Empresa de processamento diz que EUA correm risco de escassez de carnes

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Unsplash

O presidente do conselho da Tyson Foods, gigante do setor de processamento de carnes dos EUA, fez um alerta nesta segunda (27).

Os supermercados do país correm o risco de sofrer escassez de carnes bovinas, suínas e de brancos, disse John Tyson, de acordo com o portal G1.

A maioria dos frigoríficos americanos foi fechada em razão da disseminação do novo coronavírus. O surto afetou centenas de funcionários, que deixaram de trabalhar, obrigando as unidades da empresa a interromper a produção e distribuição.

Descarte

Toneladas de produtos serão descartados, informa Tyson. Segundo o G1, o presidente da empresa declarou que a cadeia de oferta de alimentos está se rompendo”.

A Tyson Foods fechou temporariamente duas das maiores unidades de processamento de carnes, de porco e de boi, nos estados de Iowa e Indiana.

A doença não afetou somente a Tyson Fodds. A JBS USA e a Smithfield Foods, informa o G1, também tiveram de interromper produção e fechar fábricas.

Treze funcionários das empresas do setor morreram infectados pelo Covid-19. Mais de 5 mil funcionários das fábricas de processamentos de carnes foram expostos ao vírus e tiveram de parar de trabalhar, lembra  G1.

Por esse motivo, supermercados nos EUA já estão recebendo quantidades limitadas de carnes, lembra John Foods.

O descarte de alimentos também é motivo de preocupação da empresa.

“Milhões de toneladas de carnes desaparecerão da cadeia de suprimentos”, adverte o presidente da Tyson Foods. “Serão descartados porque não temos como processá-los e comercializar esses produtos por causa dos fechamentos dos frigoríficos.”

Redução na China

Segundo maior mercado importador de carne bovina do mundo, a China reduziu drasticamente a demanda em abril por conta da pandemia de coronavírus.

A Agência Reuters informou no último dia 13 que a redução acentuada já é sentida nos negócios nas redes chinesas de restaurantes de ensopado e churrascarias.

Um exemplo citado foi o restaurante Jinyuan Fucheng Beef Hotpot. De acordo com a Reuters, a casa tem capacidade para 800 pessoas e vivia cheia, mas, atualmente, não consegue preencher nem 20 mesas por dia.

“Agora, a procura está “muito fraca”, disse um comerciante de uma estatal que compra do Brasil, Argentina e Uruguai e que está encomendando cerca de 30% dos níveis do ano passado”.

Crescimento em 2019

O mercado de carne bovina cresceu muito no ano passado, bem antes de a pandemia de coronavírus ter início no país asiático e se espalhar pelo planeta.

As importações do produto chegaram a 1,7 milhão de toneladas, 60% a mais do que o número registrado em 2018.

Deste montante, segundo a Reuters, 70% foi consumido em restaurantes distribuídos pelo território chinês.

A China passou a apostar mais na importação de carne bovina após a epidemia de febre suína detectada em agosto de 2018 reduzir o rebanho suíno do país em cerca de 50%.

Vendas cresceram no fim de março

A queda brusca nas vendas chegou a causar algum espanto. Segundo a própria Reuters, na última semana de março a China havia voltado a apostar alto na importação de carne bovina do Brasil, mesmo com a pandemia de coronavírus a todo vapor.

“Os chineses voltaram a comprar com mais intensidade, voltaram a fazer pedidos (maiores). Os preços não são os mesmos do fim do ano passado, mas são bons preços e com esse (patamar de) câmbio ajuda muito”, disse uma fonte à agência.

Segundo a fonte da exportadora, a recente retomada de pedidos da China se devia aos sinais de arrefecimento do coronavírus no país asiático, e ao recuo nos níveis de estoques locais.

À época, a Scot Consultoria divulgou um boletim em que comentou a retomada de compras: “Com a China indicando a volta à rotina interrompida com a epidemia, a exportação de carne deverá continuar a ajudar no escoamento da produção”.

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