Varejo: BTOW3, MGLU3, VVAR3 e LAME4 ainda valem a pena?

Naiana Oscar
Colaborador do Torcedores

Crédito: Divulgação

Quando a pandemia começou e a população teve de se isolar em casa, já se tinha uma ideia de que as empresas de e-commerce podiam se destacar. Mas elas se superaram.

Beneficiadas pelo que está se chamando de “efeito Amazon”, as grandes varejistas de capital aberto estão entre as empresas que mais se valorizaram no primeiro semestre.

A B2W (BTOW3) registrou alta de 70,30% entre janeiro e junho. Depois, vem a Magazine Luiza (MGLU3) com 50,31%. Via Varejo (VVAR3), uma das grandes revelações desse período, subiu 37,06% e as Lojas Americanas (LAME4), 24,26%.

Essas empresas conseguiram driblar o fechamento das lojas físicas por todo o País, migrando as vendas para o ambiente virtual.

“O fato dessas quatro companhias já estarem preparadas para aproveitar esse crescimento as levou a serem as grandes beneficiadas durante a pandemia, ganhando inclusive participação de mercado”, afirma a analista Georgia Jorge, em relatório do BB Investimentos.

Um dos grandes legados desse período, na avaliação de Pedro Fagundes, da XP Investimentos, é a quebra de paradigmas. “Como consequência, teremos um aumento de produtividade.”

Crescimento à vista no e-commerce

A pandemia fez as empresas se adaptarem na marra ao comércio eletrônico e acelerou o crescimento do setor.

A expectativa é de que as vendas online representem já em 2020 10% das vendas do varejo no País. Essa participação só era esperada para daqui a três anos.

Ainda assim, na avaliação de analistas do setor, há muito espaço para crescimento. Basta olhar os dados lá de fora.

Um relatório divulgado em junho pelo Mastercard Recovery Insights revelou que, nos Estados Unidos, as vendas online dobraram em abril e maio.

Com esse aumento, o e-commerce já responde por 22% de todo o faturamento das varejistas americanas. No Reino Unido, esse porcentual chegou a 33% no período.

Para Aline Cardoso, da Trafalgar, boa parte dos ganhos desse período de pandemia chegou no setor para ficar. “As vendas por WhatsApp, por exemplo, viraram um novo canal e já representam 30% das vendas online”, afirmou em live da XP Investimentos. “Por ser assistida pelo vendedor, é uma venda com ticket mais alto.”

Georgia Jorge, do BB Investimentos, reforça que a crise mostrou aos empresários a importância de reduzir a dependência das lojas físicas. Além disso, abriu caminho para a chegada de novos consumidores no ambiente virtual – tendências que devem se manter após a pandemia.

Desemprego é um risco

Passados mais de 100 dias desde o começo das quarentenas no País, o mercado segue otimista com as varejistas de e-commerce, mas com cautela.

Os resultados do segundo trimestre darão uma ideia mais realista do impacto do fechamento das lojas físicas. “O e-commerce não consegue compensar completamente a perda dessa estrutura que ficou fechada”, diz Mario Mariante, analista chefe da Planner.

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Além disso, ele lembra que emprego e renda são uma grande preocupação.

Os últimos dados do IBGE mostram que a pandemia destruiu 7,9 milhões de postos de trabalho no País. Menos da metade das pessoas em idade para trabalhar está empregada.

“Não sabemos quando a economia vai retomar, se as lojas não voltarão a fechar. Tudo isso afeta o setor”, diz Mariante.

Com isso no radar, os investidores devem olhar para o médio prazo. ‘O ruim a gente já sabe que tá aí, queda de resultados no primeiro trimestre e pior ainda no segundo. Estamos olhando para junho do ano que vem. Como essas companhias estarão lá na frente?”

Via Varejo (VVAR3)

A Via Varejo, dona das redes Casas Bahia e Ponto Frio, foi uma das companhias que mais se destacou nos últimos meses. E ela continua em alta. A empresa está colhendo os resultados da reestruturação iniciada há cerca de um ano. Além disso, mostrou agilidade com a migração para as vendas online.

