Eleição no Uruguai aponta vitória apertada do oposicionista Luis Lacalle, mas Corte Eleitoral adia decisão final

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Reprodução/Facebook

Com 99,85% das urnas apuradas, o candidato do Partido Nacional, Luis Lacalle Pou, ficou à  frente na eleição que vai definir o novo presidente do Uruguai. Na reta final da apuração, ele tinha cerca de 30 mil votos a mais em relação ao concorrente Daniel Martinez, da coalizão de esquerda Frete Ampla, há quinze anos no poder. Mas, quase ao fim do processo, a Corte Eleitoral do país determinou a recontagem por causa da margem apertada de votos e adiou a decisão final do pleito deste domingo (24).

A apuração foi considerada pela imprensa do pais como a mais emocionante dos últimos 20 anos. O candidato da oposição comemorou o resultado com seus apoiadores, mas não foi declarado oficialmente presidente. Com 48.71% dos votos, ele lidera o 2º turno da eleição. Lacalle contabilizou 1.168.019 votos. O candidato da situação Daniel Martinez obteve 1.139.353 votos (o que representa 47.51 %).

O resultado oficial será conhecido apenas na próxima quinta (28) ou sexta (29), de acordo com anúncio feito pela Corte Eleitoral na reta final de apuração. Resta recontar votos de zonas eleitorais longe dos principais colégios uruguaios e de “pessoas idosas com dificuldades físicas para votar”, como informou o comunicado da Corte. A estreita margem de diferença entre os candidatos também foi decisiva para adiar a divulgação do resultado  final.

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Esse processo de recontagem de votos, lembra a Justiça Eleitoral do país, será lento. O país fica por ora sem saber quem substituirá o atual presidente Tabaré Vázquez a partir de 2020.

Lacalle já comemorava, no início da madrugada desta segunda (25), a vitória junto a apoiadores. Ele disse ao El Pais uruguaio: “O resultado é irreversível. Só a Frente Ampla ainda não reconhece.” O rival declarou que ainda pode vencer.

Diferença de 30 mil votos

O candidato da oposição Lacalle esteve à frente de Martinez durante toda a contabilização dos votos por uma pequena diferença. Quando ainda restavam 2% das urnas para contabilizar os votos, por exemplo, a diferença a favor do candidato da oposição era de menos de 30 mil votos, num colégio eleitoral de 2,7 milhões de uruguaios, em sete mil locais de votação.

No primeiro turno, realizado no dia 27 de outubro, Daniel Martínez conseguiu 39,2% dos votos. Lacalle Pou alcançou 28,6% dos votos válidos. Nenhum dos candidatos obteve os 50% dos votos necessários para vencer a eleição no primeiro turno.

Lacalle era favorito nas pesquisas

Luis Alberto Aparicio Alejandro Lacalle Pou, advogado de 46 anos, é filho do ex-presidente Luis Alberto Lacalle, que governou o país entre 1990 e 1995. Candidato de uma coalizão formada por partidos de centro e de direita, Luis Lacalle Pou havia ficado em segundo lugar no primeiro turno das eleições uruguaias.

Recebeu, na campanha do segundo turno, apoio do terceiro e ao quarto candidatos mais votados, Ernesto Talvi e Guido Manini Ríos. A aliança fez Lacalle subir nas pesquisas.

Nas últimas semanas ele vinha sendo apontado como favorito para vencer a eleição, decidida voto a voto neste domingo. A contagem das urnas prosseguiu até depois da meia noite, horário local.

Guinada

O candidato repetiu na campanha que faria uma guinada na economia estagnada, com ajustes fiscais e tributários. Fez promessas de combate ao desemprego e sinalizou que iria diminuir os índices de violência “com medidas duras”.

Luis Lacalle manteve seu discurso da “renovação democrática necessária”, com críticas ao crescimento da violência e aos gastos da máquina pública. Procurou se deslocar de políticos de direita como o argentino Mauricio Macri, derrotado nas urnas em outubro, o chileno Sebastián Piñera, que enfrenta com violência uma onda de protestos no país, e Jair Bolsonaro.

O discurso de Martínez, 62 anos, ex-presidente de Montevidéu e candidato da situação, tem como mote principal é a recuperação da economia. E espera reverter o cenário econômico alertando aos eleitores de que uma vitória da oposição significaria anos de austeridade “selvagem”.

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