Fenabrave: emplacamento de veículos novos cai 64% em abril

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

A Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores (Fenabrave) divulgou nesta segunda-feira (4) dados do comércio automotivo em abril. O levantamento aponta queda de 64,04% do número de emplacamento de veículos em relação a março, de 249.392 para 89.692. De fevereiro para março, o mercado já vinha em queda de 15,02%.

Todo emplacamento origina a emissão de uma nota fiscal de venda, de modo que esse dado reflete o músculo do mercado, seja em vendas diretas corporativas, seja em vendas no varejo.

Os números podem piorar se comparados com abril de 2019. Nesse caso, há uma queda de 73,57%, passando de 339.388 para os atuais 89.692.

No acumulado do ano, comparado com o mesmo período de 2019, a queda foi de 25,17%, saindo de 1.244.086 no ano passado, para 930.918 em 2020.

Emplacamento por segmento

Todos os segmentos apresentaram queda, em qualquer comparativo.

Os automóveis leves despencaram 69,91% comparando-se abril com março, saindo de 131.249 veículos para 39.498; menos 79,11%, comparando-se com abril de 2019, quando foram vendidos 189.076 carros; e tiveram queda de 28,49% no acumulado do ano até aqui, passando de 685.813 para 490.431 veículos.

Veículos comerciais leves seguiram mesmo padrão, só com quedas: 51,69% (março para abril), 63,17% (abril de 2019) e 19,05% (acumulado do ano, comparando-se com o acumulado no mesmo período em 2019).

Caminhões também mostraram quedas significativas: 40,02% (março para abril), 53,93% (em relação a abril de 2019) e 19,19% (acumulado do ano).

Vendas de motos caíram ainda mais: 62,52% (de março para abril), 69,74% (de abril de 2019 para abril de 2020) e 21,85% (no comparativo entre os acumulados dos quatro primeiros meses de 2019 e 2020).

Participação de mercado

Na venda de automóveis, contando vendas apenas de abril, a GM segue na liderança com 21,23% de participação de mercado; com Volkswagen com 14,19%, Hyundai (10,78%), Renault (9,70%), Fiat (9,22%), Ford (8,53%), Toyota (7,67%), Jeep (5,73%), Honda (3,80%) e Nissan (3,11).

Já no segmento de comerciais leves, apenas em abril, a Fiat tem maior fatia, com 32,56%, seguida de Toyota (14,85%), Volkswagen (14,03%), GM (13,67%), Ford (9,03%), Nissan (4,22%), Mitsubishi (3,64%), Renault (3,42%), Hyundai (1,34%) e Peugeot (0,79%).

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Impacto do novo coronavírus

Em nota, a Fenabrave diz que os “fabricantes de veículos buscam linhas de crédito para quitar as dívidas de quase R$ 50 bilhões e preservar o caixa após queda de 81% nas vendas em abril. Entre as estratégias para a retomada dos negócios estão comércio digital, financiamentos subsidiados e reabertura de concessionárias”.

A federação estima que, na indústria automotiva, o novo coronavírus mantenha as linhas de produção “praticamente paradas e as dívidas das montadoras com os bancos, que somam quase R$ 50 bilhões, podem dobrar de valor até o fim da pandemia. O cenário desafiador ameaça também quem depende da boa saúde financeira do setor para sobreviver, casos das fabricantes e lojas de autopeças e das concessionárias. São cerca de 7 mil empresas ao todo que empregam 1,3 milhão de pessoas”.

“É fundamental que a cadeia de pagamentos não quebre. No momento em que a montadora não paga o seu fornecedor e o fornecedor não paga o seu próprio fornecedor, as empresas começam a falir, um problema de liquidez se transforma em um problema de solvência e o retorno se torna mais difícil”, dise o presidente da General Motors (GM) na América do Sul, Carlos Zarlenga.

A disciplina financeira será essencial para pagar as dívidas, uma vez que as montadoras não terão o suporte das matrizes, também impactadas e sem dinheiro, alerta a Fenabrave.

Queda também nos investimentos

O dólar também é um vilão da atual situação. A R$ 5,554 (valor de segunda-feira, 4), “haverá ajustes de preços dos veículos, movimento já atestado em abril”, diz a Fenabrave.

“A queda nas vendas afeta o caixa e limita o poder de investimentos. A GM previa injetar R$ 10 bilhões entre 2020 e 2024 nas plantas paulistas de São Caetano do Sul e São José dos Campos, plano que será adiado – a empresa também opera em Gravataí (RS), Joinville (SC), Mogi das Cruzes (SP), Indaiatuba (SP) e Sorocaba (SP)”, exemplifica.

O presidente da Fiat Chrysler para a América Latina, Antonio Filosa, acredita que “serão necessários três anos para o mercado brasileiro voltar aos níveis pré-pandemia”. A empresa havia programado R$ 16 bilhões em investimentos até 2024.

Empregos

Por fim, a federação informa que Luiz Carlos Moraes, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), “tem conversado com representantes do governo, dos bancos e das companhias em busca de linhas de crédito para o setor”.

Ele diz que 43 das 63 fábricas distribuídas pelo Brasil seguem paradas também para preservar a saúde dos 125 mil colaboradores e que já são discutidas medidas para a retomada das atividades, com toda atenção voltada à preservação das condições recomendadas de trabalho: “a saúde do colaborador é prioridade de todos os presidentes das montadoras. E também discutimos o que é possível fazer para estimular o consumidor a voltar a comprar alguma coisa em um futuro próximo”.

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