Eletrobras (ELET6) posterga envio de relatório anual à SEC

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Divulgação/Eletrobras

A Eletrobras (ELET6) informou, nesta quinta-feira (30), que a SEC “CVM dos EUA” estendeu o prazo para arquivamento do relatório anual da companhia referente ao ano passado.

Isso porque a implementação das medidas de restritivas recomendadas pelas autoridades de saúde, resultou na paralisação de algumas atividades da companhia, provocando atrasos.

A Eletrobras espera arquivar seu relatório anual no dia 11 de maio de 2020, mas o prazo máximo concedido pela SEC é até 14 de junho de 2020.

A companhia acrescenta que seus negócios podem ser impactados adversamente pela pandemia de coronavírus.

Geração

Em resposta a pandemia muitos estados brasileiros declararam períodos de quarentena que resultaram no fechamento prolongado de locais de trabalho e atividade comercial reduzida, o que provavelmente terá um efeito adverso relevante na economia do país.

O Banco Central estima que o PIB brasileiro deverá contrair cerca de 3,3%. Levando em consideração, a correlação entre crescimento do PIB e consumo de energia elétrica, a revisão para baixo dessa estimativa, indicaria uma possível redução no consumo de energia em alguns setores, como o industrial e o comercial.

Segundo a Eletrobras sua receita de geração é proveniente de negócios realizados no Mercado Regulado (incluindo as usinas sob regime de cotas), no Mercado Livre e no mercado de curto prazo, no qual as diferenças entre os valores gerados, contratados e consumidos são liquidados. Assim, com a redução da atividade econômica, casos de inadimplência de nossas contrapartes podem vir a ocorrer.

Sendo assim, uma eventual inadimplência dos consumidores junto às distribuidoras pode fazer com que estas empresas suspendam ou atrasem seus pagamentos às nossas geradoras, o que, por sua vez, poderia gerar descasamentos em nosso fluxo de caixa.

Uma possível redução das receitas da Eletrobras, poderia levar a companhia a registrar impairment, principalmente no caso de SPEs que vendem quantidades significativas de energia no Mercado Livre. Outros fatores que podem contribuir para o registro de prejuízo são o aumento de determinados custos (especialmente aqueles indexados em moeda estrangeira) e/ou possíveis dificuldades com fornecedores de materiais.

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Além disso, a companhia espera baixa liquidez no mercado de comercialização de energia, o que pode resultar em transações menos favoráveis ou desfavoráveis. Os leilões futuros de energia também podem ser adiados por tempo indeterminado, dependendo da determinação do Ministério de Minas e Energia -MME.

Transmissão

No segmento de transmissão, as receitas da Eletrobras são derivadas de tarifas definidas pela ANEEL (RAP), estabelecidas no momento do leilão de concessão, com revisões periódicas definidas em regulamentos específicos.

Dessa forma, a companhia não enxerga impactos significativos nas receitas de seus ativos de transmissão por causa do coronavírus. Isso porque estão relacionadas à disponibilidade dos ativos no Sistema Interligado, e não ao fluxo de energia transmitida.

Mas, a Eletrobras não descarta a possibilidade aumento da inadimplência no segmento de transmissão.

Além disso, como alguns de seus projetos de transmissão estão em fase de construção, a companhia pode sofrer com atrasos em obras em virtude de paralisação ou da realocação de equipes nestes empreendimentos.

Segundo a Eletrobras, restrições dessa natureza ainda podem fazer com projetos sofram atrasos, podendo levar à atrasos no recebimento de suprimentos na conexão do serviço elétrico a novos clientes e o adiamento das atividades de manutenção em nossa infraestrutura.

Por fim, a companhia disse que n”ão podemos prever quais políticas ou ações o governo brasileiro poderá adotar no futuro como resposta à pandemia do COVID-19 e como elas podem afetar a economia ou nossos negócios ou desempenho financeiro”.