Dólar perde 1,13% e fica abaixo de R$ 5, no menor valor desde 11 de junho de 2020

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

O dólar caiu 1,13% nesta terça-feira (22), ficando com R$ 4,9661, o menor patamar desde 11 de junho do ano passado, quando valia R$ 4,9760.

A fala de Jerome Powell, do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), foi positiva, na reação dos investidores em Nova York. Os Treasures de 10 anos recuaram e as bolsas subiram. O índice DXY recuou, após ficar em torno da estabilidade.

Apesar da aprovação da Medida Provisória (MP) da privatização da Eletrobras (ELET3 ELET6) na noite de ontem (21), há risco de judicialização da matéria, o que pode elevar as incertezas.

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Entretanto, esta terça foi marcada pela divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, justificando o aumento da Selic de 3,5% para 4,25%, promovido na semana passada, e apontando os passos futuros. Entre esses passos, há a possibilidade de um aumento mais severo da Selic na próxima reunião, em agosto.

  • segunda-feira (21): -0,91% a R$ 5,0227
  • terça-feira (22): -1,13% a R$ 4,9661
  • semana : -2,04% a R$ 4,9661

Ata do Copom

Em ata divulgada hoje, o Copom do Banco Central justificou o aumento da Selic de 3,5% para 4,25%, realizado na semana passada.

O comitê afirmou que espera, para a reunião de agosto, outro reajuste de mesma magnitude (0,75 ponto porcentual). No entanto, enfatizou que não descarta um “ajuste mais tempestivo”.

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Segundo o Comitê, o ajuste tempestivo teria duas vantagens: a de acumular mais informações sobre os determinantes da inflação e deixar claro que há transparência nas divulgações do Copom, mas que os passos futuros da política monetária são livremente ajustados para manter a inflação dentro da meta, conforme novas informações se tornam disponíveis.

“As informações obtidas no período entre as reuniões do Copom modificam as hipóteses presentes no cenário básico e no balanço de risco, e naturalmente alteram a trajetória futura dos juros”, salienta a ata.

Ajuste maior

Um ajuste maior do que 0,75 ponto porcentual virá, afirma o Copom, se houver deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante. O Comitê ressalta que “essa avaliação também dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e de como esses fatores afetam as projeções de inflação”.

O Copom reafirmou ainda sua intenção de zerar os estímulos até o final do ano – o que significa levar a Selic a pelo menos 6,5%, como já aponta o Boletim Focus.

Análise do mercado

Após divulgação da ata do Copom sobre a taxa Selic, o mercado está revisando para cima as projeções. No documento, o comitê admitiu que poderá fazer mais um aumento de 0,75 ponto percentual. Mas não descartou uma elevação mais ampliada.

O banco BTG Pactual (BPAC11) explicou que o documento aponta para um crescimento de preços mais acentuado do que o previsto.

“As expectativas para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, adotado como a inflação oficial) de 2022 podem ser contaminadas, caso a política monetária permaneça em grau estimulativo”, informou a análise do BTG.

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, avaliou que a ata pode ser considerada neutra. Isso porque já era esperado que a autoridade monetária explicasse o motivo do aumento da reunião passada.

Porém, segundo o economista, é esperado que o Copom siga por um caminho de austeridade fiscal.

“De todo modo vale pontuar que a discussão entre elevar o juro ao passo de 0,75 ou 1 ponto já nessa reunião deve ser considerado hawkish, bem como a preocupação externada com relação à inflação de serviços”, completou ele.

Com isso, o economista-chefe da Ativa prevê que os juros possam chegar a 6,5% já em outubro.

Fed também se pronuncia

Jerome Powell, presidente do Fed, ressaltou mais uma vez que crê em um processo “transitório” da inflação nos Estados Unidos. Para ele, há uma boa visão de futuro, com as restrições de emprego se exaurindo com o passar do tempo, embora ele saiba que o mercado de trabalho ainda não tenha se recuperado do baque da pandemia.

A criação de empregos será mais forte em agosto, na visão de Powell.

E, no tema mais sensível ao mercado, o presidente do Fed disse que a instituição reduzirá, sim, os estímulos, mas aos poucos, conforme a economia for melhorando.

Privatização Eletrobras (ELET3 ELET6)

A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (21), por 258 votos 136, a medida provisória (MP) que permite a privatização da Eletrobras (ELET3 ELET6). Semana passada, a proposta havia sido aprovada pelo Senado Federal. O teor do que foi aprovado hoje, entretanto, deve parar na Justiça.

O projeto que agora segue para sanção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi uma vitória do governo, especialmente do ministro Paulo Guedes, da Economia. Mas não foi uma vitória fácil: o governo teve que ceder à pressão de todos os lados, especialmente de parlamentares e empresas do setor de energia.

A MP editada pelo governo caducaria nesta terça-fira (22), por isso a pressa na Câmara do Deputados nesta segunda. Mas há novos problemas pela frente.

Jabutis, textos sem pontuação, atropelo em cima do Ibama: são vários os temas e pontos que estimulam a oposição a provocar o Supremo Tribunal Federal (STF) e judicializar a privatização da companhia. O assunto ainda não está totalmente resolvido, embora o governo federal esteja, não sem motivos, comemorando.

*Com BDM e CNBC