Embraer (EMBR3) ajusta níveis de produção com fim de acordo

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Facebook Embraer

Segundo a Reuters, a Embraer (EMBR3) se prepara para ajustar os seus níveis de produção e as despesas de capital para poupar recursos após o fim do acordo de 4,2 bilhões de dólares com a Boeing.

“Estamos tomando medidas adicionais para preservar nossa liquidez e manter nossas finanças sólidas durante esses tempos turbulentos”, afirmou a empresa em comunicado.

A Embraer afirma que terminou 2019 com uma “sólida posição de caixa”. E que não possui “dívida significativa” pelos próximos dois anos.

Ajustes de estoque, extensão dos ciclos de pagamento e busca de financiamento estão também entre as medidas que serão adotadas.

Boeing desiste do acordo

A Boeing anunciou neste sábado (25) que encerrou suas tratativas de acordo para compra da área de jatos comerciais da Embraer, por US$ 4,2 bilhões.

Segundo o comunicado da fabricante de aeronaves americana, a companhia exerceu seu direito de rescisão depois que a Embraer não satisfez as condições necessárias. No entanto, não especificou quais seriam tais condições.

“A Boeing trabalhou diligentemente ao longo de mais de dois anos para finalizar sua transação com a Embraer. Nos últimos meses, tivemos negociações produtivas, mas sem sucesso, sobre condições insatisfatórias do MTA (Master Transaction Agreement). Todos pretendíamos resolvê-los até a data inicial de término, mas não o fizemos”, afirmou Marc Allen, presidente da Embraer.

Embraer vai alegar quebra de contrato

Em comunicado, a Embraer afirmou que a Boeing rescindiu “indevidamente” o acordo. E que estuda tentar uma nova negociação. Se obtiver outra negativa, irá tomar as medidas judiciais cabíveis contra a Boeing para ser ressarcida pelos danos sofridos com o cancelamento do acordo.

Para a empresa, a Boeing demonstrou falta de vontade para concluir a transação. Isto devido à sua má condição financeira e a problemas de reputação.

Recentemente, a Boeing enfrentou problemas com o modelo 737 MAX, em dois acidentes fatais. Também vinha apresentando diversos problemas financeiros, decorrentes da pandemia de coronavírus.

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