Em Nova York, Vale (VALE3) denuncia fraude de US$ 500 milhões em joint venture mal-sucedida

Marcelo Hailer Sanchez
Jornalista, Doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisador em Inanna (NIP-PUC-SP). Trabalhei nas redações do Mix Brasil, Revista Junior, Revista A Capa e Revista Fórum. Também tenho trabalhos publicados no Observatório da Imprensa e revista Caros Amigos. Sou co-autor do livro "O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente" (AnnaBlume).
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Crédito: Divulgação / O Petróleo

A Vale (VALE3) está exigindo informações de um dos maiores nomes do mercado imobiliário de Nova York, ao tentar recuperar um investimento de US$ 500 milhões em um projeto de minério de ferro na Guiné, que fracassou. De acordo com o jornal Financial Times, a decisão da mineradora brasileira marca o mais recente desenvolvimento de uma antiga disputa entre a Vale e a família Beny Steinmetz, um magnata israelense de diamantes.

O FT afirma ter tido acesso as intimações feitas por parte da Vale sobre os magnatas Aby Rosen e René Benko, e o desenvolvedor de imóveis de Nova York, Ziel Feldman. A mineradora alega que US$ 500 milhões foram obtidos de maneira “fraudulenta”, em 2010, pela BSG Resources, empresa de mineração da família Steinmetz, para uma joint venture de minério de ferro na Guiné que, posteriormente, foi investida em ativos imobiliários de Nova York.

Simandou

A disputa da Vale com Steinmetz remonta a 2010, quando a mineradora brasileira concordou em comprar uma participação de 51% nos ativos da BSGR, na Guiné. O acordo incluía dois blocos de Simandou (mina localizada no Sul de Guiné), um dos maiores depósitos inexplorados de minério de ferro do setor siderúrgico.

Porém, o empreendimento conjunto para desenvolver os ativos foi, posteriormente, retirado de sua licença depois que o governo da Guiné, em 2014, concluiu que os direitos de exploração da Simandou e outra concessão de mineração haviam sido obtidos por meio de suborno. Após esta decisão do governo da Guiné, a Vale iniciou uma ação legal contra a BSGR.

Tribunal de arbitragem

No ano passado a BSGR foi condenada a pagar à Vale mais de US$ 2 bilhões por um tribunal de arbitragem de Londres, depois que foi descoberto deturpações fraudulentas sobre a join venture. Os danos concedidos à Vale se referem a um pagamento inicial de US$ 500 milhões à BSGR e outros US$ 746 milhões investidos na Guiné, acrescidos de juros e custos.

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Steinmetz e cinco executivos da BSGR foram atingidos por uma ordem de congelamento de ativos obtidos pela Vale. As intimações de Nova York marcam a mais recente tentativa da Vale aplicar a sentença arbitral. Steinmetz e BSGR negam as acusações de suborno.

A Vale não quis comentar a respeito com o Financial Times.