Dos 61 IPOs deste ano 25 perderam valor de mercado com crise política e econômica

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Foto: ipo

A maior parte das empresas que estrearam na bolsa de valores este ano está com cotações abaixo da estreia. Segundo levantamento do site Poder360, 61% das companhias que fizeram IPO (Oferta Pública Inicial) em 2021 perderam valor, impulsionadas pelas crises políticas e incertezas fiscais.

Os dados do Poder360 apontam que dos 41 IPOs deste ano 25 perderam valor até a última terça-feira (21). A pesquisa comparou o preço fixado nos IPOs e no fechamento do mercado em 21 de setembro.

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Quem lidera as quedas é a empresa de serviços marítimos OceanPact (OPCT3). Desde o IPO, em fevereiro, os papéis da empresa registraram queda de 64,9%. Assim, saíram de R$ 11,15 no dia do IPO para R$ 3,91 em 21 de setembro.

Outro destaque negativo é a TC, ex-TradersClub (TRAD3). Segundo o Poder360, os papéis da plataforma de investidores caíram de R$ 9,50 para R$ 6,44 em menos de dois meses – queda de 32%. A companhia anunciou a recompra de até 1 milhão de ações nesta semana com o objetivo de “maximizar a geração de valor para os acionistas”.

Maior IPO de 2021, a Raízen (RAIZ4) acumulou queda de 1,6% desde seu IPO, em 4 de agosto. A empresa de biocombustíveis levantou R$ 6,9 bilhões, e seus papéis oscilaram entre R$ 6,35 e R$ 7,28.

Por outro lado, das 41 estreantes da B3, 16 viram tiveram suas ações valorizadas. O destaque é a Intelbras (INTB3). As ações da fabricante de produtos de telefonia e segurança eletrônica foram precificadas em R$ 15,75 em fevereiro e hoje estão cotadas a R$ 30,81, alta de 95,6%.

Depois vem a Boa Safra (SOJA3). As ações da produtora de sementes de soja estrearam a R$ 9,90 e hoje valem R$ 13,90, valorização de 40,4%.

Momento é de cautela

O entendimento dos especialistas ouvidos pelo Poder360 é que as quedas das novatas da B3 estão ligadas ao mau humor do mercado em geral.

Se no início de 2021 o clima era de otimismo, com mais liquidez e perspectiva de recuperação econômico, agora, na reta final do ano, a cautela tem preocupado os investidores, que estão levando em conta a alta da inflação, o rumo das contas públicas e os frequentes ruídos políticos.

Após chegar à máxima dos 130 mil pontos em 7 de junho, o Ibovespa tem caído desde então, e chegou a bater 108 mil pontos em 20 de setembro – o valor mais baixo de 2021. Nesta quarta-feira (22) o Ibovespa fechou em alta, aos 112 mil pontos.

Essa instabilidade contribuiu também para a cautela de empresas que estavam pensando em abrir capital este ano.

De acordo com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), 31 companhias estão com IPO em análise. Deste total, 6 foram registradas em setembro. Mas as desistências já somam 43 em 2021 por conta da volatilidade do mercado.

Nos últimos meses os IPOs têm perdido força. Se o primeiro semestre registrou um boom de aberturas de capital, com 26 empresas, o segundo semestre desacelerou. Foram 12 ofertas em julho, 4 em agosto e 1 em setembro.

As maiores baixas e maiores altas dos IPOS de 2021

Empresas que mais caíram

  • OceanPact -64,9%
  • Mobly -59,5%
  • Westwing -54,9%
  • Cruzeiro do Sul -43,8%
  • AgroGalaxy -38,2%

Empresas que mais subiram

  • Intelbras +95,6%
  • Boa Safra +40,4%
  • Grupo GPS +39,6%
  • Orizon +33,4%
  • Viveo +25%

*Levantamento do portal Poder360

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