Eleições 2018: Viagem ao centro do centro

Filipe Teixeira
Colaborador do Torcedores

Viagem ao centro da Terra é uma obra de ficção científica, de autoria do escritor francês Júlio Verne, lançado em 1864 e considerado por muitos, como um dos maiores clássicos do gênero.

A obra tem o poder de levar o leitor para dentro de uma aventura emocionante, toda narrada em primeira pessoa por Axel, um garoto que participa do percurso ao centro da terra, realizado graças a um manuscrito decifrado por ele mesmo.

Já abaixo da superfície, Alex e seus companheiros aventuram-se por corredores e galerias de dimensões colossais, contendo no seu interior um oceano, ilhas, nuvens e até mesmo luz, gerada por um fenômeno elétrico desconhecido.

Ainda nestas galerias, encontram-se também formas de vida já consideradas extintas na superfície (desde dinossauros ao homem das cavernas).

Ingressando no campo político, comentei em textos anteriores que a grande incógnita desta próxima eleição, reside justamente no centro.

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É dele que pode se esperar alguma surpresa em relação a um provável segundo turno das eleições 2018, uma vez que tanto a direita (com o seu exército de um homem só, Jair Bolsonaro) quanto a esquerda (com o cada vez mais improvável Lula e seus possíveis herdeiros Marina Silva e Ciro Gomes) já mostraram suas cartas.

Bolsonaro e Lula

Resta saber agora se de fato, existe vida nas entranhas do chamado “centrão”, ou se a impopularidade de Temer, condenou todos a viver isolados da superfície. Penso que não.

Em recente entrevista, Henrique Meirelles (que até aqui parece estar vencendo a queda de braço com Rodrigo Maia pelo posto de candidato do governo) foi bem objetivo em relação a sua intenção de candidatar-se e admitiu também, migrar para o desgastado MDB.

Meirelles vestiu de vez as cores do Temer Football Club e mira agora, um tempo de TV infinitamente superior ao que teria permanecendo no minúsculo PSD, além de todo o “aparato” típico de um grande partido. Uma estratégia aparentemente suicida, vide recente pesquisa de rejeição publicada pelo Datafolha e comentada em uma news anterior.

Sobre a possibilidade de encabeçar uma chapa com Michel Temer, na condição de vice, Meirelles foi taxativo:

Henrique Meireles

“Eu não sou candidato a vice. Não tenho interesse. Já fui convidado para ser candidato a vice da Dilma (Rousseff), em 2010, e do Aécio (Neves), em 2014.”

 

Meirelles transpareceu achar pouco provável uma candidatura de coalizão de parte de seu espectro político. Se mostrou receptivo à ideia, mas ao mesmo tempo, afirmou não saber se os demais candidatos partilham da mesma intenção. Sabemos todos que não.

A famosa filosofia de dominar o centro para se chegar a vitória, tão comum no futebol e no xadrez, também é bastante aceita no jogo político e a prova disso, é a forte influência exercida pelo finado PMDB ao longo dos anos.

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Desta vez, as fortes disputas internas e o próprio desgaste gerado pela impopularidade do presidente, parecem afetar este domínio exercido a partir de centro. Falando em bom “futebolês”: Parece que embolou o meio de campo.

Viajando pelo centro do centro, cada vez mais percebemos uma imensa dificuldade em se encontrar um nome de consenso e tal indefinição pode custar caro aos dinossauros que ainda habitam as galerias abaixo da superfície.

E você, o que pensa disso tudo? Tenho recebido muitas mensagens por e-mail e o debate tem sido muito interessante!

A propósito, fique à vontade para indicar esta série para um amigo ou mesmo aquele parente com quem você debate política nos churrascos de domingo, clicando no botão abaixo.

Sinta-se convidado também, para sugerir pautas para os próximos textos!

Um abraço e até a próxima!