Dólar ganha força, renova recorde e chega a R$ 4,25 nesta quarta feira

Weslley Almerindo
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Arte/iStock

A cotação do dólar registrou nesta quarta-feira (27) novo recorde nominal desde a criação do real: subiu a R$ 4,25 na venda.

Fala de Guedes

Paulo Guedes, Ministro da Economia, afirmou em Washington, nos Estados Unidos, que não é possível se assustar com a ideia de alguém pedir o AI-5 (Ato Institucional nº 5) diante de uma possível radicalização dos protestos de rua no Brasil.

O ministro afirmou ainda que, diante da redução da taxa básica de juros, a cotação de equilíbrio do dólar “tende a ir para um lugar mais alto”. Segundo Guedes, o Brasil tem uma moeda forte, e flutuações no câmbio não são motivo de preocupação.

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Nessa perspectiva, entre três especialistas ouvidos pelo portal UOL, dois concordam que a fala de Guedes foi um dos motivos do aumento do dólar. Um dos especialistas diz que o problema é estrutural.

‘Lenha na fogueira’ do dólar

Na opinião de Fernanda Consorte, economista-chefe do Banco Ourinvest, as declarações do ministro “colocam lenha na fogueira do dólar” e criam instabilidade para moeda brasileira.

“Depois de o ministro falar aquilo, é claro que o mercado vai testar novos patamares no dia seguinte”, disse ela.

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De acordo com Consorte, a relação direta entre a fala do ministro e a alta do dólar hoje fica evidente porque outras moedas não tiveram o mesmo comportamento.

“A prova de que é um fator puramente doméstico é que as moedas de outros países emergentes estão caindo menos ou estão estáveis hoje”, afirma.

‘Tamanha irresponsabilidade’

As declarações do ministro entram em contradição com o discurso oficial de atrair investimentos para o Brasil, segundo a pesquisadora Ariane Roder, do Centro de Estudos em Negócios Internacionais do instituto Coppead, da UFRJ.

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“É uma fala de tamanha irresponsabilidade que leva à conotação de um ambiente de instabilidade institucional, e o mercado é atraído por ambientes previsíveis”, disse ela.

Roder lembrou ainda que esta foi a segunda menção ao AI-5 feita por pessoas próximas do alto escalão do governo, haja vista a fala de Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do presidente, pouco tempo atrás.

Fala infeliz, mas é problema estrutural

Para Thiago Salomão, analista da Rico Investimentos, a fala de Paulo Guedes foi infeliz, mas não é a causa da alta do dólar. De acordo com o analista, se o mercado estivesse reagindo a uma possibilidade de ruptura política, a Bolsa de Valores e o risco-Brasil teriam variações “em modo pânico”, o que não aconteceu.

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“A gente preferia que ele não tivesse falado aquilo, mas o que está impactando o mercado de fato são questões mais estruturais”, comenta o analista.

Para Salomão, o principal fator para desvalorização do real é a perspectiva de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) a menos de 1%. ”

“Investidores não compraram a retomada do Brasil, e essa convicção só vira com o crescimento”. O desinteresse internacional no mercado brasileiro, disse, ficou evidente com o fracasso dos leilões de áreas do pré-sal no início deste mês.

O dia só está começando e o dólar ainda pode variar muito e finalizar o dia com um valor mais alto ou equivalente.