Eletrobras (ELET3 ELE6) colocará R$ 3,5 bilhões em Angra 3, apesar de indefinições

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Eletrobras investirá em Angra 3

A Eletrobras já definiu que irá injetar R$ 3,5 bilhões na retomada das obras da usina nuclear de Angra 3, que está há 30 anos parada e tem uma série de pendências a serem resolvidas, inclusive políticas, que envolvem inclusive o processo de privatização do sistema.

De acordo com o Estadão, uma auditoria da PwC concluiu que a situação crítica do empreendimento tem onerado o caixa da Eletronuclear, estatal do grupo dona da usina, a ponto de a empresa não conseguir obter mais financiamentos, pois todos os ativos já estão comprometidos como garantia em outros créditos concedidos.

A auditoria também concluiu que as obras dependem da entrada pesada de um sócio. Angra 3 tem R$ 9 bilhões em dívidas e precisaria de um investimento de mais R$ 15 bilhões para ser concluída.

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O Tribunal de Contas da União está analisando o plano de retomada da obra. A decisão de dar continuidade à usina tem como base o alto custo que representaria desistir dela. A estimativa da Eletronuclear é que abandonar o projeto geraria uma fatura de R$ 12 bilhões em financiamentos já recebidos e contratos com fornecedores.

Porém, sem operar, a usina consome US$ 10 milhões ao ano, informa a reportagem. Nos 36 anos em que está parada, portanto, a usina já consumiu US$ 360 milhões. As tentativas de retomada foram inúmeras e nunca evoluíram.

Hoje no mundo 19 países têm 53 projetos de usinas nucleares em andamento, a maioria no continente asiático. A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que atualmente a geração de energia baseada em reatores nucleares representa 10% da capacidade global de eletricidade, ficando atrás apenas da energia hidrelétrica, que tem participação de 16% na matriz. Usinas nucleares são alimentadas por urano enriquecido, material radioativo que requer um protocolo rígido de segurança.