Dossiê CRA: Certificado de Recebíveis do Agronegócio

Ronaldo Araújo
Engenheiro e Agente Autônomo de Investimentos, hoje me dedico a divulgar ensinamentos sobre como funciona a Previdência Privada. Acredito que com mais conhecimento é possível fazer melhores escolhas para a formação do patrimônio de longo prazo. Para saber mais acesse www.ronaldoaraujo.com.br
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Um CRA é um título pertencente ao mercado de renda fixa, mais especificamente de crédito privado. As empresas que o emitem fazem parte do agronegócio brasileiro. Por si só, esse fato já diz muito sobre a expectativa de rendimento do papel, já que o país é líder mundial nesse setor.

Para saber mais sobre esse interessante título do mercado, continue agora a leitura desse artigo. Siga em frente!

O que é um CRA?

O significado da sigla é Certificado de Recebíveis do Agronegócio. Trata-se de um título do mercado de renda fixa com origem no crédito privado.

Isso quer dizer que os emissores desses papéis são companhias da iniciativa privada que atuam no agronegócio.

O título é lançado no mercado com o objetivo de captar recursos para ampliar a produção e lucratividade dessas empresas.

Esse é um detalhe importante na caracterização de um CRA: o dinheiro captado por meio de sua emissão deve ser empregado obrigatoriamente em atividades ligadas ao agronegócio.

Como é o funcionamento de um CRA?

Conforme já explicado, um CRA é emitido por uma organização que atua no agronegócio. Eventualmente, o planejamento estratégico da companhia requer uma expansão de sua atividade.

Nesse cenário, é preciso fazer investimento e só existem duas formas disso acontecer: por meio de recursos próprios (dinheiro em caixa) ou utilizando algum mecanismo de financiamento existente no mercado.

Pois bem, o CRA é uma dessas formas. A empresa interessada no levantamento de recursos faz a emissão do título antecipando um fluxo financeiro que só aconteceria no futuro.

É uma operação análoga àquela que o varejista faz quando antecipa os valores a receber das vendas feitas no cartão de crédito.

No entanto, não é possível fazer todo esse procedimento diretamente com os investidores no mercado financeiro.

É preciso que haja a intermediação de pelo menos dois entes do Sistema Financeiro Nacional.

O primeiro deles é uma securitizadora (não confundir com seguradora). Ela é responsável por “empacotar” os recebíveis futuros em um título que possa ser negociado no mercado: um CRA. É nesse momento que eles nascem.

No entanto, a securitizadora não pode comercializar esses títulos, ou seja, distribuí-los.

É aí que entra o segundo participante da operação: os distribuidores de títulos. São os bancos e as corretoras de valores.

Agora o ciclo está completo: os investidores em geral podem adquirir esse CRA que tem rentabilidade e prazo de liquidação já expressa em sua denominação.

Vale ressaltar que a securitizadora não é parte devedora da operação. O risco de crédito é todo do emissor.

A vantagem disso é que no caso da securitizadora deixar de existir durante o tempo de vigência do CRA não haverá prejuízos no recebimento deste.

Quais são os cuidados necessários ao investir em CRA?

Acompanhe alguns pontos importantes de análise antes de investir em CRA.

Investimento mínimo

Antes de investir em um CRA é recomendado observar os valores iniciais de aplicação. Normalmente, o aporte exigido é de pelo menos R$ 1 mil.

A faixa de aplicação é extensa, passando pelos R$ 5 mil e muitas vezes chega a R$ 10 mil.

Em se tratando de investidores qualificados (que têm mais de R$ 1 milhão para investir), os valores podem ser ainda mais altos.

É importante considerar isso porque para muitos interessados em investir em CRA o aporte inicial pode representar uma barreira de entrada, sobretudo para aqueles com recursos de menor monta.

Prazo

Quando se procura por um CRA no mercado, não se encontra um título com o prazo de vencimento abaixo de 4 anos. Muitos deles duram 10 anos e alguns podem chegar a 15 anos de prazo.

Assim, o investidor precisa considerar isso em suas análises, pois se trata de um investimento de médio e longo prazo.

Caso haja necessidade de fazer um resgate antecipado, podem surgir contratempos como obter uma rentabilidade menor do que aquela que foi contratada inicialmente.

Liquidez

A consequência da observação do prazo de um CRA implica em uma outro fator de análise: a liquidez do título.

Supondo o cenário no qual seja necessário resgatar o valor investido antes do vencimento do papel, pode ocorrer o problema de não encontrar um comprador interessado. Ou seja, pode haver falta de liquidez.

Outro ponto relevante é que, no caso de haver interessados no CRA, o preço acordado entre as partes obedecerá o que for conveniente aos dois. Assim, o vendedor estará sujeito ao processo conhecido como “marcação a mercado”.

Normalmente os valores obtidos por meio de uma venda dessas não são satisfatórios, pois o possuidor original do CRA estará sujeito às condições momentâneas de mercado.

Por fim, vale ressaltar que a operação deverá ser intermediada por um assessor de investimentos, que poderá cobrar uma comissão pela operação.

Garantia

Outro ponto importante a considerar antes de investir em um CRA são as garantias envolvidas.

Por se tratar de um título com emissão feita por empresas privadas, não há garantia do FGC, o Fundo Garantidor de Crédito.

Isso não significa que não seja um bom papel, pois suas operações são lastreadas em negócios voltados ao campo.

Como o Brasil tem um desenvolvimento muito forte no agronegócio, os papéis contam com um ambiente favorável de negociações.

Vale a pena investir em um CRA?

A depender dos objetivos de cada investidor, o investimento em CRA pode ser muito frutífero.

Como os títulos são emitidos por companhias privadas, a rentabilidade dos papéis costumam ser bem atrativas considerando o mercado de renda fixa.

Além disso, são investimentos isentos de pagamento de imposto de renda e isso é um grande impulsionador da rentabilidade de um CRA.

Existem até mesmo aqueles títulos que pagam amortizações periódicas e isso pode servir para reinvestir o lucro, aumentando ainda mais a rentabilidade da aplicação.

Outra forma interessante de investir em um CRA é por meio de fundos de investimentos. A liquidez aumenta ao passo que o investidor não detém o título em si, podendo vender suas cotas a qualquer momento e sair da operação.

Os CRA’s representam uma ótima alternativa de investimento do mercado de renda fixa. São títulos emitidos por empresas privadas atuantes no agronegócio e, por isso, podem prover uma rentabilidade superior. Antes de investir vale a pena observar alguns pontos importantes para que não seja necessário resgatar o papel antes do vencimento.

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