IPO da Elfa (ELFA3): distribuidora de medicamentos quer acelerar aquisições

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

Com trinta anos de atuação no mercado da saúde, a Elfa Medicamentos (ELFA3) planeja fazer sua estreia na bolsa ainda neste ano. A empresa é responsável pela distribuição de medicamentos, produtos médicos e hospitalares de alta complexidade produzidos por mais de 400 fabricantes.

Com investimento em tecnologia e um grande apetite por comprar concorrentes e outras empresas do setor de saúde, a Elfa quer usar os recursos do IPO para expandir seu negócio e a base de clientes. Parte dos recursos levantados serão destinados aos acionistas, entre eles, o fundo de private equity Pátria.

A tese da empresa é de que esse crescimento virá, principalmente, do envelhecimento da população brasileira. A estimativa é de que nas próximas três décadas,  cerca de 20% da população estará com mais de 65 anos de idade. Assim, a longo prazo, as estratégias da Elfa contemplam atender cada vez mais essa fatia do mercado.

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A história da Elfa

Criada em 1989, a Elfa Medicamentos se tornou em três décadas de atuação um dos principais provedores de soluções e serviços de saúde no Brasil.

A história da empresa começou na Paraíba, mais especificamente no quarto de um dos filhos do fundador da empresa, que servia de estoque para medicamentos. O nome da companhia vem também das iniciais de seu criador: Edalmo Leite Fernandes de Assis. Há 30 anos, ele largou o emprego como representante comercial de indústria para empreender no ramo da saúde.

Aos poucos, a Elfa deixou de ser uma empresa familiar para profissionalizar suas operações. Em 1995 inaugurou a primeira filial para implementar os serviços prestados pela marca e por 13 anos atuou no segmento de medicamentos especiais. Em 2002 inaugurou a Prescrita, empresa que a colocaria no mercado de varejo em um novo modelo de negócios.

No ano de 2007 foi inaugurada a unidade de Brasília e, em 2008, a de São Paulo. Juntas, elas incrementaram ainda mais as operações da empresa e deram mais autonomia para aumentar a rede de distribuição.

Mas o processo de profissionalização do grupo se consolidou mesmo entre 2011 e 2015. Nesse período, foi implementada uma nova estrutura organizacional, com  diretorias específicas para a gestão de pessoas e compliance.

Aquisições e incorporações

A Elfa entrou nos últimos anos num ritmo de crescimento via aquisições. Foram sete ao todo. “Nossa estratégia de expansão incluiu e continuará a incluir a aquisição de outros participantes do mercado”, afirmou a companhia no prospecto preliminar da oferta.

Em 2016, a Elfa comprou a Jaw, uma empresa focada no mercado de distribuição de medicamentos e materiais hospitalares localizada nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Em 2017, foi a vez da Cristal Pharma e Ciência Medicamentos serem incorporadas. A empresa originária de Belo Horizonte, especializada em comércio e distribuição de medicamentos genéricos para Minas e Bahia fortaleceu a marca e aumentou o mix de produtos.

Em 2018 ocorreu a aquisição da Majela Medicamentos, uma das mais importantes distribuidoras de medicamentos do Nordeste do Brasil.

E, em 2019, foram duas novas as aquisições: a Ágilfarma, farmácia especializada em medicamentos especiais como fertilidade, oncologia e hormônios de crescimento, que atua nas cidades de Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba; e o Grupo CDM, distribuidora especializada em medicamentos genéricos com Operação Logística de Distribuição Seletiva.

As compras não pararam. Só neste ano, a Elfa adquiriu Salus Latam Holding, a Comercial Mostaert, a Fenergy Comércio de Produtos Médico Hospitalares e a Surya Dental Comércio de Produtos Odontológicos e Farmacêuticos.

Com base de clientes sendo hospitais e clínicas, hoje a Elfa tem 11,4% do market share.

Estratégia de negócios

Hoje, o grupo tem um total de cinco marcas: Elfa, Majela Medicamentos, Cristal Pharma, Prescrita Medicamentos, Afilfarma, Grupo CDM, Medcom e Jaw. São seis unidades de negócio e 20 centros de distribuição espalhados por sete estados.

“Nosso posicionamento estratégico com alcance e escala em todo o território nacional nos capacita a oferecer soluções completas e ágeis aos nossos clientes, realizando entregas de emergência em poucas horas nos locais em que temos centros de distribuição e entregas convencionais em até 24 horas”, explica a empresa no prospecto preliminar.

A atuação da Elfa é dividida em três áreas:

  • Medicamentos: o grupo vende e distribui medicamentos éticos e genéricos dos maiores laboratórios do mundo, contando com 120 parceiros comerciais que atende mais de 3200 clientes em todo o país. São mais de 1500 itens distribuídos;
  • Materiais: comercialização e distribuição de grandes marcas de materiais médicos hospitalares e uma vasta linha de produtos descartáveis;
  • Serviços: serviços personalizados de logística hospitalar. A Elfa faz o gerenciamento completo de todo o estoque dos clientes para que eles possam ter mais tempo para focar no core business do seu negócio.

O Grupo Elfa também tem investido em inovação para atender às demandas da indústria 4.0.  Um exemplo foi a primeira entrega de medicamentos feita por meio de um drone, em 2019. Agora o grupo estuda os tipos de medicamentos que poderão ser transportados por drones. A expectativa é que o modal esteja em operação em até três anos, fazendo entregas em clínicas e hospitais.

 Alguns números da empresa

  • A Elfa reportou um lucro líquido de R$ 39,5 milhões em 2019, ante R$ 60,5 milhões em 2018.
  • O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado totalizou R$ 104,7 milhões em 2019. Valor maior do que os  R$ 78,5 milhões de 2018 e os R$ 54,4 milhões de 2017;
  • A margem Ebitda foi de 5,7% no ano passado, contra 5% em 2018;
  • A receita líquida foi de R$ 1,8 bilhão em 2019. Ou seja, houve um aumento em relação aos outros anos: R$ 1,5 bilhão (2018) e R$ 1,07 bilhão (2017);
  • A empresa encerrou 2019 com uma dívida líquida de R$ 199,3 milhões.

 O IPO da Elfa

O pedido de IPO da Elfa foi protocolado no dia 13 de agosto. A empresa quer participar do Novo Mercado da B3.  Mas ainda não há detalhes sobre prazos e valores do IPO.

A oferta será primária (recursos para o caixa da empresa) e secundária (quando os acionistas vendem parte das participações). Os coordenadores são o Banco Santander, o Itaú BBA , o BTG Pactual, a XP Investimentos  e o Morgan Stanley.

O público alvo da oferta são investidores não institucionais e institucionais, nacionais e internacionais.

O capital social da empresa é de R$ 834,5 milhões, dividido em 465.694.714 ações ordinárias.

Os principais acionistas são os fundos geridos pelo Pátria, com 86,33%; JMV, com 4,29%; acionistas da Medcom, com 6,2%; e os fundadores da Elfa, com 3,16%.

Segundo a Elfa Medicamentos, os recursos levantados por meio do IPO serão direcionados para aquisições de empresas do seu setor de atuação; reforço de estrutura de capital e liquidez.