Dólar despenca 1,87%, com nova fala de Powell e reforma tributária

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
1

Crédito: Arte / EQI

O dólar recuou nesta quarta-feira (14), com menos 1,87%, passado a valer R$ 5,0841, com o ambiente mais animador, embora lutando entre notícias tidas como ruins.

Depois do susto com o CPI (Índice de Preços ao Consumidor, na sigla em inglês) americano, que acelerou 0,9% em junho quando o mercado projetava recuo de 0,6% para 0,5%, hoje foi anunciado o PPI (Índice de Preços ao Produtor), que acelerou 1% em junho.

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

Mas Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), tratou de reforçar o entendimento de que a inflação é transitória.

No Brasil, novas intervenções de Paulo Guedes, ministro da Economia, na reforma tributária colocaram sorrisos nos agentes de mercado, enquanto o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), internado para tratar e operar de obstrução intestinal, preocupa.

De quebra, ainda teve o IBC-Br, índice que é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), que não trouxe boas notícias.

  • segunda-feira (12): -1,25% a R$ 5,1740
  • terça-feira (13): +0,13% a R$ 5,1809
  • quarta-feira (14): -1,87% a R$ 5,0841
  • semana : -2,99% a R$ 5,0841

PPI nos EUA

O Índice de Preços ao Produtor, IPP, dos EUA, subiu 1% em junho e 7,3% na comparação anual. A projeção do mercado era por avanço de 0,6% e 6,8%, respectivamente.

O núcleo do IPP também subiu 1%, quando a expectativa era por 0,5%.

Quase 60% do avanço do índice em junho pode ser atribuído ao aumento de 0,8% dos preços dos serviços. Os bens de consumo subiram 1,2%. A informação é do Bureau of Labor Statistics, do Departamento de Trabalho americano.

Powell mantém posição

Sobre os resultados da inflação, o presidente do Fed, Jerome Powell, falou ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes. Amanhã, ele falará ao Senado.

Powell manteve o discurso de que a inflação é transitória e decorre de problemas na cadeia de produção. Mas o que o investidor quer mesmo saber é se ele dará dicas de quando ocorrerá o tapering (retirada de estímulos) e quando vem a alta dos juros – se em 2023 mesmo, como vem pregando em suas falas, ou se em 2022, como o mercado antecipa.

O executivo indicou que os estímulos do Fed vão ser mantidos por um bom tempo ainda. A redução dos estímulos ainda é um cenário distante, ainda mais com a variante delta, originária na Índia, batendo à porta de todos os países e já entrando e infectando milhares de pessoas.

IBC-Br

O Banco Central divulgou hoje o IBC-Br, Índice de atividade econômica considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB).

O indicador recuou 0,43% em maio, ante avanço de 0,85% (revisado de 0,44% anunciado anteriormente). O resultado ficou bem abaixo da projeção do mercado, que era por alta de 1%.

Na comparação anual, o IBC-Br subiu 14,21%.

No trimestre, o recuo é de 0,30%, com alta de 11,66% em comparação com o mesmo trimestre similar do ano passado. No ano, a alta é de 6,60% e, em 12 meses, 1,07%.

Análise do BTG Pactual (BPAC11)

O IBC-Br reflete uma atividade econômica ainda em recuperação. Esta recuperação resultou de um resultado abaixo do que era projetado pelo mercado.

Relatório do BTG Pactual (BPAC11) aponta que os dados setoriais foram considerados positivos. Porém, a economia ainda tem espaço para conseguir se recuperar do tombo da pandemia da Covid-19.

O BTG aponta que as perspectivas para a atividade econômica são bem positivas.

O cenário para os próximos meses considera o avanço do cronograma de vacinação e uma possível reabertura sustentável da economia no segundo semestre deste ano.

Para Claudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre/FGV, os dados do IBC-Br refletem que a economia não tem se recuperado como o esperado.

Ele aponta que o cenário é menos positivo do que o mercado aposta. Para ele, se o crescimento econômico chegar a 5% no fim do ano, apenas compensará o dado negativo do ano passado.

Paulo Guedes e Bolsonaro

Paulo Guedes passou a apoiar mudanças na proposta de Reforma Tributária, especialmente apontando para a redução do imposto sobre empresas e isenção dos Fundos Imobiliários. Os agentes de mercado sorriram como se recebessem um afago dos pais. Ele deu a declaração ao Valor Econômico.

Mas ele falou também sobre a redução da tarifa de importação do aço. “O setor de construção civil está em um boom”, disse Guedes. “A indústria do setor saiu procurando insumo, e o forno estava desligado. Com juros de um dígito, uma década à frente enxergando juros de um dígito, a construção civil bombou”, comemorou.

Na outra ponta, há a preocupação com a saúde de Bolsonaro, que foi internado de madrugada com dores abdominais e deve ser operado. Ele está com uma obstrução intestinal. Ao mesmo tempo, com o presidente fora de combate, agentes do mercado vêem espaço para menos atritos políticos.

*Com BDM e CNBC

Vem ai! Money Week

Aprenda a investir com quem realmente entende do mercado