Economistas avisaram Casa Branca sobre uma possível pandemia e foram ignorados

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
1

Crédito: Reprodução / Getty Images

Um estudo publicado em setembro de 2019 por economistas da Casa Branca alertou que uma doença pandêmica poderia matar meio milhão de norte-americanos e devastar a economia. Pelo tom catastrófico, foram ignorados pelo governo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

“Não acho que o coronavírus seja uma ameaça tão grande quanto as pessoas imaginam”, disse o presidente em exercício do Conselho de Assessores Econômicos, Tomas Philipson, a repórteres durante, em 18 de fevereiro, quando a crise ainda não era rotulada como uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e nem os Estados Unidos havia se tornado o epicentro dela.

“As ameaças à saúde pública normalmente não prejudicam a economia”, disse Philipson.

Ele sugeriu que o vírus não seria tão ruim quanto uma temporada de gripe normal, algo que o presidente norte-americano, Donald Trump corroborava até dez dias atrás.

Hoje, os Estados Unidos já contaram mais de 240 mil infectados e 5.810 mortos.

O estudo

Segundo matéria do Estadão, “o estudo de 2019 dos economistas alertou o contrário – especificamente pedindo aos americanos que não confundam os riscos de uma gripe típica e uma pandemia. A existência desse aviso mina as alegações dos funcionários do governo dos Estados Unidos nas últimas semanas de que ninguém poderia antever o vírus danificando a economia”.

O estudo foi solicitado pelo Conselho de Segurança Nacional. Um dos autores do estudo já não trabalha mais na Casa Branca e diz que faria sentido para o governo encerrar a maioria das atividades econômicas por de dois a oito meses para retardar a proliferação do coronavírus.

A estimativa era que o patógeno mortal poderia matar entre 100 mil e 240 mil americanos.

Duração ideal de um desligamento da economia

O estudo compartilhado com funcionários da Casa Branca vem de Anna Scherbina, sobre a tempo ideal de desligamento econômico nessas condições. Ela é economista da Brandeis University e do American Enterprise Institute.

O Estadão escreve que o “artigo de Scherbina avalia as compensações envolvidas na desaceleração da economia para combater a propagação do vírus, como o artigo coloca, ‘equilibrando seus benefícios incrementais com os enormes custos que a política de supressão impõe à economia dos EUA'”.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

“No melhor cenário, conclui Scherbina, uma supressão nacional da atividade econômica para achatar a curva de infecção deve durar pelo menos sete semanas. Na pior das hipóteses, onde o desligamento se mostra menos eficaz em diminuir a taxa de novas infecções, seria economicamente ideal manter a economia fechada por quase oito meses”, informa.

Custo

Uma situação pandêmica e sem vacina ou remédio para tratamento comprovado só possui uma arma para ser contida: o isolamento social, a quarentena, que leva, por certo, a perdas econômicas muito severas.

Segundo o estudo de Scherbina, se a redução for na ordem de cerca de US$ 36 bilhões por semana, haveria a possibilidade de salvar quase 2 milhões de vidas, em comparação com governos que não tomassem atitude alguma.

Em compensação, não fazer nada pode ser ainda mais custoso: cerca de US$ 13 trilhões, em custos médicos, seguros e vidas. Economistas do mundo todo têm percebido isso.

“Acumulei todo esse conhecimento e, em seguida, o coronavírus apareceu”, disse Scherbina em uma entrevista por telefone. “Então eu pensei: eu deveria usá-lo”.

O estudo da Casa Branca de 2019 não previu especificamente o surgimento do coronavírus – em vez disso, modelou o que aconteceria se os Estados Unidos fossem atingidos por uma pandemia de gripe semelhante à gripe espanhola de 1918 ou à chamada gripe suína de 2009. Eram ameaças já comprovadas e poderiam acontecer de novo, como se provou agora.

O estudo projetou mortes e perdas econômicas dependendo de quão contagioso e mortal o vírus seria.

Não se sabe ainda quanto tempo o país e o mundo sofrerão com o Covid-19. Nem o custo da pandemia. Mas a grande questão que fica é se é possível deixar um plano de sobreaviso para caso aconteça de novo.

LEIA MAIS
EUA têm 6,6 mi de pedidos de seguro-desemprego na semana

OMS prevê 100 milhões de casos de Covid-19 e alerta sistemas de saúde para “pancada”