El Salvador inicia a era do Bitcoin como moeda oficial, mas a ideia é boa?

Victor Meira
Com formação em Ciências Sociais e Jornalismo, experiência em redação nas editorias de esportes, empregos, concursos, economia e política.

Crédito: Créditos: iStockphoto/Getty Images

A estreia do Bitcoin como moeda oficial de El Salvador foi realizada no dia 7 de setembro. A medida foi considerada pelo mercado internacional como ousada devido à volatilidade e à falta de reconhecimento de atores econômicos importantes como o Banco Mundial e o Fundo Internacional Monetário. 

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, destaca que a introdução da criptomoeda gerará emprego e a inclusão financeira de milhares de pessoas que estão fora da economia formal. “O Bitcoin tem uma capitalização de mercado de 680 bilhões de dólares (3,5 trilhões de reais). Se 1% for investido em El Salvador aumentaria seu PIB em 25%”, afirmou o chefe do executivo salvadorenho em suas redes sociais. 

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Por conta do seu tamanho, El Salvador, um país com 6,5 milhões de habitantes, sendo que 70% da população nem conta bancária tem, é considerado como cobaia para adotar uma moeda digital como oficial.  O objetivo de Bukele é ampliar o número de pessoas com acesso ao Bitcoin e estimular investimentos estrangeiros, principalmente de familiares que residem nos EUA. 

O comércio formal é obrigado a aceitar o Bitcoin como forma de pagamento dos produtos. Inclusive, o governo federal estimulou a utilização da moeda com a distribuição de US$ 30 dólares em Bitcoins e instalou mais de 200 caixas eletrônicos para converter a criptomoeda em dólares. 

Apesar dos esforços de Bukele, o povo ainda tem resistência e desconfiança do novo sistema monetário. Recentemente, houve protestos em São Salvador, capital do país, contra a medida. Os manifestantes diziam que a adoção da criptomoeda promoveria o caos econômico por causa da volatilidade do ativo e o local se tornaria atrativo para a lavagem de dinheiro.

Em entrevista ao site da CNN Brasil Business, o professor de finanças da  Fundação Getúlio Vargas Escola de Economia de São Paulo (FGV – EESP), Henrique Castro, argumenta que a adoção do Bitcoin gera incertezas para a população e destaca que o governo precisa ser claro e transparente para a implementação da moeda. 

“É uma mudança sem diálogo com a população e gera dúvidas nas pessoas, na indústria e no comércio. Não dá para pensar num curto prazo. O governo precisará incentivar ainda mais”, afirma Castro. 

Volatilidade da moeda

A volatilidade do ativo é uma das principais preocupações dos analistas financeiros. No dia de estreia do Bitcoin como moeda oficial de El Salvador, a criptomoeda iniciou com uma alta que chegou a US$ 52.660 (R$ 277 mil na média das exchanges brasileiras). No entanto, ainda no mesmo dia, o valor despencou 18% e foi para US$ 42,9 mil (R$ 225,5). Especialistas relatam que a queda no valor ocorreu devido a um problema no download de aplicativos de Bitcoins para os salvadorenhos, chamada de Chivo.

Embora a queda tenha sido considerada grande, na última sexta-feira (10), o Bitcoin conseguiu recuperar parte das perdas, atingindo um valor de US$ 45.626 (R$ 240 mil).

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Variação Bitcoin agosto a setembro

Bitcoin

Reprodução/CoinMarketCap

Se em apenas três dias, a moeda apresentou grandes oscilações, a médio prazo o Bitcoin registrou uma queda gigantesca em maio, em um episódio que ficou conhecido como “crash ambiental”. A retração foi tão grande que alguns analistas chegaram a questionar a continuidade da cripto por investidores institucionais. Para ser ter uma ideia da desvalorização de maio, o cripto iniciou o mês cotado a US$ 57.717 e encerrou iniciou junho cotado a US$ 37.260, uma queda de 55%.

Henrique aponta que a volatilidade do Bitcoin pode prejudicar a economia local e mantê-la “estagnada, como ela já tem sido”. “A moeda (bitcoin) oscila muito, mesmo com o reconhecimento e valorização que tem”.