Embraer (EMBR3) e Boeing estudam prorrogar operação; ação cai 3,5%

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: Reprodução/Facebook Embraer

A Embraer (EMBR3) e a Boeing estudam prorrogar o prazo para a consumação da operação da parte de jatos comerciais da brasileira pela americana.

Segundo comunicado ao mercado enviado pela  Embraer nesta terça-feira (21), as duas fabricantes mantêm em suas discussões a prorrogação da data limite inicial, conforme previsto no Master Transaction Agreement (MTA).

Originalmente, o acordo global da operação tinha data limite de 24 de abril deste ano.

“A consumação da Operação permanece sujeita à aprovação pela Comissão Europeia e à satisfação de outras condições. Não há garantias quanto à prorrogação da data limite inicial, à consumação da operação e ao prazo em que ela seria consumada”, acrescentou a Embraer.

Às 11h33, as ações da Embraer figuravam entre as maiores quedas do Ibovespa, recuando 3,59%, a R$ 8,87.

Boeing acordos

Em meio à crise no setor aéreo causada pela pandemia do Covid-19, a Boeing vem recebendo pedidos de cancelamentos de fabricação.

Dia 14 de abril, a Gol (GOLL4) anunciou um acordo com Boeing em relação ao 737 MAX.

O acordo prevê a compensação em dinheiro e alterações em pedidos futuros e pagamentos associados. A companhia não informou os valores da operação.

Além da Gol, outros clientes cancelaram pedidos da aeronave 737 MAX, totalizando 150 cancelamentos em março, o maior número em décadas, informou a Boeing.

A companhia norte-americana já enfrentava queda na demanda, após a morte de 346 pessoas em dois acidentes envolvendo a aeronave 737 MAX.

As medidas restritivas por causa do coronavírus promoveram o declínio acentuado na demanda de seus clientes.

Embraer estratégica

Greg Smith, vice-presidente financeiro da Boeing, disse à Reuters no dia 24 de março, que a compra do controle da divisão comercial da Embraer (EMBR3) segue estrategicamente relevante para empresa.

“Como você sabe, estamos no meio do processo de aprovação regulatória e portanto continuamos a monitorar isso e trabalhar de perto com a equipe da Embraer”, disse Smith.

“Estrategicamente, ainda é uma grande parceria e temos que superar os obstáculos regulatórios e vamos ver quanto tempo isso levará. Ainda é uma prioridade para nós”, acrescentou o executivo à Reuters.

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Em relatório, a Guide avalia a notícia como “marginalmente negativa”.

Segundo os especialistas, as incertezas quanto à empresa seguem altas, em meio a propagação do coronavírus e os impactos no setor aéreo.

“O adiamento da operação com a Boeing deverá refletir em incertezas quanto ao futuro da companhia por ainda mais tempo”, escreveram.

Segundo análise divulgada pelo jornal O Estado de S.Paulo, o cenário para a fabricante americana “deixou de ser o acordo e passou a ser a própria sobrevivência”, de acordo com fontes.

A americana já indicou que a indústria aeroespacial precisará de US$ 60 bilhões do governo americano para sobreviver à crise.

Entre os entraves, apontados por analistas consultados pelo Estado, está a capacidade de a empresa pagar os US$ 4,2 bilhões pelos quais o acordo foi fechado.

Adicionalmente, o valor do contrato, fechado em julho de 2018, ocorreu no momento em que a Embraer valia R$ 19,8 bilhões em valor de mercado.

Atualmente, a fabricante brasileira vale mais de 60% a menos, avaliada em pouco R$ 7,3 bilhões.

EMBR3 vs Ibovespa em um ano

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Fonte: TradingView