E-commerce: Varejistas enfrentam competição mais acirrada

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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As empresas de e-commerce estão enfrentando uma concorrência mais acirrada no mercado brasileiro. Depois de inaugurar seu quinto centro de distribuição no Brasil no início de setembro, a Amazon anunciou que vai estrear a sua data de descontos especiais no Brasil, o Prime Day, entre 13 e 14 de outubro. Ao mesmo tempo, a Alibaba, dona do AliExpress, também está de olho em aumentar seus ganhos no Brasil.

Mesmo assim, os especialistas que acompanham o setor seguem otimistas em relação às varejistas que têm ações listadas em bolsa, como o Magazine Luiza (MGLU3), B2W (BTOW3) e a Via Varejo (VVAR3). Isso porque o mercado de e-commerce segue fortalecido, mesmo após dados mostrarem um ritmo mais lento em agosto.

No início desta semana, o Estadão noticiou que, em agosto ante julho, as vendas por comércio eletrônico caíram 9,15%. Os dados são do índice MCC-ENET, desenvolvido pelo Comitê de Métricas da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net) em parceria com o Movimento Compre & Confie. Mesmo assim, na relação anual o crescimento ainda segue expressivo: alta de 76,46%.

De acordo com Jorge Junqueira, sócio da Gauss Capital, a queda já era esperada, e mesmo assim o desempenho anual continua muito expressivo. Em sua visão, seria “espantoso” se a dinâmica de crescimento continuasse tão forte quanto nos meses anteriores.

Segundo ele, parte dos consumidores pode estar adiando suas compras agora para aproveitar as ofertas da Black Friday. “Muita gente já começa a pensar em segurar algumas comprar que não são de urgência para possíveis promoções no próximo mês”, explica.

Em relatório, a Guide atribuiu o recuo do volume em agosto à reabertura gradual dos comércios físicos. Além disso, a instituição também destacou que o crescimento no ano segue expressivo.

Competição da Amazon

O Prime Day será nos dias 13 e 14 de outubro. De acordo com a Amazon, o varejo virtual brasileiro tem muito espaço para ser explorado. “A penetração do e-commerce no Brasil está em torno de 5 a 6%”, disse o presidente da marca no Brasil, Alex Szapiro.

Até então, o único país da América Latina que recebia o evento era o México. A previsão é que mais de 15 mil produtos entrem com descontos de até 30%.

A próxima Black Friday, marcada para o dia 27 de novembro, será um teste para o mercado varejista de e-commerce. Entretanto, especialistas acreditam que a concorrência, apesar de acirrada, não será necessariamente um problema. De acordo com Junqueira, da Gauss Capital, a demanda estará bem aquecida. 

“Muito provavelmente teremos um ambiente com uma demanda muito agressiva por compras online. A presença da Amazon não é o suficiente para compensar toda a demanda que está sendo transferida do ambiente físico para o virtual”, afirmou. 

Segundo o analista da Guide Investimentos, Luis Sales, o impacto da gigante é marginalmente negativo. “A ideia da Amazon de lançar sua principal data de descontos no Brasil pode servir como uma certa ameaça aos grandes concorrentes nacionais”, disse. 

A partir de agora, o grande diferencial entre as empresas será a eficiência do sistema de logística, segundo Junqueira.

Alibaba no e-commerce

A Alibaba, dona do AliExpress, também está de olho em aumentar seus ganhos no Brasil. A empresa mudou a logística de entrega para o país. Além disso, reduziu pela metade o valor mínimo da compra que dá direito a frete grátis, que agora é de US$ 15 e passou a parcelar em seis vezes sem juros no cartão.

Ao mesmo tempo, está utilizando influenciadores digitais para divulgar a plataforma e seus produtos, de forma que consigam conquistar ainda mais o público brasileiro. Executivos da AliExpress afirmam que o Brasil está entre os cinco maiores mercados da empresa, segundo o jornal O Globo.

Queridinhas da bolsa

Por conta da pandemia, houve um aumento expressivo de compras virtuais, o que trouxe destaque para grandes players do varejo. A Via Varejo (VVAR3) e Lojas Americanas (LAME4), por exemplo, fecharam a semana passada com as maiores altas no setor. 

A Magazine Luiza (MGLU3) está quase o dobro do valor que estava no início do ano, cotada a cerca de R$ 87,75.