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Eleições 2018: Conheça o melhor candidato “pró-mercado”

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Faltando menos de 30 dias para o início das eleições mais imprevisíveis da história, cientistas políticos, analistas, videntes e até mesmo aquele seu amigo “Zé Pitaco”, tentam de todas as formas, antecipar o resultado do pleito.

No mercado financeiro, não é diferente.

Se você tem o hábito de acompanhar os noticiários e portais de notícia, deve ter percebido que para muitos analistas, o resultado das urnas será determinante para a volta do nosso crescimento econômico.

Mas, afinal, quem seria o candidato mais “pró-mercado”, ou seja, aquele que os especialistas consideram a melhor opção para que o Brasil finalmente saia da recessão e volte a crescer?

Na semana passada, organizamos em nossa sede, uma palestra com Henrique Breda, um dos nomes responsáveis pelo sucesso do fundo de ações Alaska Black

Logicamente, assim como você, tenho minhas convicções, posicionamentos e mais ou menos simpatia por um candidato ou por outro, mas ainda assim, afirmo categoricamente sem medo de errar: Tanto faz!

Lembre-se: Toda a análise a seguir, será totalmente voltada para os seus investimentos, não entrarei no mérito de outras questões igualmente importantes (saúde, educação, segurança pública…)

Agora, detalharei os pontos que me fazem acreditar que ao menos para nós investidores, o segundo turno pode muito bem ser disputado entre Tanto Faz X Qualquer Um.

Já que a palavra MITO está em alta, para melhor compreensão da minha tese, começarei desvendando alguns deles…

1) O mercado de ações depende do PIB

Para desvendarmos como funciona a relação de mercado da bolsa com o PIB (Produto Interno Bruto), precisamos primeiramente entender alguns conceitos:

Múltiplo P/L (preço por lucro) – O P/L é uma das métricas mais difundidas no mercado, o múltiplo P/L de uma ação é a divisão do seu valor de mercado (preço da ação multiplicado pelo total de ações) pelo lucro esperado da ação.

Já o múltiplo da bolsa é a divisão da soma dos valores de mercado de todas as companhias pelo lucro agregado dessas companhias.

De fato, é praticamente inviável obter estas estimativas para todas as ações listadas na bolsa, justamente por isso, costumeiramente trabalhamos com o P/L dos índices mais conhecidos como o IBOVESPA e o IBrX-50, lembrando que:

O IBOVESPA tem por objetivo refletir o desempenho médio das cotações das ações mais negociadas e mais representativas do mercado acionário brasileiro enquanto o IBrX-50 avalia o retorno de uma carteira composta pelas cinquenta ações mais negociadas na bolsa. Estas ações são selecionadas em função do número de negócios e do volume financeiro.

Como podemos observar na imagem abaixo, a relação entre PIB x Mercado Ações não se mostra verdadeira no mundo inteiro (incluindo o Brasil, é claro). Nos países emergentes, a correlação é nula (-3) enquanto que nos países desenvolvidos ela é quase o oposto (lembrando que a escala de correlação vai de -100 a 100)

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Portanto, o temor de ingressar no mercado de ações em virtude da fraca recuperação econômica não se justifica.

2) O mercado brasileiro depende dos EUA

É inegável a importância da economia americana no mercado global, em especial nos países emergentes. No entanto, o gráfico abaixo, mostra que a relação  entre    o S&P500 em Dólares e o Ibovespa em Dólares desmente esta premissa.

Lembrando que o S&P 500 é um índice composto pelos 500 ativos (ações) mais cotados nas bolsas de NYSE ou NASDAQ, qualificados devido ao seu tamanho de mercado e sua liquidez.

Veja que, em raros momentos, o aumento do índice de ações americano esteve relacionado com o aumento de nosso índice. E se olharmos dados históricos mais antigos, isso é ainda pior.

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3) A política brasileira interfere diretamente no valor das ações

Talvez esta seja a premissa mais difundida entre os investidores, mas igualmente às duas anteriores, se considerarmos o longo prazo, mais uma vez, a teoria não se confirma.

Desde 1985 (ano que marcou o início do Governo Sarney e a transição para as primeiras eleições diretas em 1989) o IBOV subiu 40X (em U$), confirmando a velha máxima de que o Brasil é um país condenado a dar certo (mesmo com muito esforço político contrário).

gráfico

Afinal, o que de fato possui relação direta com a bolsa brasileira?

Agora que entendemos e desvendamos alguns falsos mitos de mercado, é hora de revelar qual índice está de fato, relacionado ao mercado de ações e por que ele é motivo de otimismo e despreocupação com o resultado das eleições (ao menos para mim).

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Neste gráfico, vemos a relação direta entre o IBOV e o IC-Br.

Mas afinal, o que é o IC-Br e o que ele mede?

É o Índice de Commodities Brasil (IC-Br). Commodities são bens que não sofrem processos de transformação, como frutas, legumes, cereais e alguns metais. Por seguirem um determinado padrão, o preço destes produtos é negociado nas Bolsa de Valores de todo o mundo, de acordo com circunstâncias específicas do mercado, como a oferta e demanda.

Invariavelmente a palavra commodities é associada à “matéria-prima”, já que são produtos utilizados na transformação de outros bens.

O Brasil tem imenso destaque neste segmento, visto que é um grande produtor de algumas destas commodities como: laranja, café, alumínio, petróleo, minério de ferro, etc.

Por que o IC-Br é motivo de otimismo?

Para entender melhor o porquê de meu otimismo em relação ao mercado de ações, vamos analisar alguns gráficos que mostram o crescimento da importação de commodities por parte dos chineses.

China, importação de petróleo

petroleo china - Eleições 2018: Conheça o melhor candidato “pró-mercado”

China, minério de ferro

minerio ferro china

China, Celulose

celulose china

Para refletir:

Será que os presidenciáveis tem alguma coisa a ver com este índice? Será que seremos capazes de relacionar os nossos presidentes com o sobe e desce deste índice?

A mensagem que fica é: Você pode dormir sossegado em relação aos seus investimentos em ações, principalmente se você é um investidor que enxerga um horizonte de longo prazo.

Igualmente, não há razão para postergar sua decisão de iniciar seus investimentos na bolsa (sempre respeitando o seu perfil, é claro). A economia brasileira está preparada para voltar a crescer, desde que o próximo presidente não atrapalhe e claro, siga adiante com a agenda de reformas e dê atenção especial ao controle dos gastos públicos.

 

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Filipe Teixeira

Filipe Teixeira é redator do Portal EuQueroInvestir. Gremista, filho dos anos 80, apaixonado por filmes, música, política e economia.

É também Coordenador da área de Marketing do EuQueroInvestir.com e do EuQueroInvestir A.A.I assessores de investimentos.

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