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Eleições 2018: Seu candidato é populista?

Um candidato populista é aquele que apresenta um discurso que tenha forte apelo emocional junto às massas.

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Estamos no aquecimento das eleições 2018. A esta altura, você certamente já deve estar escolhendo seu candidato, ou talvez até já o tenha escolhido. Mas… será que seu candidato é populista?

Eleições 2018 - Seu candidato é populista?

Um candidato populista é aquele que apresenta um discurso que tenha forte apelo emocional junto às massas. Não raro, um político populista costuma criar inimigos imaginários do povo, como “a burguesia”, o “grande capital internacional”, ou os “banqueiros”, e se apresenta como aquele que irá defender o povo das mazelas perpetradas por estes tais malfeitores.

É aquele candidato que promete benesses sem fim, que nega ou desconsidera os grandes problemas a serem enfrentados, e que está disposto até mesmo a adotar medidas positivas no curto prazo, mesmo que seus efeitos de longo prazo sejam desastrosos.
Enfim, um candidato populista é um bom vendedor: ele sabe convencer as pessoas menos informadas.

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O Brasil possui um histórico de presidentes populistas que fizeram bastante mal à economia e às pessoas. Você certamente não quer eleger mais um populista. Mas como saber se o seu candidato é populista?

Para ajudá-lo, elaboramos um pequeno guia, que permite ao eleitor cruzar aquilo que seu candidato fala sobre os principais temas hoje debatidos, com a realidade cientificamente documentada:

O seu candidato é contra a Reforma da Previdência?

Existem aqueles que acreditam que a Previdência não precisa de reforma, porque ela seria, supostamente, superavitária. São os chamados “negacionistas”.

Ocorre que essa crença não resiste a poucos minutos de leitura das demonstrações financeiras da União. O déficit da Previdência é um fato, e por mais que se invente formas criativas de tentar negá-lo, ele segue firme e crescente, ano após ano.


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Para deixar clara a existência do déficit para aqueles que não são acostumados a ler planilhas e balanços, o Ministério da Fazenda fez este excelente resumo: resumo. Aí estão explicados todos os erros e “malandragens” presentes nas interpretações dos negacionistas.

Ainda há aqueles que, embora reconheçam que a Previdência é deficitária e precisa de reforma, não concordam com “essa reforma do Temer”. Estes espalham mentiras, dizendo que a reforma proposta não irá afetar os políticos e o alto funcionalismo, dentre outras bobagens que, novamente, não resistem a poucos minutos de leitura da própria proposta.

Ainda outros dizem que o ideal seria transformar a Previdência brasileira em um sistema de capitalização, o que também não passa de uma forma criativa de recusar a necessária reforma proposta, uma vez que tal transformação é impossível.
Todos esses mitos são derrubados neste documento do Ministério da Fazenda: Mitos da Reforma da Previdência.

Se o seu candidato se encaixa em qualquer um desses grupos acima, lamentamos informar, mas ele é populista!

O seu candidato é contra o Teto de Gastos?

A crise brasileira atual é essencialmente fiscal. É fruto de um crescimento descontrolado dos gastos do governo. O Teto de Gastos (EC95) foi uma inteligente solução para impedir o crescimento dos gastos, sem a qual os mesmos tenderiam a crescer baseados em endividamento (visto que não arrecadamos o suficiente para fazer frente ao gasto primário).

E quanto maior o endividamento, como percentual do PIB, maiores tendem a ser os juros, e daí deriva uma verdadeira bola de neve que culmina em recessão, dominância fiscal e calote.

Se o seu candidato é contra o Teto de Gastos, logicamente ele é contra a responsabilidade fiscal, e a favor da gastança. Se ele é a favor da gastança, então ele é a favor da inflação e dos juros altos. Ou seja: o seu candidato é populista!

O seu candidato fala que os juros da dívida pública consomem metade do orçamento?

Esse é mais um daqueles hoax que rondam a internet, espalhado especialmente por um grupo de interesse chamado Auditoria Cidadã da Dívida, formado por ex-auditores fiscais.

Para dizer que o maior gasto do governo não é a Previdência, mas sim os juros da dívida pública, alega-se que os juros consomem metade do orçamento público. Para chegar a esse número assombroso de 50% do orçamento, somam as despesas reais com juros às despesas contábeis de amortização e rolagem da dívida. Ocorre que amortização e rolagem não são gastos reais, uma vez que constam em um lado do razonete contábil como despesa, mas no outro como receita.
O único gasto real no serviço da dívida é o de pagamento de juros, e esta rubrica não chega nem perto de metade do orçamento: historicamente, o gasto com juros tem sido sempre inferior a 10% do orçamento, e menos da metade do gasto previdenciário.

