Embraer (EMBR3): tráfego voltará ao nível pré-pandemia apenas em 2024

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Divulgação/Embraer

A Embraer (EMBR3) divulgou nesta quarta-feira (02) o Embraer Market Outlook 2020. O documento analisa a demanda de passageiros por viagens aéreas e novas entregas de aeronaves para os próximos 10 anos. Os destaques vão para o segmento de produtos da Embraer, aeronaves de até 150 assentos. 

Conforme o relatório, a empresa identifica tendências emergentes que vão influenciar no crescimento do setor. Estes fatores definem as futuras frotas de companhias aéreas e as regiões do mundo que vão liderar a demanda por aviões comerciais.

Crescimento do Tráfego

De acordo com a companhia, o tráfego global de passageiros (RPKs, na sigla em inglês) retornará aos níveis de 2019 somente em 2024. E ainda deve ficar 19% abaixo do volume previsto pela Embraer ao longo da década, até 2029. O RPK é medido por passageiros pagantes transportados por quilômetro.

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Os RPKs na Ásia-Pacífico estão projetados para crescer mais rápido, com aumento de 3,4% ao ano.

Entregas de jatos

A Embraer pretende entregar 4.420 novos jatos de até 150 assentos até 2029. Conforme a empresa, 75% das entregas substituirão aeronaves antigas e 25% representarão o crescimento do mercado. Além disso, a maior parte das entregas será para companhias aéreas da América do Norte (1.520 unidades), China e Ásia-Pacífico (1.220 unidades).

Entregas de Turboélices

Por fim, a Embraer quer entregar 1.080 novos turboélices até 2029. A maior parte das entregas será para companhias aéreas da China e Ásia-Pacífico (490 unidades) e Europa (190 unidades).

Pontos principais

A avaliação da companhia é que a pandemia está causando mudanças fundamentais no mercado que vão redefinir os padrões de viagens aéreas. Além disso, haverá mudança na demanda por novas aeronaves. 

De acordo com o documento, existem quatro pontos importantes sobre as previsões. Em primeiro lugar, o redimensionamento da frota. A tendência é de aeronaves de menor capacidade, porém mais versáteis para atender à baixa demanda.

Em seguida, regionalização. Empresas que buscam proteger suas cadeias de suprimentos contra choques externos vão alocar os negócios regionalmente, gerando novos fluxos de tráfego.

E o comportamento do passageiro também vai mudar. A preferência por voos de curta distância e descentralização de escritórios de grandes centros urbanos exigirá redes aéreas mais diversificadas. Por fim, também se ressalta a importância de aeronaves mais eficientes e sustentáveis para o meio ambiente.

“O impacto de curto prazo da pandemia global tem implicações de longo prazo na demanda por novas aeronaves”, disse Arjan Meijer, Presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial. “Nossa previsão reflete algumas das tendências que já estamos observando.”

De acordo com Meijer, fatores como a aposentadoria antecipada de aeronaves mais antigas e menos eficientes já é atual. Assim como a preferência de aeronaves com até 150 assentos, que, conforme ele, serão essenciais para rápida recuperação da indústria.

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