E-commerce: Credit Suisse eleva preços de principais empresas do setor

Paulo Amaral
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O bom momento do setor de e-commerce, impulsionado pela pandemia da Covid-19, refletiu diretamente nas recomendações dos analistas do Credit Suisse.

O relatório assinado por Pedro Pinto e Victor Saragiotto mostrou que o momento do mercado financeiro soube reconhecer o cenário positivo do segmento.

“A covid-19 impôs uma quarentena severa em diferentes regiões do Brasil e as vendas online dispararam no segundo trimestre”, pontuou o relatório.

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“O mesmo aconteceu com a participação das vendas online no varejo total, que passou de 6% em fevereiro para o pico de 12,6% em maio, voltando gradualmente ao normal em julho”, complementou.

Magazine Luiza (MGLU3) puxa alta das ações no e-commerce

Via Varejo (VVAR3), Lojas Americanas (LAME4) e B2W (BTOW3) tiveram elevação no preço-alvo de acordo com o Credit Suisse, mas o principal destaque ficou para o Magazine Luiza (MGLU3).

As ações de maior destaque no setor do e-commerce passaram de R$ 55,00 para R$ 100,00. A B2W passou de R$ 70,00 para R$ 100,00, enquanto a Lojas Americanas e a Via Varejo foram remanejadas de R$ 30,00 para R$ 35,00 e de R$ 21,00 para R$ 24,00, respectivamente.

2T20 “bom para todos”

Na avaliação do Credit Suisse, o 2º trimestre do ano foi “bom para todos” os cases analisados pela instituição.

“Saímos do 2T20 com a impressão de que todas as empresas de e-commerce sob nossa cobertura (BTOW3, LAME4, MGLU3 e VVAR3) apresentaram bons resultados”, apontou a análise.

“Ainda assim, a dinâmica do 2T20, que refletiu tanto o impulso do canal online quanto o fechamento de lojas, impôs diferentes desafios (e, portanto, expectativas) para cada empresa”, complementou.

Os analistas apontaram ainda que Americanas, Magalu e Via Varejo tinham 47%, 59% e 82% de exposição B&M ao GMV total há um ano, no 2T19.

Segundo eles, esse cenário apontava que “deveriam sofrer em conformidade”.

“A B2W, como player puramente online, esperava estar em melhor posição para lidar com o cenário no 2T20, já que a COVID-19 produzia circunstâncias ideais para uma empresa com 100% do GMV proveniente do e-commerce”.

Pontos a destacar no Magalu e na Via Varejo

De acordo com o Credit Suisse, os bons números do Magalu e da Via Varejo têm pontos em comum a serem destacados. São eles:

  • Vendas físicas: Ambas as empresas tiveram melhor desempenho nas vendas de B&M do que o esperado anteriormente, com ótima performance das lojas que permaneceram abertas durante o trimestre – 36% do Magalu e 25% da Via Varejo;
  • Vendas online: Novamente um excepcional trabalho de ambas no segmento online, capaz de compensar a menor exposição no campo físico.

    ” É importante ressaltar que esse desempenho resultou em um ganho de participação de mercado de 8,0pps e 6,4pps
    ano / ano (apenas entre as quatro principais empresas de e-commerce) da Via Varejo e Magalu no 2T20, respectivamente”;

  • Rentabilidade e geração de caixa: Considerando as circunstâncias, o Credit Suisse avaliou que as duas empresas fizeram “um trabalho incrível com as margens.

    Segundo a instituição, o Magalu melhorou sua margem Ebitda de -10,0% em abril para 7,8% em junho, enquanto a Via Varejo melhorou de -2,7% para 10,7% no mesmo período.

Distribuição de recursos definirá futuro do e-commerce

Os analistas do Credit Suisse apontaram no relatório que, de agora em diante, o que definirá a liderança no segmento do e-commerce no Brasil será a distribuição dos recursos.

“Fazer o básico não parece ser mais o suficiente. O desafio agora é fazer a alocação adequada de recursos de capital”, pontuou o relatório da dupla de especialistas.

A expectativa em relação aos números do terceiro trimestre de 2020 também é de ótimo desempenho do setor, mesmo com uma possível desaceleração das vendas como reflexo do afrouxamento do isolamento social.

“Nos nossos números o Magazine Luiza lidera, com um crescimento do GMV total de 79%, seguido por B2W (54%), Via Varejo (44%) e Lojas Americanas (30%)”, informou o relatório, conforme o gráfico acima.

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