Eletrobras (ELET6) quer permanecer com ativos nucleares após a privatização

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Reprodução / MTE

O presidente da Eletrobras (ELET6), Wilson Ferreira Junior, participou nesta sexta-feira (2) do Encontro Nacional dos Agentes do Setor Elétrico (Enase), promovido pelo Canal Energia.

As informações são da Broadcast.

Ele demonstrou o interesse em continuar com uma participação nos ativos de energia nuclear após a privatização da companhia.

O projeto de lei da privatização está em tramitação no Congresso Nacional.

“Não tenha dúvida. A Eletronuclear era uma empresa que estava com muitas dificuldades e fizemos tudo o que tinha que ser feito para deixar a empresa na condição que está agora”, afirmou o executivo.

Angra 3

Conforme o executivo, o conselho de administração da estatal federal capitalizou as dívidas que a Eletronuclear tinha com a Eletrobras. Isso ocorreu há pouco mais de um mês.

“As duas usinas, Angra 1 e 2, estão entre as dez nucleares com maior nível de disponibilidade no mundo nos últimos dois anos. Essas duas usinas produzem R$ 1,2 bilhão de Ebitda por ano”, afirmou Ferreira Junior.

“Já é uma operação viável e, com Angra 3, fica extremamente viável”, acrescentou.

De acordo com a Broadcast, o grande desafio da Eletronuclear é a conclusão das obras de Angra 3, hoje paralisadas.

Ferreira Junior lembrou que o Conselho de Administração da Eletrobras aprovou um programa de aceleração do caminho crítico.

A previsão é de que haja conclusão das obras até 2026.

“Estamos investindo em torno de R$ 3,5 bilhões nos próximos 18 meses. Vamos chegar com 70% das obras concluídas, quando faremos uma licitação internacional de um EPC para concluir de forma definitiva a obra”, afirmou.

Privatização

A publicação da medida provisória (MP) nº 998/20, também em tramitação no Congresso Nacional, traz mais segurança jurídica para a construção de Angra 3.

Portanto, a MP possibilitou a estruturação financeira do empreendimento para a sua conclusão.

Entre as propostas contidas no texto estão a concessão de uma outorga de autorização para a usina, o estabelecimento de critérios para a definição do preço de energia, a assinatura de um novo contrato para a comercialização, a previsão de cláusulas de reajuste e revisão extraordinária, entre outros pontos.

“Angra 3 é uma obra possível, é uma obra viável e uma obra financiável”, afirmou Ferreira Junior.

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) fixou em R$ 480/MWh o preço de referência da energia da usina. A decisão foi feita em 2018.

Entretanto, a Eletrobras anunciou recentemente que a União deve comprar 25,5% do capital total da Eletronuclear.

A participação equivale a 51% das ações ordinárias, assumindo o controle acionário da empresa.

Afinal, como a exploração da atividade nuclear é monopólio da União, a Eletrobras privatizada não poderia ter o controle acionário da Eletronuclear.

“Nos debates anteriores, a forma de você fazer a retomada de Angra 3 era atrair um investidor privado. Ele já vai lá estar sentado, que é a Eletrobras”, disse. 

“Com esses aperfeiçoamentos da MP 998, que dá segurança aos PPAs (contratos) da companhia e as condições tarifárias, é perfeito.

Acreditamos muito no projeto. Temos condições de ser o investidor privado”, argumentou.

Capitalização

Ferreira Junior disse não ter preocupação com os ajustes. A discussão com Senado vem desde o início do ano, assim como com os ministros Bento Albuquerque e Paulo Guedes.

“O governo agiu em criar condições e mostrar disponibilidade de seguir em um debate positivo da agenda para que seja finalmente colocada em solução”, acrescentou.

Contudo, evitou citar prazo para apresentação dos ajustes, sugerindo que a questão tenderia a ser tratada após as eleições municipais.

O executivo reforçou a possibilidade do tema passar a avançar primeiramente no Senado, e então na Câmara.

Isso afasta a suposição de que o tema teria que ser obrigatoriamente apreciado inicialmente pelos deputados.

“Existe, tanto em uma Casa como na outra, uma consciência crítica que pode iniciar processo e ser complementado na outra Casa. Aquela que puder iniciar com mais brevidade é melhor. A outra se preocupa em complementar projeto no que for necessário para que seja aprovado”, afirmou.

Por fim, Ferreira Junior reiterou sua visão de que seria possível efetivar a operação de aumento de capital no segundo semestre do ano que vem. “Podemos fazer no segundo semestre (de 2021) com absoluta tranquilidade, se a gente tiver a aprovação no primeiro semestre”, disse.

Informou que a empresa precisa de aproximadamente 120 a 150 dias para realizar a capitalização. Isto seria por conta do tamanho da companhia e o fato de se planejar uma operação no Brasil e no exterior.