VVAR3 no semestre

Variação de Via Varejo no primeiro semestre Fonte: Trading View

O humor do mercado com a companhia já vinha mudando desde que a família Klein retomou o controle do negócio. O resultado do primeiro trimestre também animou os investidores. A Via Varejo teve lucro de R$ 13 milhões, ante prejuízo de R$ 50 milhões no mesmo período de 2019.

No Dia das Mães, as vendas cresceram 10%, mesmo com 80% das lojas físicas fechadas.

Entre as recomendações de analistas para o mês de julho, é a varejista que mais aparece. Está na carteira do Santander, do BB Investimentos, da Mirae Asset e da Planner, por exemplo.

Em junho, a empresa fez uma emissão de ações e reforçou seu caixa em R$ 4 bilhões.
A Mira Asset incluiu a Via Varejo em sua carteira de julho e fez a seguinte comparação: A “Via Varejo vale R$ 24,3 bilhões na B3 e fatura R$ 25,6 bilhões, enquanto Magazine Luiza tem valor de mercado de R$ 112 bilhões e fatura R$ 20,7 bi.”

Magazine Luiza (MGLU3)

trajetória da Magazine Luiza nos últimos anos fez com que ela começasse a ser chamada de “Amazon Brasileira”. A empresa, que já era líder em comércio eletrônico, demonstrou ainda mais agilidade durante a pandemia.

MGLU3 no semestre

Variação de Magazine Luiza no primeiro trimestre Fonte: Trading View

Os canais digitais da empresa já respondem por metade das vendas. O presidente, Frederico Trajano, disse que a varejista tem caixa para segurar até dois anos com as lojas fechadas. De fato, a companhia entrou na crise com um caixa robusto. No fim do ano passado, ela tinha captado R$ 4,7 bilhões com uma emissão de ações.

A empresa é vista por muitos analistas como a mais bem posicionada do setor para operar no e-commerce. Embora ela não enfrente problemas, a avaliação é de que suas ações não devem manter a escalada neste ano, segundo relatório do BB Investimentos.

B2W (BTOW3)

A B2W também surpreendeu na pandemia e agiu rápido para absorver a demanda por compras online. Dona das marcas Americanas.com, Submarino e Shoptime, a empresa conseguiu reduzir o prejuízo no primeiro trimestre e encerrou março com caixa de R$ 4 bilhões.

BTWO3 no semestre

Variação de B2W no semestre Fonte: Trading View

“Se alguém me falasse em fevereiro que as 1700 lojas americanas estariam integradas com B2W em 30 dias eu não ia acreditar”, diz Pedro Fagundes, da XP Investimentos. “E foi o que aconteceu.”
A B2W passou a permitir que as mercadorias compradas online fossem retiradas nas Lojas Americanas, que é sua controladora.

A empresa expandiu seu marketplace. Nesse modelo de vendas online, a companhia oferece além de seus produtos, itens ofertados por outros varejistas. No primeiro trimestre, a plataforma atingiu a marca de 8,6 mil vendedores e 17 milhões de clientes ativos.

Lojas Americanas (LAME4)

Entre as empresas de varejo, a aposta do momento para a XP Investimentos é Lojas Americanas. Em seu último relatório sobre o setor, Pedro Fagundes ressalta que a companhia tem se mostrado resiliente em meio à crise.

LAME4 no semestre

Variação de Lojas Americanas no semestre Fonte: Trading View

No primeiro trimestre, a empresa registrou crescimento de 2% nas vendas em lojas de rua apesar do fechamento das unidades de shopping. Isso foi possível por conta da integração com a B2W e porque as lojas mantêm uma concentração de produtos de necessidade básica.

“Acreditamos que a maior presença da LASA no mundo digital suportará a produtividade da loja daqui para frente, uma vez que apenas 15% de seus 26 milhões de usuários ativos únicos se sobrepõem aos da B2W e o ticket médio no canal on-line é 10 vezes maior em relação ao offline.”, diz Fagundes.