EWZ recua 1,48% puxado pela queda do ADR da Eletrobras (ELET6 ELET3)

Felipe Moreira
Editor na EuQueroInvestir, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional.
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Crédito: Divulgação

Em dia de feriado na B3, os investidores monitoram o desempenho das ações brasileiras por meio de seus recibos de ADRs em Nova York, que caíram em bloco.

O EWZ (MSCI Brazil Capped), o principal ETF (fundo de índice) das ações de empresas brasileiras negociadas nas bolsas dos EUA (ADRs), fechou em queda de 1,48% puxado pela forte queda do ADR da Eletrobras.

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Os recibos EBR da Eletrobras recuaram 11,76%, e os EBRb queda de 8,10%.

Após anunciar a saída na noite de ontem, o ex-presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, já tem um novo destino.

Os recibos de ação da Petrobras descolaram da alta do petróleo e recuam0,76% (PN) e 1,37% (ON). Vale (-1,86%) e siderúrgicas (CSN, -3,56%, e Gerdau, -2,81%) também se destacam em queda.

Os bancos também tombaram na sessão de hoje. Bradesco caiu 2,09% e Itaú registrou queda de 2,79%.

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BR Distribuidora (BRDT3) confirma

A Petrobras Distribuidora (BRDT3) publicou fato relevante nesta segunda-feira (25) em que confirma a chegada de Wilson Ferreira Jr como presidente da companhia, em substituição a Rafael  Salvador  Grisolia, que deixa a empresa no próximo dia 31.

“Sob sua gestão, a BR se reorganizou, teve ganhos significativos em rentabilidade, voltou  a  ganhar  participação  de  mercado e  teve  avanços  importantes  em todos  os compromissos assumidos durante a privatização. O Conselho de Administração agradece Grisolia por sua valiosa contribuição neste importante processo de transformação da companhia”, diz o comunicado.

Wilson Ferreira Jr possui quase 30 anos de experiência no setor de energia e teve sua renúncia anunciada pela Eletrobras na noite de domingo (25).

Compete, agora, à Comissão  de  Ética  Pública  (CEP)  da  Presidência  da República analisar eventual necessidade de cumprimento de quarentena por parte do executivo, antes de assumir o cargo na BR Distribuidora.

No período compreendido entre 1 de fevereiro e o início das atividades de Ferreira Jr como CEO, a Eletrobras será liderada interinamente pelo diretor  executivo de operações e logística, Marcelo Bragança,  que  será  apoiado  por  um  comitê  de  transição,  composto  por  quatro  membros  do  conselho: Mateus Bandeira, Carolina Lacerda, Ricardo Maia e Alex Carneiro.

Governo se manifesta

Em nota, o Ministério de Minas e Energia afirmou que Ferreira liderou um processo de melhoria da eficiência operacional, frisando que será dado prosseguimento às ações de redução de custos e de aprimoramento da estratégia de sustentabilidade da Eletrobras.

Ferreira seguirá ainda como membro conselho da Eletrobras, diz o Ministério, ressaltando que o governo federal entende que “a capitalização da Eletrobras é essencial e necessária para a recuperação de sua capacidade de investimento”.

Conclusão precipitada

Durante teleconferência com analistas, segundo o Estadão, o presidente do conselho de administração da Eletrobras, Ruy Schneider, criticou as repercussões da saída de Ferreira.

Conforme Schneider, ocorreram “conclusões precipitadas” sobre a saída de Ferreira.

Sobre substitutos, o chairman afirmou que est]ap sendo analisados, em um processo envolvendo empresa especializada em recrutamento.

Privatização da Eletrobras

Mesmo que oficialmente a alegação seja “motivos pessoais”, no mercado se especulam razões adicionais, sobretudo a frustração em relação ao processo de privatização da Eletrobras, emperrado há anos.

Conforme o Estadão, o candidato à presidência do Senado, o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) tem evitado se comprometer com a privatização da Eletrobras, que é uma das prioridades da equipe econômica.

Apoiado pelo atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e pelo presidente Jair Bolsonaro, Pacheco se disse favorável a privatizações no geral, mas não a um “entreguismo sem critério”.

“O foco agora haverá de ser a preservação da saúde pública, um programa social e o crescimento econômico a partir das reformas que sejam necessárias no sistema tributário, a administrativa, as privatizações, não essa da Eletrobrás, mas de um modo geral diminuir o tamanho do estado empresário”, disse Pacheco, conforme o Estadão.

Adicionalmente, ressaltou o Estadão, o apagão no Amapá aumentou a resistência do Senado à privatização da empresa.

Ao Valor, Nivaldo de Castro, diz que a saída de Ferreira evidencia as dificuldades políticas da privatização.

“Ele arrumou a casa do ponto de vista econômico, mas a decisão de privatização está com o Congresso”, diz Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ.

De acordo com ele, o dilema, agora, será sobre quem será seu sucessor.

“Certamente será alguém vinculado a um grupo político, o que pode prejudicar a agenda de privatização”, avaliou.

Dívida com Gerdau (GGBR3 GGBR4)

Como se tudo isso não fosse o suficiente, no último final de semana saiu informação de uma disputa jurídica iniciada há 31 anos entre a Gerdau e a Eletrobras.

De acordo com o blog de Lauro Jardim em O Globo, a Gerdau obteve no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro uma decisão favorável para que a Eletrobras pague R$ 1,3 bilhão.

A estatal foi condenada por conta de uma dívida do empréstimo compulsório, mas a decisão é passível de recurso.

Segundo comunicado emitido pela Eletrobras, a companhia prosseguirá na discussão judicial, por meio da interposição dos recursos cabíveis, e que ainda não foi intimada para efetuar o pagamento do valor em discussão.