Dólar: entenda por que moeda sobe em cenários de incerteza política

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.
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Existem muitos fatores que fazem o dólar subir, mas você já reparou que a moeda norte-americana costuma disparar quando existe uma crise ou momento de incerteza política?

Ontem, por exemplo, o dólar disparou em meio ao anúncio de saída do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, do governo de Jair Bolsonaro.

Antes deste fato, o caos econômico causado pela pandemia do coronavírus já havia levado a moeda a uma intensa valorização.

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O dólar estava próximo de R$ 4 em janeiro, e começou esta semana em R$ 5,28. Ontem, passou de R$ 5,70.

Oferta x demanda do dólar

Da mesma maneira que ocorre com produtos e serviços, o preço do dólar é determinado pela relação entre a oferta e a demanda da moeda.

Quando as pessoas compram mais dólar do que vendem, a tendência é de alta perante o real.

No Brasil, o governo adota o regime de câmbio flutuante. Isso quer dizer que a taxa flutua ao sabor do mercado.

O Banco Central atua pontualmente sobre a moeda, comprando ou vendendo, quando o mercado está muito volátil.

Em busca de proteção

Os investidores de todo o mundo estão sempre procurando os maiores retornos. E isso mexe com o câmbio.

Também conhecido como capital especulativo, eles investem em ações, títulos públicos e privados em todo o mundo.

O objetivo destes investidores é encontrar os investimentos que ofereçam os maiores retornos com os riscos mais baixos.

Quando acontece uma crise política no Brasil, este capital especulativo migra para outros mercados, em busca de maior segurança.

Embora os Estados Unidos também estejam sofrendo com a crise do novo coronavírus, investir lá é considerado sempre mais seguro que investir em países emergentes.

Em outras palavras, comprar dólares é um investimento considerado um “porto seguro” pelos investidores, principalmente nos momentos de crise.

Quanto menos confiantes os investidores estão sobre a economia e política do Brasil, mais eles retiram seus recursos do mercado nacional.

O movimento da taxa de juros é outro fator que influencia o câmbio. Quanto menor é a taxa Selic, mais baixo é o retorno de títulos de renda fixa no Brasil.

Com isso, estes investidores migram para outros mercados, em busca de maiores retornos.

Em meio à pandemia mundial, os juros no Brasil estão em tendência de queda, o que ajuda a impulsionar o câmbio.

Veja o histórico

Em outros momentos de crise, isso também ocorreu. Um exemplo foi a cotação de R$ 4,20 que o dólar atingiu em setembro de 2018, perto das eleições presidenciais.

Outra ocasião foi em 2002, quando a moeda chegou a R$ 4 pela primeira vez. Na época, a eleição de Lula trazia muitas incertezas para o mercado.

Além de crises políticas, situações com baixo crescimento econômico e déficit fiscal ajudam a pressionar o câmbio.

Veja abaixo como o dólar se comportou desde o início de 2020.

 

Como o dólar mexe com a sua vida

A cotação do dólar impacta a vida de qualquer brasileiro. Isso porque a moeda determina o preço dos produtos importados e das matérias-primas de muitas indústrias.

Com isso, influencia o preço dos produtos nacionais. Em outras palavras, é um fator decisivo para o seu poder de compra.

Mesmo quem não viaja sente este impacto, pois o câmbio mexe com a inflação.

Quem tem que fazer pagamentos em dólar ou usa a moeda para investir ou proteger o patrimônio, o tema é ainda mais relavante.

Vale lembrar que muita gente ganha com a alta do dólar no mercado financeiro.