Petrobras “monitora mercado” e não comenta reajuste de preços

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação

A Petrobras emitiu nota, nesta sexta (3), para se posicionar a respeito da crise internacional após a ofensiva americana no Iraque e a ação que matou o general iraniano Qassem Soleimani no aeroporto de Bagdá. Em meio a rumores sobre alta no preço do combustível, a estatal preferiu não se manifestar sobre o tema.

A nota informa que, “em função dos últimos acontecimentos ocorridos no Oriente Médio”, a Petrobras segue com o “processo de monitoramento do mercado internacional”.

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Práticas de precificação

A Petrobras fez apenas essa ponderação: “A companhia ressalta que, de acordo com suas práticas de precificação vigentes, não há periodicidade pré-definida para a aplicação de reajustes.”

A nota conclui sem especificar se a estatal irá reajustar ou não os preços dos combustíveis:  “A empresa seguirá acompanhando o mercado e decidirá oportunamente sobre os próximos ajustes nos preços.”

Estatal aguarda por comportamento do mercado

A Petrobras não cogita, por enquanto, reajustar o preço dos combustíveis em meio à crise provocada pelo ataque dos EUA ao líder militar iraniano Qassem Soleimani, em Bagdá. De acordo com a Folha, em sua edição online nesta sexta (3), a estatal aguarda que o marcado se acalme antes de tomar decisão por um eventual aumento.

De acordo com apuração da Folha, a Petrobras adotará a mesma estratégia utilizada quando refinarias na Arábia Saudita foi atacada em setembro de 2019. Naquele mês, lembra a reportagem do jornal, a empresa aguardou dois dias para estabelecer aumento no preço dos combustíveis. Então subiu o valor da gasolina em 3,5% e o do diesel, em 4,2%.

Último aumento

A Petrobras aumentou o preço da gasolina nas refinarias em 4% pela última vez em 27 de novembro. Foi a segunda alta em pouco mais de uma semana.

Com o aumento, o combustível atingiu R$ 1,91 por litro. O preço do diesel foi mantido estável.

No dia 19 de novembro, a empresa já tinha feito reajuste de 2,7% no preço da gasolina. O diesel também subiu na ocasião, 1,2%.

Ainda é cedo para calcular o impacto do reajuste para o consumidor final, já que depende das margens dos revendedores e distribuidores, misturas de biocombustíveis e impostos.

Momento da empresa

O reajuste ocorre em meio a período em que a empresa opera com contratos de arrendamento de suas fábricas. A emprsa anunciou na última quinta-feira (21) contratos de arrendamentos das suas fábricas de fertilizantes, no Sergipe (Fafen-SE) e na Bahia (FAFEN-BA), com a empresa Proquigel Quimíca, integrante do Grupo Unigel.

Os contratos têm um período de dez anos, com prorrogação pelo mesmo período, no valor de R$ 177 milhões.

Contratos futuros

Os contratos futuros do petróleo subiram 3% no início da tarde de sexta, justamente após a confirmação do ataque que vitimou o general iraniano Qassim Suleimani.

A Petrobras, até o momento, não se pronunciou especificamente sobre o assunto, mas é sabido que a empresa acumulou prejuízos recentemente ao não repassar para o mercado interno os aumentos do petróleo fora do País.

O presidente Jair Bolsonaro admitiu que vai discutir o assunto com a equipe econômica e com o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno.

Sem tabelamento

Bolsonaro tinha dito, na manhã desta sexta, que a ação dos EUA causará impacto e o provável aumento dos já elevados preços dos combustíveis. O presidente alertou que não pretende implantar qualquer tipo de tabelamento, mas que não permitirá aumentos abusivos.