É possível investir sem uma renda previsível?

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores

Crédito: Pixabay

De acordo com o Raio X do Investidor Brasileiro – 4° edição, divulgado pela ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), somente 15% dos brasileiros conseguem investir sem ter uma renda previsível.

O número de freelancers e microempreendedores individuais (MEI) cresce a cada ano no mercado de trabalho brasileiro. Durante a pandemia, foram mais de 14 milhões de novos CNPJs MEI abertos, segundo o relatório de 2020 do GEM (Global Entrepreneurship Monitor).

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Por sua vez, plataformas de freelancers também viram crescer o registro desses profissionais em seus bancos de dados. Nesse sentido, a Workana registrou aumento de 32% em sua base. Já na GetNinjas, o número de profissionais cadastrados cresceu 62%.

E dá para investir sem ter uma renda previsível?

Segundo o último Raio-X do Investidor Brasileiro, enquanto somente 15% dos autônomos conseguem investir, esse percentual sobe para 33% no caso de assalariados com carteira assinada. Isso mostra que a imprevisibilidade dos rendimentos é sim um fator determinante do volume de poupança do brasileiro.

Segundo Gustavo Cerbasi, consultor e especialista em educação financeira, há dois elementos básicos que devem ser considerados no orçamento de quem não tem uma renda previsível.

O primeiro deles é a reserva de emergência que deve ser maior do que a de quem possui um salário fixo. “Se a sua renda varia de mês para mês, logicamente a sua precisa ser maior, para que possa lidar com os meses de maior escassez financeira”.

O segundo ponto importante diz respeito ao estilo de vida. Nesse sentido, quem tem renda variável não pode ter os mesmos gastos de quem tem a mesma média de rendimentos, porém fixos. Para Cerbasi, é fundamental estimar até que patamar a renda pode cair. A partir disso, não se deve assumir compromissos fixos que possam ultrapassar esse valor.

“Quando entra dinheiro a mais, parte deve ir para a reserva de emergência e, depois sim, poderá se gastar com compras que não foram feitas nos meses anteriores. Por exemplo, em vez de assumir uma mensalidade de academia, o ideal é pagar três meses à vista. afinal, você não sabe quanto de dinheiro entrará nos próximos meses”, conclui o educador financeiro.

Estilo de vida mais enxuto

Para fazer sobrar dinheiro e investir sem uma renda previsível, é preciso também ter um estilo de vida mais enxuto. Aliás, isso não serve só para quem tem ganhos variáveis, mas para quem quer estar mais protegido em momentos de crises.

Segundo Cerbasi, “no início da pandemia, muita gente se viu desesperada por ter perdido de 20 a 30% da renda, por exemplo. O problema dessas pessoas é que 100% da renda já estava comprometida com as contas inflexíveis do orçamento. Por outro lado, algumas famílias adotaram um estilo de vida mais enxuto, com uma casa menor, um carro mais simples e todo um custo de vida menor. Quem fez isso, conseguiu cancelar custos avulsos e não teve que deixar de pagar os fixos quando a crise apertou”.

Ou seja, ter uma vida mais enxuta é o caminho para ter mais tranquilidade e qualidade. Para Gustavo, “o problema não é ter imprevistos, pois tê-los significa que você está arriscando. O problema é não saber como lidar com imprevistos quando eles aparecem. Nesse momento é que muita gente entra em desespero, por não saber de onde tirar os recursos financeiros que faltaram”.

A riqueza da vida simples

Em “A riqueza da vida simples”, lançado em 2019, Cerbasi associa a riqueza à realização dos sonhos. Para ele, manter um determinado padrão de vida não pode estar relacionado à perda de qualidade de vida. “Se você não está alcançando o que sonhou e continua se sacrificando, talvez precise rever o seu estilo de vida”.

No livro, o autor chama atenção para o “efeito-cascata”, uma armadilha na qual muitas pessoas caem por falta de planejamento. “Uma escola mais cara para o seu filho, por exemplo, trará gastos adicionais ao da mensalidade. Isso porque, provavelmente, você gastará mais com material, excursões e outros hábitos dos colegas de classe.”

Pensar no efeito-cascata vale para todos os aspectos da vida. Segundo o autor, é necessário refletir sempre sobre o quanto o dia a dia está sendo consumido por valores impostos. Ou seja, até onde você está tentando sustentar objetivos que, não necessariamente, sejam os seus. “Quanto de energia e de dinheiro você está colocando no pagamento de boletos ou em dívidas para seguir tendências?” Nas suas palavras, é preciso estar alerta para tomar o cuidado de “não viver o sonho dos outros”.

Minimalismo

No livro, o autor também aborda o minimalismo, tema recorrente em suas palestras e, também, em outras obras.

Não que o conceito deva ser adotado com radicalismo, não é essa a ideia. Para Cerbasi, o minimalismo é, basicamente, racionalizar as escolhas a fim de evitar excessos e gastos desnecessários. Inclusive, isso auxilia a lidar com o aumento dos gastos que, invariavelmente, vem com o passar do tempo. Seja pela inflação ou pela própria idade.

Na prática, o autor convida a reflexões sobre como planejar o futuro financeiro sem sacrifícios, mantendo somente o que faz sentido para cada um. “O ponto aqui não é poupar centavos, ou adotar um estilo de vida riponga. Trata-se de fazer mudanças estruturais, que deixem sua vida menos engessada e, ao mesmo tempo, mais significativa em relação aos seus valores. Em vez de sempre correr atrás de maiores ganhos, o ideal é buscar melhores resultados para a vida.”

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