Dulce Pugliese de Godoy Bueno ultrapassa Luiza Trajano e é a mais rica do Brasil

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.

Depois de se tornar uma das únicas quatro representantes femininas na lista dos 48 maiores bilionários brasileiros da Forbes, Dulce Pugliese de Godoy Bueno fez história mais uma vez nesta sexta-feira, 22 de janeiro.

A dona de uma fortuna de mais de US$ 5,9 bilhões (R$ 32,6 bilhões) superou Luiza Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza (MGLU3) e, hoje, é a mulher mais rica do Brasil pela primeira vez.

De acordo com reportagem da Forbes, para ultrapassar Luiza Trajano Dulce Pugliese contou com 16 dias sequenciais de “ganhos astronômicos” da família.

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Uma das controladoras do grupo de diagnósticos clínicos Dasa viu as ações do grupo dispararem 268% entre os dias 6 e 19 de janeiro.

Os papéis passaram de R$ 74,10 para R$ 199 cada. Chegaram a cair na quarta-feira, para R$ 175, mas se recuperaram e, apesar da oscilação, apresentaram, na soma final, montante suficiente para colocar Dulce à frente de Luiza Trajano no ranking das mulheres mais ricas do País.

O salto em relação à última lista divulgada pela Forbes foi de R$ 18,72 bilhões, ou, em percentual, de aproximadamente 74,28%.

Ele foi suficiente para Dulce ocupar, agora, o sétimo ponto entre os maiores bilionários do Brasil, entre homens e mulheres.

É o segundo posto mais alto que uma mulher já chegou na cobiçada lista. Acima dela, apenas Maria Consuelo Leão Dias Branco, que figurou na sexta posição em 15 de julho de 2017, com fortuna de R$ 13,25 bilhões.

Luiza Trajano, ultrapassada hoje, , segue em oitavo, com fortuna avaliada em R$ 30,49 bilhões, R$ 2,14 bilhões a menos que Dulce.

Segundo a Forbes, Dulce não é a única bilionária da família Godoy Bueno. A soma total é de US$ 12,3 bilhões (R$ 68,8 bilhões), segundo o ranking em tempo real de bilionários do mundo da Forbes.

Camilla de Godoy Bueno Grossi e Pedro de Godoy Bueno ocupam a 14ª e 15ª posição, respectivamente, com fortunas de R$ 16,58 bilhões cada.

O início de tudo

A caminhada para chegar ao posto de mulher mais rica do Brasil foi árdua. Ela fundou em 1978, com o marido, Edson de Godoy Bueno, a operadora de saúde Amil.

A venda de 90% do capital da empresa para o grupo americano United Health, em 2012, rendeu ao casal, já divorciado, US$ 4,9 bilhões. A transação consolidou  Dulce como uma das mulheres mais ricas do País.

Parte desse dinheiro foi investido na aquisição da Dasa, principal empresa brasileira de medicina diagnóstica, na qual Dulce tem participação de 48%.

Origem da Amil

Dulce nasceu em São Paulo, em 1947. Cursou medicina em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

Foi lá que ela conheceu Edson Bueno, que também estudava para ser médico.

Em 1971, uma clínica local estava à beira da falência, quando foi oferecida ao casal. Na época, Dulce tinha 24 anos. Os dois pagaram parcelado e ficaram com o negócio. Cinco anos depois, com outros médicos, criaram a Rede Escho para administrar três hospitais.

Em 1978,  o casal e seus colegas fundaram a Amil Assistência Médica Internacional, que se tornaria o maior grupo de medicina privada do País.

O sucesso da Amil fez Dulce mudar para o Rio e assumir o cargo de diretora de previdência privada da companhia. Ela também deixou a UFRJ, onde foi assistente de pediatria.

Fim do casamento, não da sociedade

Durante a década de 90, ela e o marido decidiram colocar um ponto final no casamento, após 17 anos, mas não na relação de negócios.

“O Edson sempre foi muito justo comigo”, contou em 2017 ao jornalista Geraldo Samor. “Quando a gente se separou de fato ele me ofereceu o dinheiro equivalente à metade do valor da empresa na época. Eu disse a ele: “onde é que eu vou aplicar isso? Não tem lugar melhor pra eu aplicar do que aqui com você.”

A bilionária se mudou para os EUA e se especializou em administração de negócios, tornando-se PHD pela Universidade de Texas.

Em 2007, a Amil abriu seu capital no mercado brasileiro, captando R$ 1,4 bilhão na oferta de ações.  Quase 8 anos depois, 90% da companhia foi vendida para a United Health, maior operadora de saúde dos EUA.

Os 10% restantes permaneceram com Edson e Dulce.

A herança de Edson

Parte dos bilhões conquistados com a venda da Amil foi aplicada na compra da Dasa, principal empresa de diagnósticos do País.

Dulce Pugliese detém, hoje, 48% das ações da empresa, que tem os filhos do ex-marido, Pedro e Camila, como sócios.

“Dulce sempre foi o esteio do Edson para negócios”, afirmou uma fonte à Veja, sobre como a Dasa passou a ser conduzida após a morte do ex-marido da bilionária.

Empresário Edson Bueno morreu em 2017

Edson Bueno faleceu em 2017, aos 73 anos, de infarto fulminante. Na ocasião, ele enquanto jogava uma partida de tênis em sua mansão de Búzios, no Rio.

Com a morte do ex-marido, Dulce teria que incorporar aos negócios o filho do segundo casamento do empresário, Pedro, e sua filha com Edson, Camila.

A fortuna deixada aos herdeiros em 2017 foi estimada em R$ 8 bilhões.

Dulce sempre disse que jamais houve desavença em torno dos bilhões deixados por Edson. “Não tem briga. Desde que o Edson faltou, a gente nunca esteve tão unido. A gente trabalha junto o tempo todo”, disse em 2017.

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