Dono da Cosan (CSAN3) defende plano governamental de transição

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Jornal da Cana

Um dos maiores empresário do Brasil, Rubens Ometto, dono da Cosan (CSAN3) afirmou que governo já deveria ter elaborado um plano de transição para a retomada das atividades que ocorrerá mais à frente. “Vejo uma discussão científica e uma discussão econômica. O que não vejo no governo, e gostaria de ver, é um plano de transição”, disse, durante videoconferência organizada ontem (16) pelo banco Credit Suisse. Com informações do jornal Valor.

Segundo o Ometto, o governo foi ágil ao promover liquidez para mercado, no entanto, é preciso cuidado, em relação às reformas estruturais, para Estados aproveitem da crise provocada pelo coronavírus para solucionar problemas antigos.

“A quarentena foi importante, a curva já está começando a achatar. Mas vejo que se está dando dinheiro para quem precisa rolar dívida e um dia esse empréstimo vence. A roda da economia tem de voltar a girar e essa é a melhor maneira de fazer esse dinheiro chegar ao consumidor final”, afirmou o empresário.

De acordo com o Ometto, o projeto de transição deveria ser o foco principal do governo, ao invés da disputa entre os apoiadores científicos e os apoiadores empresariais.  “O problema é que vai atravessar a pinguela e pode cair no meio, e ficar sem nenhum dos dois”, disse.

Os braços de atuação da Cosan sentiram os efeitos da pandemia de maneiras diferentes. Segundo o empresário, o consumo de combustíveis recuou 50% no primeiro impacto da crise, mas já vem se recuperando. Na Raízen Combustíveis, as atividades já voltaram ao patamar de 70% da capacidade produtiva. “O consumo está voltando e se equilibrando e a gente consegue trabalhar com esse nível de queda de 30%”, disse.

De acordo com reportagem do Valor, a Rumo Logística (RAIL3) não foi afetada negativamente pela pandemia. Isso porque a companhia trabalha no transporte de grãos e fertilizantes e tem atuado próximo da sua capacidade máxima.

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Já na Comgás (CGAS5), o declínio na demanda atingiu 10% a 15%, em função do menor consumo dos segmentos industrial e de serviços. “É uma queda, mas nada significativo”. Na Moove, de lubrificantes, a redução foi mais brusca, cerca de 50% na demanda e ainda não há recuperação.

A Raízen Energia é a operação que mais sentiu os impactos negativos, principalmente o etanol. “A produção de açúcar segue firme, com exportações e pequena queda de preços, mas o câmbio ajuda. O problema mais sério é o etanol”, afirmou Ometto.

Segundo o Valor, a diminuição da rentabilidade do etanol, leva as usinas a produzirem mais açúcar e elevar a oferta global. Mas o efeito nos preços não deve ser relevante já que havia projeção de déficit nesse mercado.

Ometto disse que o consumo de petróleo diminuiu em todo o globo devido ao coronavírus e, com a redução da demanda de gasolina no país (30%), a Petrobras (PETR4) provavelmente desativará refinarias. A queda na demanda fará a petroleira sofrer “muito” e também afetará o etanol, cujo valor equivale a 75% do preço da gasolina. “Isso machuca muito as usinas, que sofreram bastante com política energética da Dilma e começavam a ser recuperar”.

Empresas do setor estão conversando com o governo para criação de medidas que diminuirão ao menos parte desse impacto. “É uma guerra, não dá para acompanhar a doutrina de Chicago, porque não existe mercado perfeito em épocas como esta”, comentou.

Entre as medidas estão a isenção de PIS e Cofins para o etanol, taxação da importação de combustíveis e a alteração da Cide na gasolina .

Conforme Ometto, a maior parte das companhias não conseguirá sobreviver por muito mais tempo nos moldes atuais de isolamento e a ausência de informações concretas torna a preparação ainda mais difícil. “É preciso ir atrás dos dados necessários. É preciso ser realista. Ninguém vai conseguir segurar essa quarentena desse jeito por muito tempo”, afirmou.

Ometto acredita que o mundo irá mudar após a pandemia. “Vai haver desglobalização. Vai acabar esse negócio de mandar fazer na China porque é mais barato. Acho que deve haver uma tendência de protecionismo maior dos países”.

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