Eletrobras (ELET3 ELET6): ADRs recuam mais de 10% com ida de Ferreira à BR (BRDT3)

Regiane Medeiros
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Divulgação

Com a B3 (B3SA3) fechada nesta segunda-feira (25), os investidores monitoram o desempenho das ações da Eletrobras (ELET3 ELET6) por meio de seus recibos de ADRs em Nova York, que operam em queda.

Às 15h30, os recibos EBR da Eletrobras acumulavam retração de 12,3%, e os EBRb queda de 8,8%.

Após anunciar a saída na noite de ontem, o ex-presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, já tem um novo destino.

Segundo a coluna do Lauro Jardim, em O Globo, Wilson será o novo presidente da BR Distribuidora (BRDT3), o que foi confirmado pela empresa em comunicado emitido nesta manhã.

Em seu pedido de demissão, que ficou público ontem à noite, por meio de comunicado na CVM, o ex-presidente da Eletrobras alegou “motivos pessoais”.

Já o Valor Econômico destacou que a ida de Ferreira à BR deve pavimentar o caminho para a saída da Petrobras (PETR3 PETR4) do capital da distribuidora no curto prazo.

Wilson Ferreira Junior

Eletrobras/divulgação

Analistas consultados pelo Valor acreditam que “Ferreira caiu como uma luva (para a valorização das ações da BR)”.

BR Distribuidora (BRDT3) confirma

A Petrobras Distribuidora (BRDT3) publicou fato relevante nesta segunda-feira (25) em que confirma a chegada de Wilson Ferreira Jr como presidente da companhia, em substituição a Rafael  Salvador  Grisolia, que deixa a empresa no próximo dia 31.

“Sob sua gestão, a BR se reorganizou, teve ganhos significativos em rentabilidade, voltou  a  ganhar  participação  de  mercado e  teve  avanços  importantes  em todos  os compromissos assumidos durante a privatização. O Conselho de Administração agradece Grisolia por sua valiosa contribuição neste importante processo de transformação da companhia”, diz o comunicado.

Wilson Ferreira Jr possui quase 30 anos de experiência no setor de energia e teve sua renúncia anunciada pela Eletrobras na noite de domingo (25).

Compete, agora, à Comissão  de  Ética  Pública  (CEP)  da  Presidência  da República analisar eventual necessidade de cumprimento de quarentena por parte do executivo, antes de assumir o cargo na BR Distribuidora.

No período compreendido entre 1 de fevereiro e o início das atividades de Ferreira Jr como CEO, a Eletrobras será liderada interinamente pelo diretor  executivo de operações e logística, Marcelo Bragança,  que  será  apoiado  por  um  comitê  de  transição,  composto  por  quatro  membros  do  conselho: Mateus Bandeira, Carolina Lacerda, Ricardo Maia e Alex Carneiro.

Governo se manifesta

Em nota, o Ministério de Minas e Energia afirmou que Ferreira liderou um processo de melhoria da eficiência operacional, frisando que será dado prosseguimento às ações de redução de custos e de aprimoramento da estratégia de sustentabilidade da Eletrobras.

Ferreira seguirá ainda como membro conselho da Eletrobras, diz o Ministério, ressaltando que o governo federal entende que “a capitalização da Eletrobras é essencial e necessária para a recuperação de sua capacidade de investimento”.

Conclusão precipitada

Durante teleconferência com analistas, segundo o Estadão, o presidente do conselho de administração da Eletrobras, Ruy Schneider, criticou as repercussões da saída de Ferreira.

Conforme Schneider, ocorreram “conclusões precipitadas” sobre a saída de Ferreira.

Sobre substitutos, o chairman afirmou que est]ap sendo analisados, em um processo envolvendo empresa especializada em recrutamento.

Privatização da Eletrobras

Mesmo que oficialmente a alegação seja “motivos pessoais”, no mercado se especulam razões adicionais, sobretudo a frustração em relação ao processo de privatização da Eletrobras, emperrado há anos.

Conforme o Estadão, o candidato à presidência do Senado, o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) tem evitado se comprometer com a privatização da Eletrobras, que é uma das prioridades da equipe econômica.

Apoiado pelo atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e pelo presidente Jair Bolsonaro, Pacheco se disse favorável a privatizações no geral, mas não a um “entreguismo sem critério”.

“O foco agora haverá de ser a preservação da saúde pública, um programa social e o crescimento econômico a partir das reformas que sejam necessárias no sistema tributário, a administrativa, as privatizações, não essa da Eletrobrás, mas de um modo geral diminuir o tamanho do estado empresário”, disse Pacheco, conforme o Estadão.

Adicionalmente, ressaltou o Estadão, o apagão no Amapá aumentou a resistência do Senado à privatização da empresa.

Ao Valor, Nivaldo de Castro, diz que a saída de Ferreira evidencia as dificuldades políticas da privatização.

“Ele arrumou a casa do ponto de vista econômico, mas a decisão de privatização está com o Congresso”, diz Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ.

De acordo com ele, o dilema, agora, será sobre quem será seu sucessor.

“Certamente será alguém vinculado a um grupo político, o que pode prejudicar a agenda de privatização”, avaliou.

Dívida com Gerdau (GGBR3 GGBR4)

Como se tudo isso não fosse o suficiente, no último final de semana saiu informação de uma disputa jurídica iniciada há 31 anos entre a Gerdau e a Eletrobras.

De acordo com o blog de Lauro Jardim em O Globo, a Gerdau obteve no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro uma decisão favorável para que a Eletrobras pague R$ 1,3 bilhão.

A estatal foi condenada por conta de uma dívida do empréstimo compulsório, mas a decisão é passível de recurso.

Segundo comunicado emitido pela Eletrobras, a companhia prosseguirá na discussão judicial, por meio da interposição dos recursos cabíveis, e que ainda não foi intimada para efetuar o pagamento do valor em discussão.