Doria confirma extensão da quarentena em São Paulo até 22 de abril

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução Valter Campanato/Agência Brasil

A quarentena para evitar a propagação do coronavírus em São Paulo foi prorrogada até 22 de abril, anunciou o governador João Doria nesta segunda (6).

Em entrevista coletiva concedida no início da tarde, Doria confirmou a extensão das medidas preventivas por mais 15 dias, “sem flexibilizações”.

“A vida vem antes do lucro”, sintetizou Doria, que disponibilizou boa parte de seu discurso para criticar a “plataforma do ódio” e para ressaltar a importância do isolamento social, defendido por especialistas da saúde.

O governador de São Paulo não citou nominalmente o presidente da República, Jair Bolsonaro, mas deixou um recado forte a ele.

O presidente é abertamente contrário às medidas de isolamento no País.

“Será que a ciência mundial está errada? A Organização Mundial da Saúde está errada? Ministros e secretários de Saúde de 56 países do mundo, que recomendaram o afastamento social, respaldados na medicina e na ciência, estão todos errados? Será que um único presidente da república no mundo é o certo?”, questionou Doria.

Prefeituras devem seguir ordem

João Doria concedeu a entrevista coletiva ao lado do médico David Uip, infectologista coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, recuperado da Covid-19.

Emocionado após ouvir Uip dar seu testemunho sobre o sofrimento que passou após contrair a doença, Doria passou a palavra a Bruno Covas, prefeito de São Paulo. Com um aviso.

“Nenhuma aglomeração de nenhuma espécie em nenhuma cidade ou área do estado de São Paulo será admitida. As Guardas Municipais ou Metropolitanas deverão agir”, assegurou.

“Isso é constitucional, não é uma deliberação que pode ou não ser seguida. Ela deve ser seguida por todos os municípios do estado”, completou Doria.

Doria autoriza PM a prender desobedientes

O governador João Doria informou ainda que concedeu autorização à Polícia Militar de prender as pessoas que insistirem em se aglomerar durante a pandemia.

A primeira medida, no entanto, será orientativa segundo o governador.

“A Polícia Militar de São Paulo está orientada a agir em aglomerações. A primeira medida será orientativa. Tenho a convicção de que as pessoas seguirão essa orientação. Se não o fizerem, a segunda medida será coercitiva, podendo penalizar essas pessoas com as penas previstas em lei, que vão, inclusive, à prisão”, disparou.

“Tenho a certeza de que isso não será necessário. Na fase inicial, receberão orientação da Polícia Militar para que se dispersem e retornem às suas casas”, reforçou Doria.

Medidas de isolamento

Quem também participou da coletiva foi José Henrique German, secretário estadual de Saúde. German apresentou, ao lado de Dimas Covas, do Instituto Butantan, o impacto das medidas de isolamento na capital desde o início do surto.

“Sem essas medidas que temos tomado, no sentido de fazer um isolamento das pessoas, pelos cálculos, seriam 10 vezes mais casos do que os 4600”, revelou German.

“Neste momento, nós precisamos da adesão das pessoas. Precisamos elevar, mostrar que a redução está funcionando em níveis superiores a 70%”, complementou Dimas Covas.

O que pode abrir e o que segue fechado

A extensão da quarentena na capital e em todos os demais municípios do Estado de São Paulo obrigará serviços que não são considerados essenciais a continuarem com as portas fechadas.

Segundo a determinação do governador João Doria, podem ficar abertos os seguintes comércios:

  • Hospitais, clínicas, farmácias e clínicas odontológicas;
  • Transporte público;
  • Transportadoras e armazéns;
  • Empresas de telemarketing;
  • Deliverys;
  • Supermercados, mercados e padarias;
  • Limpeza pública;
  • Postos de combustível.

Seguem impedidos de funcionar com as portas abertas os seguintes tipos de serviço:

  • Bares;
  • Restaurantes;
  • Cafés;
  • Casas noturnas;
  • Academias;
  • Shoppings Centers ou galerias de lojas (mini-shoppings);
  • Espaços destinados a festas, shows, eventos e casamentos;
  • Escolas públicas (municipais e estaduais) e privadas.

Coronavírus em São Paulo

Segundo os números mais recentes da Secretaria Estadual de Saúde, São Paulo já tem contabilizadas 275 mortes por conta da Covid-19.

Em comparação com o balanço do último domingo de março, houve um aumento de 180% nos óbitos. No fechamento da última semana, o número de mortos em todo o Estado era de 98.

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