Doria avisa que fim da quarentena pode ser revisto se isolamento diminuir

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução Valter Campanato/Agência Brasil

O “Plano São Paulo”, anunciado pelo governador João Doria para a reabertura gradual da economia no Estado a partir do dia 10 de maio, pode ser adiado.

Em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira, 24 horas após o anúncio da “quarentena heterogênea”, Doria se mostrou irritado com a diminuição dos números do índice de isolamento da população. E ameaçou rever seu plano.

“Se não tivermos uma taxa superior a 50%, poderemos rever a decisão da etapa que sucede a quarentena que vai até 10 de maio”, prometeu.

“Não poderemos fazer flexibilização se não tivermos um índice de 50% de pessoas em casa. Ontem esse índice foi atingido, mas nos quatro dias anteriores superamos os 50%, portanto, é perfeitamente possível”.

Exigência já foi maior

O índice de 50% de isolamento da população exigido por João Doria para, a partir do dia 11 de maio, adotar a “quarentena heterogênea”, já foi maior.

Antes de divulgar o “Plano São Paulo”, o governador havia determinado que os números ideais para deter a propagação do coronavírus no Estado seriam próximos a 70%.

Agora, após novas avaliações dos médicos, resolveu rever sua posição e estabelecer 50% como um “índice aceitável” para flexibilizar as restrições.

São Paulo segue sendo o epicentro da pandemia de coronavírus no Brasil e detém o maior número de casos e de óbitos registrados até esta quinta.

Para tentar ajudar no controle à pandemia, o governador anunciou um decreto recomendando o uso de máscaras em locais públicos.

Regionalização

Um dos pontos mais importantes do Plano São Paulo anunciado por Doria e sua equipe é a regionalização.

De acordo com o governador, a saída gradual da quarentena, a partir de 11 de maio, vai acontecer primeiro nos locais em que o coronavírus está menos atuante.

“Vamos levar em conta situações locais, regionais e setores que possam retornar a economia com as devidas medidas de proteção”, prometeu.

“A epidemia atinge diferentemente as regiões do nosso Estado e, de acordo com os dados científicos, as regras da quarentena serão diferenciadas na nova quarentena, após 10 de maio”, complementou Doria.

José Henrique Germann endossou a visão do governador após ressaltar que os países que adotaram o lockdown, completo ou parcial, retomaram à normalidade econômica em um período entre 40 e 60 dias.

“A regionalização é extremamente importante porque o país já é heterogêneo, o Estado também e, com isso, a gente precisa ter essa regionalização devido aos fatores críticos em cada uma delas”.

Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado, ressaltou que, com a reabertura parcial da economia, o uso de máscaras pela população será obrigatório.

Segundo Ellen, as regiões do Estado serão definidas por nível de risco: zona vermelha, zona amarela e zona verde. Atualmente, todas as regiões estão entre a zona vermelha e amarela, porque “para alcançar a zona verde precisa atingir um baixo número de casos, baixa ocupação dos leitos de UTI, testes disponíveis para assintomáticos e suspeitos, e protocolos setoriais implementados.”

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