Embraer (EMBR3) discute com bancos internacionais propostas de financiamento

Marcelo Hailer Sanchez
Jornalista, Doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisador em Inanna (NIP-PUC-SP). Trabalhei nas redações do Mix Brasil, Revista Junior, Revista A Capa e Revista Fórum. Também tenho trabalhos publicados no Observatório da Imprensa e revista Caros Amigos. Sou co-autor do livro "O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente" (AnnaBlume).
1

Crédito: Wikipedia

Questionada pela B3 (Bolsa de valores) o motivo pelo qual não tornou pública a informação de que estaria em tratativas sobre financiamentos com bancos privados e estatais, a Embraer emitiu comunicado onde confirmou as conversas com instituições privadas e públicas e alegou que, por não haver alteração no quadro acionário, não viu necessidade de reportar as negociações.

No comunicado, a Embraer informa que há tratativa com o “BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento e Econômico e Social) e alguns bancos privados, no Brasil e no exterior” e que está sendo discutidas “algumas propostas de financiamento, principalmente uma voltada para financiamento ao capital de giro para exportações (BNDES Pré-Embarque), que não altera o atual quadro acionário da Companhia, provendo capital de giro, reforço de capital e possibilitando a melhoria do perfil do endividamento”.

A Companhia também relata que “outras linhas de financiamento alternativas, incluindo conversíveis, estão sendo estudadas com a assessoria de bancos privados e podem vir a ser utilizadas caso a empresa entenda que seja necessário”.

Embraer pode perder fôlego na competição global

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Oscar Malvessi, professor de Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), disse que, apesar de sua tecnologia, a Embraer “não tem cacife para evoluir em um mercado com dois gigantes como Boeing e Airbus”.

Sobre novas parcerias, Malvessi acredita que a Embraer, antes de uma nova tratativa com algum potencial parceiro, a empresa deve “reabsorver a divisão que foi segregada como parte do acordo desfeito pela companhia americana (Boeing) e encolher, para se recuperar dos gastos com a operação que não foi consumada e dos efeitos da pandemia”.

Mudanças no conselho

A Embraer informou que dois membros do Conselho de Administração da companhia pediram renúncia. Sergio Eraldo, que era vice-presidente do colegiado, e Israel Vainboim estavam no colegiado desde 2009 e coordenavam também o Comitê de Auditoria, Riscos e Ética e de Estratégia, respectivamente.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Segundo a companhia, eles tinham permanecido na empresa para auxiliar nas negociações com a Boeing e agora, com a suspensão do negócio pela gigante norte-americana, decidiram sair. Eles ficam apenas até o dia 18 de maio.

A Embraer irá indicar substitutos ao conselho, mas já definiu os nomes dos conselheiros que ocuparão os comitês: Raul Calfat (Estratégia) e João Cox Neto (Auditoria, Riscos e Ética). Maria Letícia de Freitas Costa coordenará o comitê de Pessoas e Governança.

Também pediu renúncia ao cargo o conselheiro eleito pela União José Magno Araújo, em razão de sua aposentadoria. O seu suplente, Jeferson Domingues de Freitas, assumiu o posto desde 1º de maio.

Mansueto diz que situação da Embraer não é frágil

Em entrevista à consultoria Arko Advice, o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou desconhecer a informação de aporte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à Embraer, informa o Valor.

Almeida também ressaltou que, a Embraer é uma empresa privada desde a década de 1990 e classificou como “equivocadas” informações de que a empresa está em uma fase ruim, para o secretário do Tesouro Nacional “a Embraer está em uma fase muito boa”.

Sobre as quedas de ações da empresa, almeida afirmou que elas fazem parte do contexto atual, onde todas as empresas do setor aéreo sofreram perdas por conta da crise gerada pela pandemia.

O secretário do Tesouro Nacional também afirmou que o fim do acordo entre a Embraer e a Boeing não coloca a empresa em uma situação “frágil” e que, o fato de tal acordo não ter dado certo não muda a “perspectiva de uma empresa como a Embraer”.

Capitalização

As propostas para capitalização da Embraer pelo BNDES irão seguir o modelo de outros aportes em avaliação elo banco, informa o Valor Econômico.

De acordo com levantamento feito pelo Valor, há uma negociação para que a empresa receba US$ 1 bilhão. Cabe destacar que a revelação dessa operação fez com que as ações da empresa despencassem mais de 10% no pregão desta segunda-feira (4).

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, trata-se de uma operação sindicalizada, com a participação de bancos privados e empréstimos de longo prazo, debêntures conversíveis e emissão de derivativos com bônus de subscrição.

O banco estatal já deu início a tratativas com Itaú, Bradesco e Santander, que demonstraram interesse.

Acordo bilionário

Com o rompimento do acordo bilionário entre Embraer (EMBR3) e Boeing (BOEI34) novas medidas deverão ser tomadas para tentar minimizar os impactos do fracasso comercial.

A Embraer alega que a Boeing produziu falsas alegações para evitar o pagamento de US$ 4,2 bilhões previsto na operação.

Segundo o Valor Econômico, só com a cisão da unidade de aviação comercial, a companhia já desembolsou R$ 485 milhões no ano passado. O caso deverá parar na Justiça por iniciativa da Embraer.

O acordo avaliava a Embraer em US$ 5,3 bilhões.

Sem a operação, há incertezas sobre o futuro das duas empresas.

A Boeing se beneficiaria com a ampliação do portfólio e a oferta de jatos regionais. Já a estatal brasileira ganharia força para enfrentar a concorrência.