuda governamental.

Também limitarão a remuneração de executivos, recompras de ações e pagamentos de proventos.

O coronavírus provocou o cancelamento aproximado de 80% dos voos das operadoras americanas, incluindo vários destinos internacionais.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo informou nesta terça-feira que a receita de passageiros deve recuar 55%, ou U$ 314 bilhões, em 2020.

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