Se o seu candidato diz que os juros consomem metade do orçamento, lamentamos informar, mas ele é populista!

O seu candidato acusa o Banco Central de manter os juros altos para enriquecer banqueiros?

Quando o Banco Central mantém os juros altos, é porque ele está lutando contra a inflação. Mas sempre que isso acontece, aparecem aqueles que dizem que os juros estão altos para enriquecer os banqueiros, os quais, supostamente, teriam ganhos maiores em um cenário de juros altos.

Ocorre que esta é uma noção totalmente leiga de como os bancos ganham dinheiro. Uma rápida análise dos balanços dos bancos brasileiros já demonstra que isso não se sustenta. Bancos ganham dinheiro com suas seguradoras, com seus departamentos de investimentos, e com suas carteiras de crédito. O ganho dos bancos em tesouraria, com juros dos títulos públicos, é de não mais que um ponto percentual – isso quando há ganho -, e não explica, de maneira alguma, o lucro dos bancos.

Este ano mesmo, com a SELIC em seu patamar histórico mais baixo, os grandes bancos brasileiros estão tendo lucros recordes. Isso demonstra que os lucros dos bancos não guardam nenhuma correlação com o patamar de juros.

Se o seu candidato fala que juros altos favorecem banqueiros, ele está claramente lançando mão de uma retórica populista, na qual se tenta inflamar o povo contra inimigos imaginários. Populista!

O seu candidato é contra privatizar empresas estatais deficitárias?

O discurso é sempre o mesmo: privatizar empresas estatais é “entreguismo”, é dar nossas riquezas nacionais ao capital estrangeiro, etc.

Ocorre que não há argumento econômico para a manutenção de empresas nas mãos do Estado. Toda a teoria econômica e as evidências empíricas apontam neste sentido. Empresas estatais não orientam suas operações por critérios de mercado. Logo, não respondem aos sinais de preço, que são o mecanismo econômico que permite a alocação racional dos recursos.

Assim, empresas estatais tendem a ser menos eficientes, com mais desperdícios e destruição de capital. Muito frequentemente, são até mesmo deficitárias (isto é: dão prejuízo).
Quando o Estado tem uma empresa que dá prejuízo, ele precisa aportar recursos nela, para mantê-la funcionando. Esses recuros ele retira de toda a sociedade, através dos impostos.

Se essa empresa é vendida, o Estado se livra de uma fonte de despesa, e ainda aufere recursos com a venda. Adicionalmente, como a empresa passará a operar em mãos privadas, tenderá a ser mais eficiente e oferecer maiores benefícios à sociedade.

Foi o que vimos acontecer com praticamente todas as empresas que o Brasil privatizou, de 1990 pra cá. Um bom exemplo é a Vale do Rio Doce, que hoje é mais eficiente e injeta mais recursos nos cofres públicos do que quando era estatal.

Se o seu candidato é contrário a privatizar empresas estatais que roubam recursos da sociedade, lamentamos informar, mas ele é… sim, você adivinhou: populista!

Essas são algumas formas de reconhecer se o seu candidato é populista. O populista prefere o discurso fácil, as promessas, a negação dos problemas, o emocionalismo. Prefere a ideia de ser um herói que irá defender o pobre povo oprimido pelos terríveis banqueiros e grandes empresários.

E como podemos identificar um candidato que NÃO é populista?

É muito simples: o Brasil vive hoje uma série de desafios e problemas. É preciso enfrentá-los.

Se o seu candidato admite a existência desses problemas e a necessidade de enfrentá-los, já é um bom começo. Se ele fala de remédios amargos, mas necessários, sem oferecer soluções mágicas ou fáceis, e sem negar as dificuldades, melhor ainda.

Se, adicionalmente, seu discurso for bem alinhado à teoria econômica, e ele tiver uma boa formação e um bom histórico de atuação no setor privado (sim, evite políticos “de carreira”), você provavelmente estará diante do candidato ideal.

Em 2018, pela primeira vez desde a queda do regime militar, temos algumas boas opções. Que desta vez, possamos rejeitar nas urnas os populistas, e eleger um candidato reformista, daqueles que são capazes de colocar a casa em ordem e permitir o crescimento futuro. Daqueles que sabem plantar, e não apenas colher.

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Filipe Teixeira

Filipe Teixeira é redator do Portal EuQueroInvestir. Gremista, filho dos anos 80, apaixonado por filmes, música, política e economia.

É também Coordenador da área de Marketing do EuQueroInvestir.com e do EuQueroInvestir A.A.I assessores de investimentos.

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