Empresas adotam estratégias para garantir liquidez

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site dreamstime.com

Em meio ao acirramento da crise, algumas empresas estão adotando novas estratégias com o objetivo de reforçar o caixa.

Exemplo disso é o anúncio feito pela Petrobras (PETR-N2), na última sexta-feira (20), informando ter solicitado aos bancos o desembolso de suas linhas de crédito compromissadas (Revolving Credit Lines, em inglês), no montante de US$ 8 bilhões, em razão da “pandemia e do choque do petróleo”.

Reforço de caixa

Ao adiantar que “outras medidas para o reforço do fluxo de caixa estão em avaliação”, a companhia cita a “redução adicional de custos e a otimização do capital de giro”.

O informe da estatal destaca, ainda, como pilares para o combate à crise: maximização do retorno sobre o capital, redução do custo de capital, busca incessante por custos baixos, meritocracia e respeito às pessoas, meio ambiente e segurança, a serem “perseguidos com ainda mais foco”.

Novos créditos

Na mesma direção, o Iguatemi (IGTA3) também informou na quinta-feira (19) ao mercado, por meio de seu conselho de administração, a contratação de R$ 360 milhões em créditos a favor da companhia.

Desse total, R$ 100 milhões virão de empréstimos internacionais junto ao banco Santander Cayman, com 18 meses de duração.

Já o restante é proveniente de créditos imobiliários junto ao Banco Itaú Unibanco (ITUB4), com prazo de negociação de 12 meses.

Comunicado

A Unidas (LCAM3), por sua vez, comunicou aos seus acionistas e ao mercado, também nesta sexta-feira, a contratação de empréstimo que totaliza R$ 252,4 milhões, com vencimento em 2024, ao custo de CDI + 0,82%.

Também nesse caso, o objetivo é reforçar o caixa de forma a garantir “o curso normal da empresa, conforme à sua política interna de “manter uma robusta liquidez em patamares confortáveis, sobretudo em cenários de incertezas como o atual”.

Capital de giro

Na turbulência atual, o que vai definir a sobrevivência das empresas é a disponibilidade de capital de giro, acentua a consultora e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Virene Matesco, ao comentar as iniciativas das empresas, no sentido de se manterem “vivas” no mercado.

A respeito das empresas citadas por essa reportagem, a professora da FGV lembra que estas são líderes de mercado, o que “aciona toda uma cadeia empresarial”.

Gargalo

“Essa decisão é positiva no curto prazo, mas depois é que vamos ver como ficará, o impacto da elevação do grau de endividamento sobre a atividade no longo prazo”, adianta.

Para a consultora da FGV, “a recessão prevista pode ser amenizada, caso as empresas busquem crédito ou financiamento para capital de giro, que é o grande ‘gargalo’ de curto prazo”.

Futuro melhor

“Eu acredito num futuro melhor e isso vai passar”. Esse é recado, segundo Virene,  que as empresas citadas estão passando ao mercado.

“De forma distinta da crise de 2008, “as empresas estão vivenciando um desespero de curto prazo, mas que conseguem ver no horizonte que a pandemia vai passar e tudo vai continuar”, arremata.

PIB incerto

As projeções para o PIB este ano, porém, vão depender, segundo a consultora, do prolongamento ou não da pandemia do Covid-19.

“Se a crise aqui se passar no prazo de dois a três meses, a exemplo do que ocorreu em outros países, poderemos comemorar um crescimento de 1% no final do ano, mas se isso se arrastar, colheremos um resultado certamente negativo”, explica.

Heterogeneidade

Ainda sobre a pandemia, Virene, contudo, não esconde a preocupação com a composição heterogênea da população brasileira, em que os mais pobres não possuem condições mínimas de sanidade, ao contrário de países europeus ou nos Estados Unidos.

“Vemos, a todo instante na tevê, pessoas que não têm nem sabão ou água para limpar as mãos. Então, como esse vírus vai se propagar entre as pessoas de baixa renda?”, questiona.

Ela conclui afirmando que a América Latina deverá sofrer mais com a pandemia, devido à sua heterogeneidade.