Dólar dispara 1,67%, com decisão do STF sobre ex-presidente Lula

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução/ Pixabay

O dólar subiu 1,67% nesta segunda-feira (8), fechando em R$ 5,7783. O dia não estava muito bom, mas uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ao final da tarde abalou o mundo político e financeiro.

O ministro Edson Fachin anulou todas as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela Justiça Federal do Paraná, no âmbito da Operação Lava Jato. A decisão é liminar, já está valendo e Lula volta a ficar elegível para o pleito de 2022. Mas antes o plenário da Corte máxima do país vai analisar as alegações da decisão de Fachin.

A notícia caiu como uma bomba no mundo político e nem poderia ser diferente. Nos últimos dias, tem crescido a curva de preferência por Lula nas pesquisas para 2022, chegando a bater até mesmo o atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas intenções de preferências por voto para a presidência. Lula é ainda o possível candidato com menor rejeição.

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  • segunda-feira (8): +1,67% a R$ 5,7783
  • semana : +1,67% a R$ 5,7783

Lula de volta ao jogo

Com a anulação das sentenças que Curitiba deu a Lula, o ex-presidente volta a ficar elegível, sem ser atingido pela Lei da Ficha Limpa.

O habeas corpus aceito por Fachin declarou que a 13ª Vara Federal de Curitiba, origem da Operação Lava Jato, não tem competência para julgar os processos do tríplex do Guarujá (SP), do sítio de Atibaia (SP) e do Instituto Lula. O ministro não julgou mérito, nem mesmo a suspeição do ex-juiz Sergio Moro, que também virou ministro de Jair Bolsonaro, maior beneficiado político pela prisão de Lula.

Agora, caberá à Justiça Federal do Distrito Federal analisar os três casos. Lula nem réu é mais. Tem literalmente a ficha limpa.

Moro se salva também

Com a manobra jurídica de Fachin, o STF, que ainda ia julgar (e provavelmente aceitar os argumentos da defesa de Lula) a suspeição de Moro, não precisa mais fazê-lo.

Segundo o colunista de política Kennedy Alencar, do portal UOL, “o ministro do STF viu que iria perder no julgamento da suspeição de Moro e aceitou um pedido de nulidade da competência da 13ª Vara Federal feito pela defesa de Lula. Fachin se reposicionou, digamos assim. Tenta salvar a própria pele e a da turma que trocou aquelas mensagens no Telegram”.

O jornalista se refere ao material hackeado exposto pelo site The Intercept Brasil, que explicitou a parcialidade de Moro e dos agentes do Ministério Público, com Deltan Dallagnol à frente. Em posse desse material é que o STF vinha sedimentando entendimento de que Moro estava contaminado como juiz parcial.

Reação do mundo político

Foi imediata. O atual presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), sabedor da força política do ex-presidente no seu estado e no Nordeste, disse: “Minha maior dúvida é se a decisão monocrática foi para absolver Lula ou Moro. Lula pode até merecer. Moro, jamais!”.

O deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), um dos maior apoiadores de Bolsonaro em 2018, mas que tenta se descolar da associação com o presidente também comentou: “Lula elegível. Bolsonaro acaba de ser reeleito. Desolador”.

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), também uma das maiores entusiastas da eleição de Bolsonaro em 2018 e que depois sentiu na pele a fúria bolsonarista, fazendo-a virar-se contra o presidente, anotou: “O assaltante do país @LulaOficial está ELEGÍVEL. Fachin anulou as condenações. O argumento: Moro não poderia ter julgado o meliante em Ctba. Uma rebimboca da parafuseta formal. @jairbolsonaro COMEMORA. Ele conseguiu ter Lula como adversário em 2022 e assim ter alguma chance. SOS”.

Já o deputado Iva Valente (PSOL-SP) comemorou a decisão, chamando de “vitória da democracia”:

O ex-ministro da Saúde (de Bolsonaro), Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), também presidenciável para 2022, tentando se colocar ao centro, apelou para a o discurso dos “extremos”: “Os extremos comemoram, pois se nutrem um do outro. A ruptura da liga social brasileira avança. Mais que nunca o povo de bem terá que apontar o caminho para pacificar esse país”.

Vacinas eficazes

Uma boa notícia nesta segunda-feira veio da Fiocruz e do Instituto Butantan.

Estudos preliminares mostraram que tanto a CoronaVac, do laboratório Sinovac, quanto a vacina desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca são eficazes contra a variante de Manaus do coronavírus.

Os dois imunizantes conseguiram uma eficácia que o da Pfizer, por enquanto, não mostrou. Os dois estão aprovados pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial no país.

Essa notícia chega em meio ao pior momento da pandemia do país, renovando recordes diários de casos e de mortos, sistemas estaduais de saúde colapsados, e com a possibilidade de governadores e prefeitos (já que governo federal lavou as mãos e nada faz) restringirem ainda mais a circulação de pessoas, com bloqueios mais severos.

Antes da notícia sobre Lula, era isso o que preocupava o mercado. O dólar vinha subindo diante da aprovação do pacote de ajuda à economia de US$ 1,9 trilhão no Congresso norte-americano neste final de semana.

*Com BDM e CNBC