É possível que esse seja o ano dos países emergentes?

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Pixabay

Após um ano conturbado na economia mundial, uma pergunta tem sido recorrente no mercado financeiro: afinal, 2021 poderá ser o ano dos países emergentes?

Quase 10 meses depois da queda histórica, a bolsa brasileira conseguiu fechar 2020 com Ibovespa a 119 mil pontos. Isso corresponde a uma valorização de 2,92% em relação a 2019.

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Mas o que as economias emergentes podem esperar para 2021? Neste artigo, veremos quais as expectativas do mercado em relação a esses países.

O que esperar dos países emergentes em 2021?

Nesse sentido, há diversos pontos a serem observados para que se possa traçar uma perspectiva para os emergentes neste ano. A seguir, veja alguns dos mais importantes:

Economia dos EUA

A vitória de Joe Biden na eleição de novembro passado tende a favorecer mercados como o brasileiro. Nesse sentido, instituições como o Bank of America, Credit Suisse e Morgan Stanley já confirmam essa expectativa.

Alguns fatores contribuem para esse otimismo. Um deles é o pacote de ajuda aprovado pelo governo norte americano para fazer frente aos efeitos da pandemia. A liberação desses recursos daria um ânimo extra ao mercado, o que também favoreceria a retomada econômica dos emergentes.

Por sua vez, a combinação entre dólar mais fraco e juros baixos no mercado norte-americano fortalece ainda mais a migração de recursos para as economias em desenvolvimento.

Sobre esse assunto, Gabriel Gersztein, chefe de estratégias para mercados emergentes, falou recentemente ao Valor Econômico. Segundo ele, dessa vez não há expectativa de que a taxa de juros suba consideravelmente como ocorreu em 2013. Logo, a perspectiva é de que o crédito nos países emergentes continue crescendo, em especial na Turquia, Ucrânia, México, África do Sul e Brasil.

Expectativa de alta da Selic

O Relatório Focus divulgado na quarta-feira, 17 de fevereiro, pelo Banco Central, revisou para cima as projeções da inflação. Segundo o documento, a atual projeção do IPCA para o ano é de 3,62%. Ou seja, em 2021 o Brasil também verá uma aceleração de preços, a exemplo do que ocorreu no ano passado.

Dessa forma, o mercado também elevou as projeções para a Selic em 2021. Segundo economistas ouvidos pelo BC, a taxa básica de juros deverá fechar o ano em 3,75% ao ano, o que também favorecerá o ingresso de recursos estrangeiros no país.

Vacina

A vacinação é tida como crucial para a retomada econômica pelos economistas, gestores de fundos e analistas.

Sobre esse assunto, Paulo de Souza, sócio e assessor da EQI, destaca que as maiores potências globais já garantiram um número alto de doses de diferentes laboratório e farmacêuticas. Nesse sentido, essas nações apostaram ao longo de 2020 em diversas fórmulas da vacina.

Paulo aponta ainda que nem todos os emergentes têm à disposição contratos firmados para receberem milhões de doses. No entanto, segundo cronograma divulgado na quarta-feira pelo Ministério da Saúde, o Brasil deve receber 230 milhões de doses de 4 vacinas diferentes. Essa quantia será suficiente para imunizar quase metade da população brasileira no primeiro semestre. Dessa forma, na opinião de Paulo, conseguiremos nos destacar entre os emergentes no combate à pandemia e, quanto maior o destaque, mais o Brasil conseguirá atrair capital estrangeiro.

Retorno esperado dos países emergentes

Paulo destaca ainda o potencial de retorno de investimentos nas economias emergentes. Para ele, a lógica de se aportar recursos em países emergentes é a mesma usada para se investir em small caps. Isto é, muitas vezes essas empresas e países ainda não foram totalmente explorados. Por isso, há o potencial de crescimento elevado.

O analista acrescenta ainda que o Brasil bateu recordes no mercado financeiro já neste ano. No entanto, o mercado brasileiro não é a única prova do destaque dos emergentes. Isso porque o MSCI Emerging Markets Index – índice global usado para medir o desempenho dos países emergentes – subiu mais de 9% em 2021. Isso significa um aumento de 88% nos ganhos alcançados durante a recuperação desde março de 2020.

Segundo atualização do Banco Central de 17 de fevereiro, até o momento R$ 25,350 bilhões de recursos estrangeiros estão na bolsa de valores brasileira. Para Paulo, “se o investidor estrangeiro analisa a América Latina, ele não enxerga uma diversidade de companhias com grande potencial de emitir bonds no exterior. Logo, isso faz com que ele sempre olhe para o Brasil de forma diferenciada.”

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