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Em entrevista, Goldfajn aponta que excesso de otimismo no Brasil é um risco

O presidente da entidade monetária brasileira ainda explica que a ideia é buscar reformas e aumentar a flexibilidade da economia.

Há algum tempo, alguns setores da sociedade doméstica e diversos analistas estrangeiros do mercado financeiro têm avisado que o Brasil passa por uma fase de otimismo em excesso. Contudo, recentemente, esse alerta foi dado por um membro do próprio governo.

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Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em entrevista coletiva. (Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Trata-se de Ilan Goldfajn, atual presidente do Banco Central (BC), que deve deixar o cargo no mês de março. Em entrevista ao jornal suíço Le Temps, o próprio executivo avaliou que as expectativas com relação ao país se encontram em um patamar muito alto.

Em sua fala, Goldfajn cita como um dos maiores desafios do novo governo a implantação das medidas anunciadas e a satisfação do eleitorado.

Nesta semana, o presidente do BC irá participar de uma série de reuniões e palestras pela Europa. Em sua entrevista ao jornal com sede em Genebra, apontou que o mais relevante para o Brasil neste momento é colocar em prática algumas ações de política econômica que sejam mais confiáveis, pois o ambiente fiscal no país ainda continua frágil. Para ele, o sucesso também depende da determinação do novo governo em percorrer todo longo o caminho necessário para a realização de uma reforma.

Durante sua entrevista, Goldfajn também explicou que deixará a presidência do Banco Central por motivos pessoais e que irá trabalhar em “outros setores” (apesar de não deixar claro quais setores são esses). Ele também reafirmou o seu compromisso em se manter no cargo até a confirmação da nomeação de seu sucessor pelo Senado Federal. O nome desse sucessor já foi divulgado pelo novo governo. Trata-se de Roberto Campos Neto, que trabalha atualmente para o banco Santander.

Acerca da transição, Goldfajn recomendou a seu sucessor que continue realizando um trabalho voltado para a “limpeza” da economia. Em suas palavras: “o mercado precisa continuar visualizando a continuidade da política monetária e das reformas estruturais”.

O atual presidente do Banco Central também aponta que a taxa de inflação está sob controle no Brasil e que assim deve continuar ao longo dos próximos anos. O nível baixo da taxa de inflação é, segundo ele, um bom estímulo para a atividade no país.

Ainda no que tange à economia, Goldfajn lembrou de que o Brasil passou por uma forte recessão em 2015, mas previu que o ano de 2019 será o segundo ano em que o PIB (Produto Interno Bruto) entra em recuperação. Para ele, o crescimento de 1,3% em 2018 foi considerado fraco, mas que o crescimento esperado é de 2,5% em 2019.

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Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ao ser questionado acerca da necessidade da realização de um “tratamento de choque”, assim como pediu o presidente Jair Bolsonaro para a economia, Goldfajn argumenta que a principal ideia é alcançar as reformas e, também, aumentar a flexibilidade da economia brasileira. Segundo o presidente do BC, uma vez que o novo governo consiga colocar as contas do país em ordem, consequentemente a economia irá se tornar mais produtiva. Ele também aponta que os mercados são favoráveis a ações como a liberação da economia, a redução dos gastos públicos, as privatizações e, acima de tudo, da visibilidade e confiança.

Em sua avaliação, Goldfajn acredita que o ano de 2018 foi bastante complicado para os países emergentes. Isso por conta de vários processos que acabaram alimentando a inflação desses países, mas que, em seguida, acabaram provocando um movimento oposto. “Diversos países [emergentes] perceberam uma desaceleração do crescimento ao longo do ano passado. Já outros países, como Brasil, Índia e Indonésia tiveram que proteger os seus mercados”. Para ele, o que manteve o Brasil em um curso de crescimento foram as reformas feitas ao longo de 2018.

Acerca dos “medos” levantados pelo novo governo, Goldfajn explica que o mais importante nesse momento é por em prática uma política monetária confiável, uma vez que o ambiente fiscal do país permanece frágil.

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Crédito da imagem: Agência Reuters/Ueslei Marcelino

O presidente da autoridade monetária mostra que a autonomia da instituição é uma das condições para que o sistema monetário se mantenha em equilíbrio, logo, está assegurada. Para ele, apesar de o Ministério da Fazenda ter as suas próprias prioridades, que são diferentes das do BC, o momento é de sinais positivos para os investidores.

Goldfajn também alerta para o fato de que a credibilidade da autoridade monetária pode ser colocada em jogo quando se questiona a sua independência. Isso porque os mercados precisam saber que os bancos centrais contam com a possibilidade de agir de forma independente quando a situação assim exigir. Logo, para ele, as autoridades monetárias são consideradas o último recurso no caso da instauração de uma crise financeira e econômica, pois contam com as ferramentas necessárias para agir.

Em sua entrevista, Goldfajn ainda diz ter “certeza” de que as recentes medidas tomadas pelo governo argentino, isso por meio da colaboração com o FMI, ainda produzirão frutos ao longo de 2019. Acerca da Venezuela, o presidente da autoridade monetária ainda apontou que cabe aos próprios venezuelanos encontrar uma forma de resolver os problemas que ocorrem no país. Ele ainda aponta que a economia do país vizinho ainda é muito pequena para contagiar os demais países do continente.

Fonte da notícia: Portal Infomoney

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Késia Rodrigues - Colaboradora Independente

Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por literatura, viagens, tecnologia e finanças.

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